marcas da violência vão além dos olhos assustados e desconfiados dos moradores da região
As marcas da violência vão além dos olhos assustados e desconfiados dos moradores de Águas Claras. Estão nas residências pichadas e perfuradas de balas e nas cicatrizes deixadas em inocentes, vítimas de balas perdidas da guerra entre as duas organizações criminosas no bairro.
Desde dezembro, a região virou uma praça de guerra, onde os traficantes das facções Caveira e Katiara buscam o controle total do comércio de drogas, não poupando ninguém e desafiando a própria polícia, que, segundo moradores, não entra em algumas localidades.
Desde dezembro, a região virou uma praça de guerra, onde os traficantes das facções Caveira e Katiara buscam o controle total do comércio de drogas, não poupando ninguém e desafiando a própria polícia, que, segundo moradores, não entra em algumas localidades.
João* (nome fictício) está há 20 dias afastado do trabalho. Funcionário de uma empresa gráfica, foi baleado na perna direita a caminho do ponto de ônibus, na Rua Presidente Médici, por volta das 20h. “Não vi quem atirou. Caí na hora e ouvi mais tiros e um carro passou com algumas pessoas dentro. Não sei quantas, mas o tiro que me atingiu partiu do carro”, contou ele, que ficou 18 dias internado no Hospital do Subúrbio. Segundo ele, os ocupantes do carro eram da facção Caveira e estavam atrás de dois rapazes que caminhavam perto dele.
“Já disseram aqui que não querem nem saber de crianças e idosos. Falaram que eles podem até ir, mas levam um bocado”, disse Marta*, vizinha de João. Por causa do tiro, ele passou por uma cirurgia na perna para a colocar duas placas de aço. “O osso espatifou com o tiro. Os médicos colocaram duas placas de aço para ajudar na reconstrução”, conta a mulher de João.
Inocentes Segundo moradores, há 15 dias, quatro pessoas foram baleadas no final de linha velho. “Elas conversavam. Eram todas da mesma família. Aí dois homens numa moto se aproximaram e o carona disparou”, disse Marcos*, dono de um mercadinho. Segundo ele, os disparos foram por volta das 16h e o local estava movimentado.
A motivação para o crime ele disse não saber ao certo. “Acho que um dos baleados foi confundido com um rival, pois todos os feridos eram trabalhadores, conhecidos no bairro. Eles apenas estavam jogando dominó. Dizem que quem fez isso foi o pessoal da Katiara”, contou Marcos. Segundo ele, as vítimas sobreviveram, mas não residem mais no bairro.
A motivação para o crime ele disse não saber ao certo. “Acho que um dos baleados foi confundido com um rival, pois todos os feridos eram trabalhadores, conhecidos no bairro. Eles apenas estavam jogando dominó. Dizem que quem fez isso foi o pessoal da Katiara”, contou Marcos. Segundo ele, as vítimas sobreviveram, mas não residem mais no bairro.
Seu Carlos*, 85, não dorme bem há uma semana. Isso porque acorda sempre assustado com qualquer barulho. E não é para menos. O idoso tinha acabado de sair de um banho quando foi agarrado por um rapaz ensanguentado na sala de sua casa, na Rua Presidente Médici, a principal do bairro. “Ele estava bastante assustado e queria fugir de qualquer maneira. Daí, ele se trancou no banheiro e só saiu bem depois, quando os parentes vieram socorrê-lo”, recordou.
Conforme o idoso, o rapaz ferido fugia de uma dupla que queria matá-lo. A casa de Seu Carlos estava em construção e uma das portas estava entreaberta, o que facilitou a entrada do estranho. O imóvel apresenta quatro perfurações.
No início da Presidente Médici, conhecida popularmente como Rua de Brito, nas portas de um depósito e de um salão de beleza há também marcas da violência: cada estabelecimento tem um buraco de bala. Os disparos foram feitos contra um jovem que foi surpreendido quando chegava na casa da mãe.
No início da Presidente Médici, conhecida popularmente como Rua de Brito, nas portas de um depósito e de um salão de beleza há também marcas da violência: cada estabelecimento tem um buraco de bala. Os disparos foram feitos contra um jovem que foi surpreendido quando chegava na casa da mãe.
“As pessoas que atiraram estavam em bicicletas. Foi um terror. O rapaz está internado no hospital até hoje”, disse Margarida*, dona de casa. Ainda de acordo com ela, a polícia não entra na comunidade. “A gente cansa de ligar, de até abordar a guarnição na rua, mas eles não vão. Alguns ironizam, dizem: ‘deixem eles se matarem. Depois a gente garante a remoção dos corpos’. Como assim? Pessoas
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