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quarta-feira, 20 de abril de 2016

A guerra da ciência contra o mosquito do zika

A manipulação genética e o uso de bactérias poderiam extinguir os mosquitos que transmitem o vírus

A ciência poderia acabar com o mosquito que transmite o zika vírus ou, pelo menos, reduzir sua população de forma significativa. Com o uso das mais modernas ferramentas de manipulação genética, os cientistas propõem esterilizar os machos, masculinizar as fêmeas ou tornar as crias dependentes de um antibiótico. Outros encontraram em uma bactéria um mecanismo menos radical para que os mosquitos sejam resistentes aos vírus.
A Organização Mundial da Saúde dizia esta semana que há pelo menos 15 grupos trabalhando em uma vacina contra o vírus do zika. Mas acrescentava em seguida que ainda será preciso de mais uns 18 meses para que possa ser testada em grande escala. Nesse prazo, a ciência poderia levar à extinção o mosquito que transmite o vírus, desde que sejam reduzidos os controles de segurança dos experimentos que estão sendo realizados com mosquitos transgênicos. Algo diferente é que seja aceitável acabar com toda uma espécie, ainda que seja a de um mosquito que transmita vários vírus. A ideia básica aqui é matar o mensageiro. O vetor do zika é o Aedes aegypti, mosquito originário da África que colonizou toda a zona tropical do planeta e que também pode transmitir a febre amarela, a dengue e a chikungunya. Entre as armas convencionais para freá-lo estão os inseticidas e o uso de repelentes, ou até, como fizeram as autoridades de vários países americanos – com mais efeitos chamativos do que eficácia –, deslocar milhares de soldados para caçá-los casa a casa.
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No entanto, essa guerra não será ganha com armas convencionais, mas com a genética e uma espécie de guerra bacteriológica. É o caso da empresa britânica Oxitec. Mediante manipulação genética, conseguiu o mosquito OX513A, um exemplar macho que porta e transmite uma mutação genética que faz com que suas crias sejam dependentes da tetraciclina, um antibiótico. Se lhes faltar, morrem antes de superar a fase de pupa ou larva.
“Realizamos testes em campo aberto na Malásia, Brasil, Panamá e Ilhas Cayman”, diz Andrew R. McKemey, cientista da Oxitec. “Em todos os experimentos constatamos que a liberação de nossos mosquitos OX513A reduziu a população silvestre em mais de 90%, um nível de controle sem comparação com outros métodos”, acrescenta. No ano passado, a Oxitec iniciou um projeto-piloto em Piracicaba (SP). Embora na época seu objetivo fosse comprovar se a proliferação desses mosquitos transgênicosreduziria a incidência da dengue, agora o trabalho se ampliou a mais zonas, desta vez para combater o zika.
Há 15 grupos buscando uma vacina contra o zika, mas a OMS estima que levarão uns 18 meses para obtê-la
"A estratégia da Oxitec requer a separação à mão dos machos e das fêmeas na fase de pupa. Isso significa muito trabalho, tanto para separá-los e criá-los como para descartar as muitas fêmeas”, diz o professor da universidade Virginia Tech (EUA), Zach Adelman. Esse entomologista propõe outra ideia mais radical: masculinizar as fêmeas do A. aegypti, as únicas que picam e transmitem o vírus. “Usando nosso enfoque, todos os mosquitos criados em laboratório seriam machos. Não seria necessária a separação por sexos nem desperdiçar recursos com as fêmeas”, acrescenta.
Liderando uma dezena de cientistas, Adelman descobriu em meados do ano passado o que chamaram de fator M ou masculinidade, que determina o sexo no A. aergypti. “O fator M é um gene que serve como interruptor mestre. Quando está on, o mosquito se desenvolve como macho, quando está off, ele o faz como fêmea. Como só as fêmeas põem ovos, quanto mais presente estiver esse interruptor na natureza, haverá menos fêmeas das que picam”, explica Adelman.
Com uma manipulação genética tradicional, a transmissão desse fator de masculinidade seguiria as leis de Mendel, ou seja, a princípio se transmitira a 50% das crias, mas sem a liberação de novas remessas de mosquitos transgênicos, acabaria por retroceder. Aqui é onde intervém uma das técnicas mais recentes e tão poderosa que quase dá medo.
Trata-se dos sistemas que na Espanha foram batizados como reação em cadeia genética ou estímulo genético (gene drive, em inglês). Usando a técnica de edição genética CRISPR, Adelman acredita que se poderia transformar o gene do fator M em dominante. “O sistema CRISPR/Cas9 permite atuar sobre uma zona específica de um cromossomo, quebrando-a. Se somos muito precisos onde rompemos, poderíamos duplicar o gene do fator. Dessa maneira, quase toda a progênie seria de machos, em vez de somente a metade. Esse viés poderia continuar em cada geração até que quase não restassem fêmeas”, sustenta o entomólogo norte-americano.
Cientistas querem esterilizar os machos do mosquito 'A. aegypti', masculinizar as fêmeas ou tornar as crias dependentes de um antibiótico
Esse poder dos sistemas de estímulo genético levou a uma vintena dos mais destacados especialistas nessas novas ferramentas de engenharia genética a publicarem uma lista de recomendações de segurança para evitar que os experimentos não saiam ainda do laboratório. As Academias Nacionais dos EUA estão preparando um relatório sobre as possibilidades e os riscos dessas técnicas de manipulação, com previsão para este semestre.

A bactéria antivírus

Muito antes de os humanos idealizarem esses sofisticados sistemas de manipulação genética, uma bactéria já se engendrara para determinar o sexo dos insetos, dentro dos quais vive. Trata-se da Wolbachia pipientisy. Apesar de ter o poder de decidir qual fêmea pode ter descendência e qual não terá, é considerada um simbionte e não um parasita ou patógeno. A razão é que compensa aquilo com a defesa que oferece a seu hospedeiro contra vários vírus. E se o mosquito não tem o vírus, não pode transmiti-lo aos humanos.
"Numerosas cepas da Wolbachia induzem ao que se chama de incompatibilidade citoplasmática nos insetos nos quais vive. Embora o mecanismo molecular não esteja claro, o que ocorre é que se um mosquito macho com Wolbachia se acasala com uma fêmea sem Wolbachia os ovos não rebentam. Pelo contrário, se tanto o macho como a fêmea contêm a bactéria, os ovos rebentam e os novos mosquitos estarão infectados com Wolbachia. Esse mecanismo proporciona uma vantagem reprodutiva às fêmeas com Wolbachia em relação às fêmeas sem Wolbachia”, explica o entomólogo da Universidade Monash, de Melbourne (Austrália), Iñaki Iturbe-Ormaetxe.
Esse pesquisador basco integra um grupo de cientistas que investiga o uso da Wolbachia para acabar com a dengue, outro vírus que o A. aegypti transmite. A bactéria, presente em até 70% das espécies de artrópodes, não tem esse mosquito entre seus hospedeiros. Por isso, a equipe da qual Iturbe-Ormaetxe faz parte está há anos inoculando diversas cepas da bactéria em mosquitos.
Pesquisadores dos EUA querem desencadear uma reação em cadeia para que todos os mosquitos sejam machos
"No ano 2011 iniciamos a liberação de mosquitos com Wolbachia no norte de Queensland, Austrália, nas localidades de Cairns e Townsville. Esses ensaios se expandiram globalmente e estamos liberando mosquitos em Medellín (Colômbia), no Vietnã, em Yogyakarta (Indonésia) e no Rio de Janeiro", comenta o entomólogo basco. O objetivo final desses testes está claro no nome do site do projeto: Eliminate Dengue: Our Challenge (Eliminar a dengue, nosso desafio), liderado pelo cientista Scott O'Neill.
Aproveitando aquela incompatibilidade citoplasmática, os mosquitos com Wolbachia liberados poderiam desencadear uma reação em cadeia e ir substituindo os que não portam a bactéria. O’Neil e sua equipe acabam de publicar sobre sua última criação. Um mosquito que carrega duas cepas diferentes da Wolbachia. Dessa maneira, fica bloqueada a possibilidade de que o vírus se torne resistente. Seus resultados são muito promissores.
Quatro grupos de mosquitos sem presença viral –um silvestre, outros dois com cepas diferentes da bactéria e um quarto com as duas cepas – foram alimentados com sangue de 43 pessoas com dengue. Segundo publicou a PLoS Pathogens, 42,6% dos silvestres acabaram tendo o vírus em sua saliva, em comparação com pouco mais de 6% dos que tinham uma cepa bacteriana. Entretanto, nos infectados pelas duas cepas de Wolbachia ao mesmo tempo, somente 2,8% tinha o vírus da dengue. Além do mais, a concentração do vírus no abdômen e nas glândulas salivares era muito menor nos mosquitos com Wolbachia, em especial nos protegidos pelas duas variedades da bactéria.
"Apesar de o principal objetivo de nosso programa ser a eliminação da dengue, essa tecnologia é aplicável a outras doenças transmitidas por mosquitos-, já que a presença do Wolbachia no Aedes aegypti também reduz significativamente a transmissão de outros vírus, incluindo o da febre amarela, do chikungunya e do zika”, argumenta Iturbe-Ormaetxe. De fato, estão a ponto de publicar um estudo sobre o uso da Wolbachia para frear o zika.
"Nosso projeto não está direcionado a eliminar os mosquitos, mas a substituí-los por outros que não transmitam esses vírus"
IÑAKI ITURBE-ORMAETXE, ENTOMÓLOGO OU. MONASH (AUSTRÁLIA)
Tanto a manipulação genética com técnicas de gene drive como o uso da bactéria prometem acabar com o mosquito vetor de quatro dos vírus que mais assolam este planeta. Mas enquanto a primeira exige acabar com o mosquito, erradicá-lo, o segundo projeto, como diz o entomologista basco, “não está direcionado a eliminar os mosquitos, mas a substituí-los por outros que não transmitam esses vírus, por isso nosso método não tem impactos no ecossistema: simplesmente estamos eliminando a capacidade do mosquito de transmitir vírus”.

Donald Trump e Hillary Clinton vencem as primárias de Nova York

Vitória de Trump foi projetada assim que votação foi encerrada.
Republicano e democrata tiveram grande vantagem sobre adversários.

Do G1, em São Paulo
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Hillary Clinton celebra sua vitória na primária democrata de Nova York, na noite de terça (19) (Foto: Reuters/Mike Segar)Hillary Clinton celebra sua vitória na primária democrata de Nova York, na noite de terça (19) (Foto: Reuters/Mike Segar)
Donald Trump e Hillary Clinton venceram as primárias de Nova York e abriram vantagens ainda maiores frente a seus adversários republicanos e democrata, respectivamente, na disputa pela nomeação para concorrer à presidência dos EUA.
vitória de Trump foi projetada pela CNN e pela agência AP assim que a votação foi encerrada, às 22 horas (horário de Brasília). Logo que a apuração começou o empresário já apareceu com mais de 60% dos votos, margem que manteve até o final. Ele garantiu ao menos 89 dos 95 delegados do estado. John Kasich levou três e Ted Cruz nenhum. Três ainda não foram atribuídos.
Em seu discurso, Trump afirmou que "não temos mais uma disputa. Ted Cruz está praticamente eliminado matematicamente", ressaltando que seu principal adversário ficou em terceiro lugar, atrás de John Kasich, e teve menos de 15% dos votos. Ele ressaltou ainda que, no total, tem um número muito maior de delegados e não pode mais ser alcançado. Ainda assim, Trump voltou a criticar o sistema de distribuição republicano. "É realmente ótimo ganhar delegados com votos... ninguém deveria ganhar delegados de presente", provocou.
Embora também tenha mantido uma grande vantagem desde o início da apuração, Hillary só teve sua vitória confirmada quando a contagem chegou aos 40%. Naquela altura, ela estava com 60% dos votos, contra 40% de Bernie Sanders. Com a vitória, Hillary conquistou 139 novos delegados, enquanto Sanders ficou com 106. Nova York tem 291 delegados democratas, dos quais 44 são superdelegados e não estavam em disputa nas primárias. Dos 247 disputados, dois ainda não foram atribuídos.
Em seu discurso de agradecimento, ela afirmou que "não há lugar como a nossa casa", referindo-se ao estado que a elegeu senadora há 16 anos. Clinton também fez uma referência aos eleitores de Sanders, dizendo que vê muito mais coisas os unindo do que dividindo.
Ela também repetiu uma frase que já usou em discursos anteriores, dizendo que "em vez de construir muros, iremos quebrar barreiras". Hillary citou nominalmente Trump e Cruz ao criticar as políticas de ambos em relação a imigrantes, muçulmanos, mulheres e minorias. "Donald Trump e Ted Cruz estão empurrando uma visão para os EUA que é divisiva e, francamente, perigosa", afirmou.
"Nova iorquinos falam todas as línguas, professam todas as fés e vem de todos os continentes. Nossa diversidade é uma força, não uma fraqueza", acrescentou.
Donald Trump discursa após sua vitória na primária republicana de Nova York, na noite de terça (19) (Foto: Reuters/Shannon Stapleton)Donald Trump discursa após sua vitória na primária republicana de Nova York, na noite de terça (19) (Foto: Reuters/Shannon Stapleton)
Na próxima terça (26), os dois partidos realizam novas primárias em cinco estados: Connecticut, Delaware, Maryland, Pensilvânia e Rhode Island. Já visando essas disputas, Kasich, Cruz e Sanders não ficaram em NY nesta terça. Kasich fez campanha em Maryland, enquanto Cruz e Sanders fizeram comícios na Pensilvânia.

Delegados
Um republicano precisa ter pelo menos 1.237 votos para ser indicado por seu partido. No Partido Democrata, uma indicação depende de pelo menos 2.383 votos. Até junho, ainda serão disputados 734 delegados republicanos e 1.646 democratas.
Após as primárias de Nova York, Trump soma 845 delegados e, para chegar à convenção do partido já com a nomeação garantida, precisa ganhar mais 392, ou 53,4% dos disponíveis. ParaTed Cruz a tarefa se tornou praticamente impossível, já que ele tem 559 delegados, precisando de 678 ou 92,3% de todos os disponíveis. John Kasich já não tem chances matemáticas de antecipar uma nomeação, porque tem apenas 147 delegados e precisaria de mais 1.090.
No Partido Democrata, Hillary soma 1.930, incluindo seus superdelegados, e por isso precisa conquistar apenas mais 453, ou 27,5% dos disponíveis. Para Bernie Sanders a dificuldade aumentou após NY, uma vez que ele tem 1.189 delegados e ainda precisa de mais 1.194, ou 72,5% de todos os que ainda serão disputados.
Delegados - Eleição EUA 2016 (Foto: Arte/G1)
Prévias
Até o dia 14 de junho (veja o calendário completo), eleitores de todo o país irão indicar delegados para representá-los nas convenções de cada partido.
Tanto primárias quanto caucuses têm duas modalidades diferentes: fechada, na qual votam apenas os eleitores registrados em cada partido, e aberta, em que qualquer eleitor pode votar no pré-candidato que escolher de um dos partidos (mas não nos dois). Alguns estados, como Ohio, Califórnia e Nova Jersey, adotam um sistema misto.
Os dois partidos definem em julho quem serão seus candidatos oficiais. A convenção do Partido Republicano acontece antes, entre os dias 18 e 21 de julho, em Cleveland, Ohio. Já o Partido Democrata aponta seu candidato oficial ao final de uma convenção realizada entre 25 e 28 de julho, na Filadélfia, Pensilvânia.
A eleição presidencial será realizada em 8 de novembro.
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Eleições EUA prévias caucus primárias infográfico (Foto: Editoria de Arte/G1)

UE acusa Google de 'abuso de posição dominante' por sistema Android

A Comissão Europeia iniciou nesta quarta-feira uma nova ofensiva contra o grupo de internet americano Google, empresa acusada de "abuso de posição dominante" por seu sistema operacional Android para smartphones e tablets.
Essa nova ofensiva aponta o lucrativo mercado dos dispositivos móveis, quando o setor rapidamente está superando em vendas o tradicional mercado dos computadores.
Segundo a Comissão, a Google "persegue uma estratégia para os dispositivos móveis que aponta para "preservar e reforçar sua posição dominante no setor das buscas gerais na internet" impondo as fabricantes dos dispositivos que pré-instalem o 'Google Search' e o navegador Chrome.
"As conclusões preliminares de nossa investigação apontam que estas práticas infringem as leis de concorrência da UE", afirmou Margrethe Vestager, comissária europeia de Concorrência, em uma entrevista coletiva.
A suposta posição dominante da Google não se limita unicamente às buscas na internet, mas se estende aos sistemas de exploração que precisam de licença e pontos de vendas de aplicativos para o sistema Android, no caso a 'Google Play Store'.
Um freio à inovação
A Comissão critica o Google, que obriga os fabricantes, para obter a licença de exploração, a "pré-instalar o Google Search e o navegador Chrome, do Google", fazendo do primeiro o serviço de busca padrão de seus aparelhos.
Ao mesmo tempo, "impede aos fabricantes vender aparelhos que funcionem com sistemas operacionais da concorrência baseados no código 'open source' de Android".
O Android é um sistema "open source" que pode ser utilizado para criar um sistema operacional modificado.
Para a Comissão, esse modelo não apresenta problemas, e sim os "acordos antifragmentação" impostos aos fabricantes que querem pré-instalar os aplicativos do Google, pelo qual se comprometem a não vender aparelhos com versões revisadas do sistema Android.
"Isso tem uma incidência direta nos consumidores na medida em que lhes impede o acesso a aparelhos móveis inovadores baseados em outras versões, potencialmente superiores, do sistema operacional Android", afirma a Comissão.
Finalmente, a Comissão critica a empresa por conceder incentivos financeiros aos fabricantes e operadoras "com a condição da pré-instalação exclusiva do Google Search".
Segundo caso contra a Google
Em uma primeira reação, a Google negou as acusações, afirmando que "o Android ajudou a promover um extraordinário e sustentável ecossistema, baseado no sistema 'open source' aberto à inovação".
"Esperamos poder trabalhar com a Comissão Europeia para provar que o Android está a favor da concorrência e dos consumidores", disse Keant Walker, vice-presidente e conselheiro-geral do Google em comunicado.
Se as acusações forem comprovadas, a Comissão poderá resultar em uma multa à Google de até 10% de seu volume de negócios, que representa a astronômica cifra de 7,49 bilhões de dólares. A empresa registrou em 2015 vendas por 74,9 bilhões de dólares.
A Google tem doze semanas para responder a Comissão.
A decisão da Comissão foi comemorada por um dos demandantes no caso, a organização FairSearch, que reagrupa várias empresas e organizações como Trip Advisor e Nokia.
"É um passo decisivo para pôr fim às práticas abusivas da Android", disse Thomas Vinje, porta-voz da FairSearch em um comunicado.
Outro dos demandantes, o buscador e portal russo Yandex, o mais utilizado pelos rusófonos, também celebrou a decisão: "Estamos seguros de que os avanços neste caso vão ter uma importância significativa para garantir uma igualdade de oportunidades em nível mundial".
A autoridade russa da concorrência, FAS, também abriu uma investigação pelas mesmas práticas de Google.
Essa é a segunda ofensiva da Comissão Europeia contra a Google. Há um ano a Google foi acusada de abuso de posição dominante com seu motor de busca.
A Comissão reprovou à Google por colocar em destaque suas próprias páginas de serviços de comparação de preços e sites de viagens em seu motor de busca em detrimento da concorrência, como o Bing da Microsoft.
No final de agosto, a Google considerou as acusações da Comissão, que ainda não comunicou sua decisão final.
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Estudo da Marinha aponta alta concentração de metais no Rio Doce

Léo Rodrigues - Correspondente da Agência Brasil
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) divulgou, nesta quarta-feira (20), os resultados do estudo feito com a Marinha do Brasil sobre o impacto da lama de rejeitos que vazou no final do ano passado após o rompimento da barragem da mineradora Samarco, em Mariana (MG).
A pesquisa levou em conta amostras colhidas na foz do Rio Doce e no litoral norte do Espírito Santo pelo navio Vital de Oliveira, em novembro de 2015. Foi constatada alta concentração de quatro metais pesados. No entanto, não foi possível confirmar a relação entre a contaminação e os rejeitos vazados na tragédia.
Governador Valadares (MG) - Passagem da lama pelo Rio Doce, por causa do rompimento de duas barragens em Mariana, Minas Gerais, causa desastre ambiental (Leonardo Merçon/Instituto Últimos Refúgios/Divulgação)
Estudo feito com a Marinha do Brasil sobre o impacto da lama de rejeitos que vazou no Rio Doce encontrou alta concentração de quatro metais pesadosLeonardo Merçon/Instituto Últimos Refúgios/Divulgação
Na região marítima próxima à foz do Rio Doce, foi observada a presença de arsênio, manganês e selênio acima do limite estabelecido pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). Já na região de água doce foi encontrado excesso de manganês, selênio e chumbo. Em suas considerações finais, o relatório com os resultados sugere que os órgãos públicos competentes acompanhem “os impactos do acúmulo dos metais, principalmente aqueles em maiores concentrações".
Em nota, a Samarco informou que não teve acesso ao relatório da Marinha, mas destacou que a composição de seu rejeito não tem metais pesados. A mineradora disse ainda que faz, desde o dia 7 de novembro de 2015, o monitoramento da qualidade da água e sedimentos em 118 pontos distribuídos ao longo da bacia do Rio Doce e no mar e também destacou um estudo da Agência Nacional de Águas (ANA) feito em dezembro de 2015. A agência teria indicado que "no mesmo período em que a Marinha analisou o ambiente marinho, a qualidade da água do Rio Doce já se encontrava em condições semelhante aos padrões observados em 2010".
ICMbio
No início do mês, o Ministério Público Federal (MPF) divulgou os resultados de uma pesquisa feita pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) que também apontava contaminação do mar e de animais marinhos no litoral do Espírito Santo. A confirmação de altos níveis de arsênio, chumbo e cádmio levaram o procurador Jorge Munhós de Souza a recomendar a ampliação da área de proibição da pesca na foz do Rio Doce.
Os estudos do ICMBio também não permitiram afirmar com segurança que a contaminação era decorrente da chegada ao oceano dos rejeitos de mineração espalhados após o rompimento da barragem da Samarco. Na ocasião, a mineradora disse que os estudos apresentados pelo ICMBio eram preliminares e não conclusivos.
“O que chama atenção até o momento é que os próprios pesquisadores não apontam uma relação entre os resultados encontrados e o episódio de Mariana. Inclusive os metais encontrados não estão associados ao tipo de rejeito que havia na barragem”, disse o gerente de engenharia ambiental da Samarco Paulo Cezar de Siqueira.
Sigilo
Linhares (ES) - A lama vinda das barragens da Samarco com rejeitos de mineração seguem ao longo do leito do Rio Doce em direção à sua foz, localizada em Regência, Linhares (Fred Loureiro/Secom ES)
Os resultados do estudo haviam sido considerados sigilosos pela Marinha e ficaram restritos por mais de três mesesFred Loureiro/Secom ES
Os resultados do estudo haviam sido considerados sigilosos pela Marinha e ficaram restritos por mais de três meses. Sua liberação ocorre após a organização não governamental (ONG) Transparência Capixaba anunciar que entraria com uma ação na Justiça para poder ter acesso ao documento. "Pela Lei de Acesso à Informação, não há absolutamente qualquer motivo para que estas informações sejam consideradas sigilosas ou que envolvam a segurança nacional", disse ontem (19) o integrante da ONG Edmar Camata.
Apesar da queda do sigilo, a Marinha se recusou a fornecer o documento à reportagem, que foi obtido somente por meio do Ibama. Nessa terça-feira (19), a ONG Transparência Capixaba havia criticado a dificuldade para se obter informações referentes aos desdobramentos do rompimento da barragem em Mariana.
"Desde que ocorreu a tragédia, há uma déficit de informação muito grande. Quando começamos a demandar alguns órgãos públicos, notamos que havia um conluio das empresas e dos governos para negar informação", disse.
A barragem do Fundão, no distrito de Bento Rodrigues em Mariana (MG), se rompeu no dia 5 de novembro de 2015 ocasionando a morte de 19 pessoas. Considerada a maior tragédia ambiental do Brasil, o episódio também causou destruição de vegetação nativa e poluiu as águas da bacia do Rio Doce.
Edição: Fábio Massalli

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