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segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Vazamento de gás é consenso entre autoridades sobre causa de explosão

Vítima contou que restaurante armazenava gás irregularmente.
Saiba como denunciar vazamento ou armazenamento irregular de gás.

Do G1 Rio
As autoridades públicas que avaliam as causas da explosão que deixou oito feridos e danificou mais de 50 imóveis em São Cristóvão, na Zona Norte do Rio, na manhã desta segunda-feira (19), foram unânimes em apontar um possível vazamento de gás. As investigações, no entanto, vão continuar para se descobrir em qual dos imóveis ocorreu a detonação de todo o estrago. O laudo da perícia deve sair em 30 dias.
A principal hipótese dos investigadores é que o vazamento tenha tido origem em um restaurante de comida a quilo ou na pizzaria que ficava ao lado. Há suspeita de que um dos dois estabelecimentos estocassem gás irregularmente.
A Defesa Civil recolheu nove botijões encontrados no meio do que sobrou das casas e do comércio.
Depoimentos
Ao longo do dia, a Polícia Civil ouviu 13 pessoas, entre elas, quatro vítimas e os dois proprietários da pizzaria. Até o fim da tarde, os donos do restaurante ao lado ainda não tinha sido ouvidos.
Mapa explosão em São Cristóvão (Foto: Editoria de arte/G1)
“Peritos do Instituto de Criminalística Carlos Ébole pretendem vistoriar o local do acidente mais uma vez. Eles vão esperar a retirada dos escombros para poder avaliar as condições do piso, tanto da pizzaria, quanto do restaurante, o que pode ajudar a revelar o ponto exato da explosão.
Uma das vítimas da explosão afirmou, em entrevista à Globo, fez reclamações contra um restaurante suspeito de guarda botijões de maneira inadequada, embora tenha destacado que não sentiu cheiro de gás.
“Só sabia que tinha botijão de gás lá no meio da cozinha. Me preocupei, tanto que eu liguei pra região administrativa, Defesa Civil, Corpo de Bombeiros”, contou José Augusto Amaral, dono de uma das lojas destruídas.
Já o dono do restaurante diz que cilindros de gás eram armazenados na pizzaria vizinha e que a esposa dele discutia com o proprietário da loja.
“Ela brigava com ele sobre isso, mas ele dizia que ela era má vizinha. Mas a gente já estava pensando em sair de lá por causa disso. Tínhamos pensado em denunciar, mas não deu tempo”, disse Valdecir Gaudino da Silva, dono do restaurante.
O dono da pizzaria esteve no local da explosão, mas não quis gravar entrevista. O filho dele, Marcelo Lopes, disse que recarga dos cilindros era feita com segurança. "É feita através de um caminhão credenciado pela prefeitura e pelo Inmetro", declarou.
Os últimos dois do oito feridos no acidente foram liberados do Hospital Municipal Souza Aguiar no fim da tarde. Outros cinco já havia tido alta e um recusou nem chegou a ser levado para a unidade.
Bombeiros trabalham nos escombros após explosão em São Cristóvão na Zona Norte do Rio (Foto: Felipe Dana/AP Photo)Bombeiros vão trabalhar nos escombros durante a madrugada (Foto: Felipe Dana/AP Photo)
Explosão na Praça Tiradentes
O acidente em São Cristóvão hoje lembrou um caso ocorrido quatro anos atrás no Centro do Rio. O vazamento de gás de cilindros armazenados irregularmente levou pelos ares o restaurante Filé Carioca, na Praça Tiradentes, deixando quatro pessoas mortas e 17 ficaram feridas.
O Ministério Público denunciou dez pessoas pelo crime de explosão qualificada, entre elas o dono do restaurante, Carlos Rogério do Amaral, o síndico do Edifício Riqueza, José Carlos do Nascimento Nogueira, e cinco funcionários da prefeitura. O processo está em fase de alegações finais na Justiça, última etapa antes da sentença.
Responsabilidade da fiscalização
O acidente na Praça Tiradentes estimulou muita gente a fazer denúncias sobre armazenamento irregular de gás. Porém, a população reclama a falta de clareza sobre que órgão deve cuidar desse tipo de fiscalização.
A Defesa Civil afirma que não é responsável por botijões de gás. “Não compete à Defesa Civil do Município fazer este tipo de fiscalização neste tipo de edificações, tanto pouco comerciais, quanto particulares. Compete, de fato, ao Corpo de Bombeiros e a Companhia Estadual de Gás, que é a concessionária deste serviço”, afirmou Marcio Motta, subsecretário de Defesa Civil.
Ao contrário do que disse o subsecretário, a CEG informou que é responsável apenas pelo fornecimento de gás encanado e não cabe a ela fiscalizar imóveis. A companhia disse também que na rua onde a aconteceu a explosão há gás encanado, mas que os donos dos imóveis não quiseram contratar o serviço.
O Corpo de Bombeiros, por sua vez, diz que tem como meta fiscalizar 40 mil imóveis comerciais por ano, mas não informou quantos foram fiscalizados este ano. Mais de 15h depois da explosão, a corporação sequer sabia informar se o restaurante e a pizzaria tinham autorização para funcionar.
Imagens mostram o local da explosão em São Cristóvão antes e depois da explosão (Foto: Reprodução/GoogleStreetView e GloboNews)Imagens mostram o local da explosão em São Cristóvão antes e depois da explosão
(Foto: Reprodução/GoogleStreetView e GloboNews)
Como denunciar
Para evitar acidentes como o de São Cristóvão, é importante denunciar qualquer suspeita de armazenamento irregular de botijões de gás ou de vazamento de gás encanado. As denúncias devem ser feitas diretamente ao Corpo de Bombeiros. A população deve ligar pra os números da ouvidoria da corporação: 0800-282-50-70 e 2334-9981.
Se a suspeita for de vazamento de gás encanado, a denúncia deve ser feita à CEG, no telefone 0800-024-77-66.
No caso de imóveis que tenham sofrido rachaduras ou algum outro dano estrutural por causa das explosões, os moradores precisam procurar a Defesa Civil Municipal, no telefone 199.

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Equipe de bombeiros busca sobreviventes em meio aos destroços da explosão em São Cristóvão, no Rio (Foto: Pilar Olivares/Reuters)Equipe de bombeiros busca sobreviventes em meio aos destroços da explosão em São Cristóvão, no Rio (Foto: Pilar Olivares/Reuters)

 
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Menina ferida em explosão no Rio tem alta e diz querer voltar à escola

'Acordei, estava sentindo dor e o guarda-roupa estava em cima de mim', diz.
Explosão em São Cristóvão deixou 8 feridos e interditou mais de 50 imóveis.

Cristina Boeckel e Daniel SilveiraDo G1 Rio
A menina Beatriz Galdino Araújo, de 9 anos, que sobreviveu a uma explosão que atingiu 50 imóveis em São Cristóvão, na Zona Norte do Rio, recebeu alta pouco antes das 18h desta segunda-feira (19), do Hospital Municipal Souza Aguiar. Sorridente, disse que quer voltar à rotina e que ficará na casa de parentes.
Beatriz foi salva ao ficar protegida dos escombros por um guarda-roupas. No total, oito pessoas ficaram feridas na explosão. Veja a cobertura completa em tempo real.
"Eu estava dormindo. Quando eu acordei, estava sentindo dor e o guarda-roupa estava em cima de mim", contou. "Penso em retornar à minha vida. Voltar à minha escola."
A menina precisou ficar em observação por cerca de 12 horas porque bateu a cabeça, mas não teve nenhuma fratura ou ferimento. Todos os exames realizados na menina não acusaram problema.
A família de Beatriz era dona do restaurante Imbueiras, que ficava ao lado de uma pizzaria onde teria ocorrido a explosão.
Manoel deixou hospital Souza Aguiar no final da tarde desta segunda-feira (19) (Foto: Cristina Boeckel/G1)Manoel deixou hospital Souza Aguiar no final da tarde desta segunda-feira (19) (Foto: Cristina Boeckel/G1)
Também deixou o hospital no fim da tarde o idoso Manoel Araújo, de 84 anos, outro que havia ficado hospitalizado. Os outros seis feridos já haviam recebido alta anteriormente.
"Lembro que gritava muito por socorro, muito, muito, muito. Quando comecei a perder o fôlego, que vi que eu ia desmaiar, chegou um bombeiro, rapaz muito delicado, e disse: 'Você tenha paciência, tenha fé em Deus, que você vai sair dessa", disse Manoel, já dentro do táxi na saída do hospitala unidade.
Mais de 50 imóveis interditados 
Até as 17h, 54 imóveis seguiam interditados na área do incidente. Segundo o subsecretário de Defesa Civil, Márcio Motta, 11 dos imóveis foram ao chão com a explosão e outros três foram demolidos devido ao risco de desabamento.
A explosão ocorreu por volta das 3h da madrugada desta segunda e foi tão forte que pode ser ouvida na região do Sumaré, a 6 km de distância do local. Ficaram destruídos totalmente 14 imóveis.
A maior parte dos imóveis atingidos fica na Rua São Luiz Gonzaga, onde ficaram espalhados pedaços de concreto, entulho e muito vidro.
A causa da explosão ainda não foi descoberta, mas os bombeiros suspeitam de vazamento de gás. A Prefeitura do Rio de Janeiro investiga se o acidente foi causado por um botijão de gás irregular em local fechado.
Foto mostra escombros após explosão (Foto: Henrique Coelho/G1 )Foto mostra escombros após explosão (Foto: Henrique Coelho/G1 )

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Tomografias revelam detalhes sobre vida dos habitantes de Pompeia

Moradores morreram devido à erupção do vulcão Vesúvio em 79 d.C.
Moldes que preservaram formato de corpos contêm ossos e dentes.

Da EFE
Molde de gesso de garoto da antiga cidade de Pompeia, destruída pela erupção do Vesúvio, é submetido a tomografia computadorizada  (Foto: Reuters/Ciro De Luca)Molde de gesso de garoto da antiga cidade de Pompeia, destruída pela erupção do Vesúvio, é submetido a tomografia computadorizada (Foto: Reuters/Ciro De Luca)
As pessoas que viviam em Pompeia há cerca de dois mil anos, que morreram devido à erupção do Vesúvio em 79 d.C., tinham dentes perfeitos, consequência de uma alimentação saudável, embora ossos frágeis devido ao excesso de flúor das águas dos mananciais em que bebiam.
Estes são os primeiros surpreendentes detalhes divulgados sobre uma pesquisa sem precedentes, que submeteu a tomografias computadorizadas 30 restos mortais encontrados nas escavações de Pompeia que ficaram conservados em moldes de gesso.
Como se formaram os moldes de gesso?
Pesquisadores preparam molde de gesso de garoto de Pompeia para ser submetido a tomografia computadorizada  (Foto: Reuters/Ciro De Luca)Pesquisadores preparam molde de gesso de garoto de Pompeia para ser submetido a tomografia computadorizada (Foto: Reuters/Ciro De Luca)
Com a erupção do Vesúvio, as cinzas que caíram sobre Pompeia cobriram os corpos das vítimas. Com o tempo, essa cobertura formada por cinzas e rochas se solidificou. O  material orgânico se decompôs, mas o espaço oco no meio das rochas preservou os formatos dos corpos.
Conforme encontrava esses "vazios" em formato de corpos, os arqueólogos preenchiam esse espaço com gesso para preservar o formato exato dos habitantes de Pompeia. Mas esse material continha também restos de esqueletos e dentes bem preservados.
Essa técnica de preenchimento dos ocos nas rochas para obtenção de moldes foi desenvolvida pelo arqueólogo italiano Giuseppe Fiorelli, que coordenou as excavações de Pompeia no século 19.
Entenda a pesquisa
Molde de gesso de vítima de Pompeia: cientistas submeteram restos a tomografia computadorizada para analisar restos mortais, como ossos e dentes, em meio ao gesso  (Foto: Reuters/Alessandro Bianchi)Molde de gesso de vítima de Pompeia: cientistas submeteram restos a tomografia computadorizada para analisar restos mortais, como ossos e dentes, em meio ao gesso (Foto: Reuters/Alessandro Bianchi)
O projeto começou em agosto, com a restauração de alguns dos moldes de Pompeia, mas arqueólogos, antropólogos, radiologistas, dentistas e engenheiros especialistas em scanner se concentraram em 30 desses deles.
As tomografias foram feitas nos moldes de gesso que permitiu aos pesquisadores conhecer detalhes das vidas, costumes, ocupação e classe social desses habitantes.
Os primeiros resultados determinaram que a maioria dos moradores de Pompeia tinha dentes saudáveis graças a uma alimentação saudável, com pouco açúcar. Em algumas das arcadas dentárias é possível observar imperfeições que indicam que morador utilizava os dentes para cortar.
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 Restos morais, como ossos e dentes, ficaram bem conservados em meio ao gesso que preservou o formato dos corpos dos moradores de Pompeia  (Foto: Reuters/Alessandro Bianchi)Restos morais, como ossos e dentes, ficaram bem conservados em meio ao gesso que preservou o formato dos corpos dos moradores de Pompeia (Foto: Reuters/Alessandro Bianchi)
As primeiras análises em um homem revelaram também um problema nos ossos devido à excessiva presença de flúor nas barras aqüíferas vesuvianas.
Fumante de cachimbo ou tocador de flauta?
As análises acabam de começar, mas os responsáveis do projeto explicaram que estes exames são capaz de reconhecer, além de dados básicos, como idade e sexo, também se era "um fumante de cachimbo, um músico que tocava flauta, assim como a origem geográfica e a condição sócio-econômica".
A equipe usa um equipamento de tomografia computadorizada de 16 cortes capaz de fazer um exame de todo o corpo em 100 segundos.
O grande problema é "a densidade do gesso utilizado, pois é muito parecida com a densidade dos ossos, e por isso foi necessário recorrer à alta tecnologia", explicou hoje o superintendente de Bens Culturais de Pompeia, Massimo Osanna.
Montagem mostra tomografia computadorizada de garoto que devia ter 4 anos quando morreu devido à erupção do Vesúvio em Pompeia  (Foto: Ercolano e Stabia/Handout via Reuters)Montagem mostra tomografia computadorizada de garoto que devia ter 4 anos quando morreu devido à erupção do Vesúvio em Pompeia (Foto: Ercolano e Stabia/Handout via Reuters)

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