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domingo, 19 de abril de 2015

Conta de luz será reajustada a partir de quarta; veja como economizar

As novas tarifas entrarão em vigor para os 5,5 milhões de clientes na quarta-feira, mas o reflexo só chegará na conta de maio
Jorge Gauthier (jorge.souza@redebahia.com.br)
Atualizado em 19/04/2015 13:51:54
  
Consumidor deve ficar mais atento com o consumo de energia a partir de quarta por conta do reajuste(Foto: Arisson Marinho/Arquivo Correio)
A partir de quarta-feira ficará mais caro usar equipamentos eletrônicos na Bahia.  Por determinação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), as tarifas de energia dos consumidores residenciais baianos será reajustada em  10,45%. As novas tarifas entrarão em vigor para os 5,5 milhões de clientes da concessionária na quarta-feira, mas o reflexo só chegará na conta de maio. 
Em nota, a Coelba ressaltou que “os reajustes tarifários anuais estão previstos no contrato de concessão das distribuidoras”. 
Atualmente, segundo a Coelba, os consumidores de Baixa Tensão representam 99% dos clientes da concessionária.
Dados enviados pela concessionária indicam que um consumidor residencial convencional que consome 100 kWh/mês, por exemplo, terá sua conta reajustada de R$ 50,79 para R$ 56,05.
Já o residencial baixa renda, com o mesmo consumo de 100 kWh/mês, terá o valor alterado de R$ 26,25 para R$ 29,03. 
Bandeiras tarifárias
Além desse reajuste, os consumidores ainda precisam conviver com os aditivos das chamadas bandeiras tarifárias, que foi criado para sinalizar aos consumidores o real custo de produção da energia no país, o que é feito por meio da cor da bandeira impressa nos boletos das contas de luz.
Se a cor é verde, a situação está normal e não há cobrança de taxa. Amarela, cobra-se R$ 2,50 para cada 100 kWh de energia consumidos. Se vermelha, a taxa sobe para R$ 5,50 para cada 100 kWh. A bandeira vermelha está em vigor desde o início do ano.
De acordo com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), foram arrecadados, em apenas dois meses, um total de R$ 1,237 bilhão para equilibrar o sistema de geração de energia.

Após morte de cobrador, rodoviários vão paralisar atividades neste domingo (19)

O corpo do rodoviário será sepultado às 17h no Cemitério Campo Santo, na Federação
Da Redação (redacao@correio24horas.com.br)
Atualizado em 19/04/2015 14:15:58
  
Por conta da morte do cobrador Everaldo de Oliveira Silva, 62 anos, os rodoviários de Salvador vão paralisar as atividades por uma hora neste domingo (19), durante o horário do enterro do cobrador. "É um ato de solidariedade ao nosso companheiro", disse o presidente do sindicato do categoria, Hélio Ferreira, em entrevista ao Correio24horas.
Cobrador ficou ferido e morreu 
neste domingo  
(Foto: Divulgação)
O corpo do rodoviário será sepultado às 17h no Cemitério Campo Santo, na Federação. Além da paralisação, está previsto uma manifestação no bairro. O presidente do sindicato garantiu que não há nenhum ato de protesto ou paralisação prevista para esta segunda-feira (20).
"Não vai ser uma manifestação, e sim um ato de homenagem ao colega e à família dele. Ele foi atacado no exercício da função, e sofreu todos estes dias até hoje", declarou Roque Messias, diretor da Associação da Comissão da União dos Rodoviários da Bahia. 
Ele ainda ressaltou que os responsáveis pelo incêndio ainda não foram identificados. "Até hoje não foi preso nenhum dos culpados pelo incidente. Podia ter sido eu, ou outro colega. Os passageiros também ficaram feridos. Podia ter sido pior", comentou.  
Everaldo de Oliveira Silva, 62 anos, morreu por volta das 4h deste domingo, após ter 75% do corpo queimado durante um protesto no bairro da Ribeira, no dia 3 de abril. Ele estava internado no Hospital Teresa de Liseux, onde já tinha passado por uma cirurgia para reconstrução da pele. 
Everaldo ficou ferido depois de um grupo invadir um ônibus da Praia Grande e atear fogo ao coletivo. Um jovem de 22 anos também se feriu na ação criminosa.
De acordo com testemunhas, os homens que atearam fogo ao veículo estavam vestidos com camisas com a foto do garçom e porteiro Fabiano Santos Souza, 28 anos, encontrado embaixo de um viaduto na Baixa do Fiscal no dia 2 de abril.

Mulheres ficam amigas após dividir o mesmo namorado; entenda

Silvana, Roberta, Marjory e Jéssica se uniram para curar as mágoas e pensam em lançar livro com a história
Redação iBahia
Atualizado em 18/04/2015 17:56:56
  
As novas amigas celebraram a amizade em viagem a Salvador e pretendem lançar livro. (Foto:Reprodução/Instagram)
Quatro mulheres ficam amigas após um fato, no mínimo, inusitado: eram namoradas do mesmo homem, sem saber a existência da outra. A história, publicada em uma matéria pelo site 'o Globo', traz para o real a história mostrada, até então, em filmes, novelas e livros.
Silvana Mattievich, de 44, Roberta Rodrigues, 43, Marjory Queiroz, 23, e a soteropolitana Jéssica Vilas Boas, 25, se descobriram, criaram um grupo no aplicativo do WhatsApp e marcaram uma "vingança" no dia do aniversário do namorado em comum (que não teve o nome divulgado). As dezenas de fotos brindando juntas foram publicadas em uma conta no Instagram com o namorador marcado em todas.
A descoberta surgiu depois que Silvana, estranhando atitudes do namorado, percebeu a ausência de um dos contatos do Facebook dele, a baiana Jéssica. Intrigada, ela mandou uma mensagem via Inbox e descobriu a farsa. Meses depois, ambas souberam da existência de mais duas namoradas e as incluíram em um grupo no WhatsApp.
"Estávamos chocadas, revoltadas, decepcionadas. Começamos a montar o quebra-cabeça do qual cada uma de nós tinha um pedaço. Contamos nossas histórias, dividimos fotos e situações que passamos com ele. Foi muito difícil e doloroso perceber que tínhamos sido enganadas por tanto tempo. Aquele homem por quem nos apaixonamos não existia", disse Silvana em entrevista ao 'O Globo'.
Após descobrirem dividir o mesmo namorado, quarteto armou vingança e celebrou a nova amizade. (Foto:O Globo/ Vitor Pickersgill)
Após se conhecerem pessoalmente (Silvana, Roberta e Marjory são de São Paulo e Jéssica de Salvador), o quarteto decidiu se reencontrar na capital baiana para o aniversário de Jéssica e, desde então, comemoram a amizade construída. "Foi uma celebração do livramento e da nossa amizade. Com os limões, fizemos uma caipirinha", explicou Marjorie.
O segredo para  um quase cinquentão alto, bonito e sedutor conseguir manter quatro mulheres apaixonadas? "Ele nos fazia sentir especiais. Quando preparava um jantar, dizia “Nunca fiz isso pra ninguém”, contou Silvana. É ela que também explica como funcionava o rodízio, literalmente, de namoradas. Para uma dizia estar cansado às sextas, para a outra a folga eram aos sábados e a ausência com a terceira era justificada com viagens a trabalho.
E como nenhuma descobriu e nem desconfiou de nada em pouco tempo? Segundo elas, o homem não era gostava de divulgar imagens ou fatos pessoais nas redes sociais e, ocasionalmente, as deletavam do Facebook com a justificativa de ciúmes. Além disso, sempre tinha desculpa para não sair, evitando encontros casuais entre as namoradas.
A união das quatro mulheres e a boa história pode resultar em um livro, escrito por elas. "Queremos abordar com humor e informação um psicopata narcisista", contou Silvana.

Irmã de ex-dançarina morta diz que família não conhecia noivo

Amanda Bueno foi morta pelo noivo na tarde de quinta (16), na casa onde o casal vivia, no bairro da Posse, em Nova Iguaçu
Da Redação (redacao@correio24horas.com.br)
Atualizado em 18/04/2015 18:15:53
  
Foto: Reprodução/Facebook
A irmã da dançarina Amanda Bueno, Valsirlândia Lopes Sena, esteve no Instituto Médico-Legal de Nova Iguaçu na manhã deste sábado (18) para pedir a liberação do corpo da jovem de 29 anos, que será enterrada em Goiás. A dançarina de funk Amanda Bueno foi morta pelo noivo na tarde de quinta (16), na casa onde o casal vivia, no bairro da Posse, em Nova Iguaçu.

Em entrevista ao G1, a moça negou que soubesse que a irmã era vítima de violência doméstica por parte do noivo Milton Severiano Vieira. "Tanto eu quanto a minha irmã evitamos contar para a nossa mãe assuntos de relacionamentos devido ao estado de saúde frágil que ela tem", disse Valsirlândia.

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 na Baixada Fluminense
Sobre Milton, a irmã de Amanda contou que eles estavam juntos há seis meses, mas ela não costumava comentar detalhes sobre o relacionamento com o controlador de linhas de van com a família. "A gente não conhecia o Milton. Ninguém chegou a conhecê-lo".
Entenda o caso
Amanda Bueno, ex-integrante do grupo Gaiola das Popozudas, que foi comandado por Valesca Popozuda, foi morta a tiros dentro de sua própria casa, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro. De acordo com a polícia, o crime aconteceu no final da tarde de quinta-feira (16), por volta das 17h30.
Ainda de acordo com a policiais da Divisão de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF), que acompanha o caso, o principal suspeito é o marido da funkeira, Milton Severiano Ribeiro, de 32 anos. Conhecido como "Miltinho da Van" por trabalhar com transporte alternativo na Baixada Fluminense, o suspeito tentou fugir, mas foi preso na madrugada desta sexta-feira (17).
Durante a tentativa de fuga, ele perdeu o controle do carro onde estava e capotou. Ele foi encaminhado para um hospital onde passou por exames, mas foi liberado, em seguida, apresentando apenas escoriações. 

SALVADOR; Iniciada redistribuição das 200 linhas de ônibus em Salvador; veja como fica

Linhas serão redistribuídas entre os três consórcios que passam a operar o sistema de transporte público na próxima quarta-feira (22)
Da Redação (redacao@correio24horas.com.br)
Atualizado em 18/04/2015 15:28:46
  
(Foto: Divulgação)

Duzentas linhas de ônibus serão redistribuídas a partir deste sábado (18) entre os três consórcios que passam a operar o sistema de transporte público na próxima quarta-feira (22). Os números e nomes, bem como horários e roteiros permanecerão inalterados. 

Como nem todos os ônibus estão no novo padrão, o usuário terá que ficar atento ao número e nome da linha que costuma utilizar. Ou seja: a identificação deverá ser feita pelo número e não pelas empresas e cores antigas. 

Enquanto os ônibus do consórcio Plataforma (bacia A), na cor amarela, cobrem o Subúrbio Ferroviário, o consórcio OT Trans, com veículos verdes, fica responsável pelas 145 linhas do miolo (bacia B), que inclui as regiões do Cabula e  Cajazeiras. Já as regiões da orla e do Centro terão as 158 linhas operadas por ônibus azuis, do consórcio Salvador Norte (bacia C).
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Jovens aderem a moda do aparelho de ‘enfeite’, com venda em camelô

Kit de acessórios sai por menos de R$ 50 e virou febre entre os adolescentes de Salvador
Thais Borges e Gil Santos (masi@correio24horas.com.br)
Atualizado em 19/04/2015 08:33:01
  
A pessoa está a uns 100 metros de distância, mas basta dar um sorriso que os dentes chegam antes dela. Não precisa nem ser aquele sorrisão mostrando toda a arcada – até porque a única coisa que vai dar para ver é a explosão de cores no aparelho fixo, seja nas borrachinhas ou nos aros coloridos.
Pois, se você é da época que ter sorriso metálico era motivo de piada no colégio, esqueça. Agora, desfilar cheio de ferrinhos na boca é moda, principalmente entre os adolescentes. E, para eles, nem precisa de recomendação médica ou de acompanhamento de dentistas. O que vale é ‘ostentar’, mesmo que seja um aparelho falso, só pela estética.
A tendência começou no Rio de Janeiro e em São Paulo, há pouco mais de dois anos. Lá, são conhecidos como aparelho “diferenciado” ou “chavoso” (uma expressão bem conhecida nas letras de funk que significa se vestir com ostentação).
Borrachinhas coloridas fazem sucesso entre os adolescentes (Foto: Evandro veiga/Correio)
Por aqui, começou a ganhar força no ano passado. “Lá na rua, tenho cinco amigos que usam, tudo de enfeite. A gente chega no lugar e chama atenção”, diz o estudante Moacir de Jesus, 17 anos, que mora em Pernambués e foi até a Lapa para tentar comprar seu novo aparelho. Porque é bem assim: os consultórios saem para dar lugar aos camelôs, enquanto os dentistas são substituídos pela vizinha, pela prima, pelo amigo que assistiu a alguns vídeos na internet de ‘como fazer’.
Moacir – que também usa óculos de grau, sem grau – levou 100 borrachinhas azuis, 100 verdes e um arame também verde. Gastou R$ 6, ao todo. “Vou colocar hoje, com minha prima. Minha mãe fala que vai estragar os dentes, que vai ficar torto, mas não fico preocupado, porque está tudo parado”, analisou.
Preocupação é uma coisa que também nem passa pela cabeça do autônomo Raimundo Santos, 33. Ele não é mais adolescente, mas já exibe seu aparelho diferenciado há um ano. Em casa, mulher e filha também têm sorriso metálico. “O delas é ortodôntico mesmo, colocaram no dentista. Mas o meu eu comprei aqui e eu mesmo botei. Não tenho tempo para ficar indo no dentista. E, hoje, todo mundo usa, né?”, explica.
Pelo menos uma vez por mês ele sai de Laje, no Sudoeste do estado, onde mora, passa na Rua Coqueiros da Piedade e faz a festa. Na semana passada, saiu levando borrachinhas brancas e azuis. “É para a manutenção delas. Para que ir no dentista fazer manutenção, se é caro só para trocar borrachinhas? É rápido trocar, coisa de 10, 20 minutos e fica pronto”.

PREÇO  
O próprio preço dos aparelhos no camelô é um atrativo a mais para quem quer seguir a tendência. Só para ter uma noção, dá para montar um aparelho comprado na rua com menos de R$ 50. Um pacote com 20 bráquetes sai por R$ 40. As borrachinhas saem por R$ 2 e ainda tem mais R$ 2 do aro. Enquanto isso, a manutenção mais barata no consultório de um dentista não vai custar menos de R$ 50. Enquanto isso, todos os especialistas ouvidos pelo CORREIOafirmaram que não é possível definir o valor de um aparelho ortodôntico, porque depende do tratamento de cada paciente.
Na banca onde Raimundo comprou o que faltava para a tal manutenção caseira, o vendedor, que não quis se identificar, diz que chega a vender R$ 600 por dia. 
Durante os 20 minutos em que conversou com a reportagem, não teve nenhum momento em que a barraca esteve sem clientes. “E olha que o movimento tá fraco hoje, viu? Os dentistas se aproveitam um pouco, colocam preços muito altos, por isso o pessoal vem para cá”, revela o camelô, que começou a vender aparelhos e seus trecos há pouco mais de um ano.
Camelôs lucram até R$ 600 por dia com venda de acessórios (Foto Evandro Veiga/Correio)
Na época, ele percebeu que o negócio tinha virado moda e resolveu investir. Primeiro, abordava as pessoas na rua, mostrando as mercadorias na mão mesmo. Depois, colocou  a barraquinha. 
“A gente compra com o mesmo fornecedor dos dentistas. São coisas boas e pagamos o mesmo preço que eles”, declarou.

Tem até quem compre para levar para fora. Uma cliente de Camaçari chegou a investir R$ 150 em borrachinhas – com um desconto, levou 10 mil elásticos. “Vou fazer a moda deles lá. Eu botei o meu no dentista, mas, hoje, uso esportivamente”, diz a mulher, que preferiu não se identificar, nem entrar em detalhes.
INTOCADO 
No caso do também camelô Leandro Santos, 24, quem procura uma barraca cheia de utensílios odontológicos, à vista, não vai encontrar nada além de uma pilha de DVDs. Porém, na bolsa, ele guarda kits com 1000 borrachinhas vendidas por R$ 15. Segundo ele, quem mais compra são os garotos. “Eu mesmo botei e troco todo dia para combinar com a roupa”, afirma, enquanto mostra o sorriso todo colorido de azul turquesa e verde piscina.

De fato, parece que, entre as meninas, garotos que usam aparelho ‘diferenciado’ fazem sucesso. “Acho que dá um charme. Aparelho muda a pessoa, né? E virou moda, todo mundo quer botar. Meu namorado mesmo usa”, revela a estudante Laila França, 17. Até ela já usou por dois anos – e garante que foi num dentista –, mas pretende colocar novamente, só por causa da moda.

No bairro do Retiro, a tendência começou cerca de dois anos atrás. João (nome fictício) foi um dos primeiros do bairro a usar o aparelho falso depois que viu um vídeo no YouTube. “Coloquei em mim, primeiro. Procurei saber onde vendia e fiz a experiência. Meus amigos gostaram e resolveram colocar também”, contou o jovem, que não quis revelar a idade.

Ele afirma que já perdeu a conta de quantos aparelhos colocou e disse que o modo de colagem é muito simples. “Tem uma cola especial, tipo cola maluca, mas é diferente, são duas massinhas. Depois de colar no dente, passamos o fio e a borrachinha. O fio pode ser verdadeiro, como o dos dentistas, ou falso”, explica João.

Atualmente, ele diz que tem feito apenas a manutenção dos aparelhos, ao preço de R$ 70. “Faço três ou quatro manutenções todas as semanas. Troco o fio e a borrachinha. Quando o cliente traz o material, dou um desconto”. 

A periodicidade das manutenções depende da vida social dos clientes. “Na maioria das vezes, eles querem ir a uma festa e querem combinar o aparelho com a roupa”, destaca João. Ele garante que nenhum dos clientes teve problemas com o uso dos aparelhos falsos, até agora, mas se queixa do desleixo de alguns. “Tem que ter cuidado com o que comer ou o aparelho pode quebrar”, indica.

SALVADOR; Geovane foi executado na sede da Rondesp no Lobato

Segundo a denúncia, Geovane foi morto por decapitação, de joelhos, depois de ser colocado no fundo de uma viatura da Rondesp e conduzido ao local
Bruno Wendel (bruno.cardoso@redebahia.com.br)
  
Geovane (Foto: Arquivo CORREIO)
Geovane Mascarenhas de Santana, 22 anos, foi morto dentro das dependências da sede da Rondesp (Rondas Especiais), unidade da Polícia Militar, no bairro do Lobato. É o que consta na denúncia oferecida do Ministério Público Estadual (MPE) à 1ª Vara do Tribunal Júri, a que o CORREIO teve acesso.
Segundo a denúncia, Geovane foi morto por decapitação, de joelhos, depois de ser colocado no fundo de uma viatura da Rondesp e  conduzido ao local sem que “estivesse na prática de qualquer delito que justificasse sua prisão”.
Ao todo, 11 policiais foram denunciados pela promotora de Justiça Isabel Adelaide Moura no último dia 11, com base em inquérito policial, instaurado pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
O crime, cometido no dia 2 de agosto,  foi apurado depois de o CORREIO denunciar o desaparecimento do rapaz, no dia 13 daquele mês. O jornal revelou, com exclusividade, imagens da abordagem policial em que Geovane é colocado dentro de uma viatura da Rondesp. 

A denúncia aponta como responsáveis pela morte 11 policiais da Rondesp Baía de Todos-os-Santos: o subtenente Cláudio Bonfim Borges; os sargentos Gilson Santos Dias e Daniel Pereira de Souza Santos; e os soldados Jesimiel da Silva Rezende, Jailson Gomes Oliveira, Cláudio César Souza Nobre, Fábio Nobre Lima Masavit Cardozo, Jocenilton Santos Ferreira, Roberto Santos de Oliveira, Alan Moraes Galiza dos Santos e Alex Santos Caetano.
Os 11 foram denunciados por sequestro, roubo (a moto e o celular de Geovane não foram localizados) e homicídio qualificado (por motivo torpe e sem possibilidade de defesa da vítima). Seis deles (Cláudio, Jesimiel, Roberto, Alan, Daniel e Alex) foram denunciados também por ocultação de cadáver. 
Apesar disso, a promotora Isabel Adelaide não pediu a prisão de nenhum dos policiais, e excluiu da denúncia, os crimes de tortura e formação de quadrilha, que constavam no inquérito policial que investigou o caso.
“No momento não existe motivos para pedir a prisão deles. Primeiro, porque o fato se deu em agosto, então não posso dizer que existe um clamor popular. São pessoas que têm profissão definida e endereço certo e, até então, não existe nenhum motivo que justifique ultrapassar o direito que eles têm de responder ao processo em liberdade”, declarou a promotora, ontem, durante coletiva no Ministério Público Estadual, no CAB.
Presente também na coletiva, o comandante-geral da Polícia Militar, coronel Anselmo Brandão,  disse que todos os policiais foram afastados do serviço ostensivo para atuar em atividades administrativas, além de responderem a processo disciplinar.
A ação agora será julgada pelo 1º Juízo da 1ª Vara do Tribunal do Júri.
O crime  
Segundo a denúncia, no dia 2 de agosto de 2014, às 16h58, Geovane pilotava sua moto CG 125 (JRB 9929), quando foi parado por uma guarnição da Rondesp BTS, na Rua Nilo Peçanha, na Calçada e abordado “de forma excessivamente agressiva” — as imagens mostram que Geovane é agredido pelos policiais.  
A guarnição era integrada pelo subtenente Claudio Bonfim Borges, e os soldados Jesimiel e Jailson (os três já ficaram dois meses em prisão temporária pelo crime, entre 15 de agosto e 12 de outubro). Geovane foi levado pela viatura de número 2.2211, juntamente com a moto, para a Rua Luiz Maria, nas imediações do Atacadão Recôncavo, quando foi apresentado a uma mulher  que alegou ter sido vítima de roubo. Ela, porém, não reconheceu Geovane.
Às 17h21, chegou ao local a segunda viatura, de número 2.2203, com o sargento Gilson e os soldados Claudio, Fabio e Jocenilton. As viaturas permaneceram juntas até às 17h25 e depois seguiram para a sede da Rondesp, no Lobato.
Geovane foi, então, executado dentro das dependências da Rondesp. Às 21h, Cláudio e Jesimiel, que no dia se encontravam de serviço extra na Operação Visão Noturna deixam a sede da unidade, junto com o sargento Daniel e os soldados Roberto, Alan e Alex. O grupo sai dividido em duas viaturas, 2.2204 e R-10, até a Travessa São Rafael, Rua das Casinhas, próximo ao Parque São Bartolomeu, onde abandonaram o corpo mutilado, para em seguida atearem fogo, “na tentativa de ocultar o cadáver”.
A denúncia acrescenta que “o corpo da vítima foi localizado no dia seguinte, numa casa abandonada, e a motocicleta deste, juntamente com o aparelho celular que carregava, foram subtraídos pelos acusados”.

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