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quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Trabalhador demitido por aparentar embriaguez reverte decisão na Justiça

Por iG São Paulo  - Atualizada às 
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Para Justiça, atitude do empregador foi desproporcional porque levou a uma demissão sem antes fazer advertências

Justiça achou ação de empresa desproporcional
SXC
Justiça achou ação de empresa desproporcional
O Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região reverteu a demissão por justa causa de um ex-funcionário da C.S.E. - Mecânica e Instrumentação que havia sido demitido por aparentar embriaguez no trabalho. 
Na reclamação trabalhista ele afirmou que ficou quatro meses sem receber salário, quando finalmente foi dispensado por justa causa. Em defesa, a empresa alegou que o trabalhador já havia ficado embriagado outras vezes no serviço e que tal situação, por ser o local de alta periculosidade e de interesse da defesa nacional, é fundamento suficiente para a justa causa aplicada.
Segundo o processo, o trabalhador foi contratado como supervisor de movimentação de cargas em plataformas de petróleo e demitido dois anos depois sob a justificativa de que se apresentou "consideravelmente embriagado" para o serviço.
Na empresa, prestadora de serviços terceirizados para empresas como Petrobras e Odebrecht, o trabalhador atuava nas áreas de construção, montagem, manutenção e permanecia em alto mar em escalas de plantão de 14 dias em plataforma marítima de exploração de petróleo. Em um dos seus retornos para a plataforma, foi impedido de entrar no helicóptero da empresa sob a alegação de estar alcoolizado.

No primeiro julgamento, o juiz avaliou que apesar de alegar ter havido outro episódio de embriaguez, o supervisor não foi sofreu nenhuma sanção da empresa e que quando isso ocorreu foi em forma de demissão – o que o masgistrado entendeu ser uma conduta desproporcional da empresa, já que antes não havia tido nenhuma advertência.
A empresa alegava que não precisava impor penalidades graduais por acreditar que trabalhar embriagado se trata de falta grave. O empregador alegou ainda que o empregado tinha pleno conhecimento de que se chegasse embriagado para serviço, seria demitido por justa causa.

Diante desses argumentos, os desembargadores do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região mantiveram a sentença, de reversão de justa causa, em favor do empregado, e ainda reforçaram que se era a segunda vez que o empregado comparecia ao trabalho embriagado, seria o caso de ser encaminhado para tratamento, dada a possibilidade de ser portador de alguma doença.

O desembargador convocado André Genn de Assunção Barros, relator do recurso da empresa ao TST, disse que a avaliação da "falta grave", como argumentou a CSE, teria que passar pelo conhecimento do grau de embriaguez do trabalhador, ou mesmo se ele apresentava apenas cheiro de álcool, por exemplo, o que não estava declarado nos autos.

Para Barros, seria preciso analisar as provas do processo, procedimento vedado pela Súmula 126 do TST, para se confirmar a alegação da empresa de que o autor se apresentou "consideravelmente embriagado" no dia do embarque, a ponto de ficar impedido de prestar serviços. O voto do relator foi acompanhado por unanimidade na 7ª Turma.
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    "Estávamos preparados para assédio", diz pai de Valentina do "MasterChef Junior"

    Por Patrícia Moraes , editora-executiva de lifestyle *
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    Valentina, de 12 anos, chegou aos trending topics do Twitter, e foi mencionada em comentários pédofilos. Apesar de preparados para o sucesso da menina, os pais ficaram surpresos: "Não esperava tarados"

    O assédio em torno de Valentina, de 12 anos, após a estreia de "MasterChef Junior", na Band, levantou algumas questões sobre a exposição de menores de idade na TV: como lidar com os comentários nas redes sociais, agir em relação a eles e explicar para as crianças assuntos como pedofilia, bullying e tantos outros.
    Vinte crianças participam do 'MasterChef Júnior', na Band
    Divulgação
    Vinte crianças participam do 'MasterChef Júnior', na Band

    Cecília Zylberstajn, psicóloga, psicodramatista e psicoterapeuta pela PUC-SP, explica que, em casos semelhantes, todo cuidado é pouco. “Quando a criança é exposta nas mídias dessa forma não se pensa nos riscos e é difícil imaginar que algo assim pode acontecer. A internet virou diário e as pessoas acham que podem falar o que querem, qualquer coisa é só apagar depois. Se esse acontecimento chega até a criança, ela pode ter uma série de reações difíceis de prever, é parecido com aquelas que sofrem bullying, elas podem entrar em depressão, ter crises de ansiedade ou menosvalia".
    Estávamos preparados para o assédio e as consequências possíveis, mas não imaginávamos encontrar tarados. Teve gente que pediu que ela mandasse foto nua"
    Torcida por Valentina
    Durante o programa, inúmeros tuítes relacionados a Valentina surpreenderam a menina, como "você é linda" e "estamos torcendo por você". A hashtag #timevalentina chegou a ser um dos assuntos mais comentados no Twitter.
    "Ela respondeu a todos, ficou feliz com a torcida e por ter chegado aos trending topics logo na estreia", contou Alexandre, pai da participante, ao iG Delas, nesta quarta-feira (21). "Estamos muito felizes porque ela tem jeito para cozinha e está adorando essa repercussão boa, aparecer no jornal", completa ele.
    Posicionamento da emissora
    Na noite desta quarta-feira, a Band, por meio de sua assessoria de imprensa, informou que "repudia e lamenta" o que classificou como "manifestações de extremo mau gosto". Veja o comunicado na íntegra:
    "A Band repudia e lamenta essas desagradáveis manifestações de extremo mau gosto. O foco do programa é o talento das crianças, e nem de longe, há qualquer provocação a esse tipo de estímulo."
    Erick Jacquin auxilia Valentina no MasterChef Junior
    Carol Gherardi/Band
    Erick Jacquin auxilia Valentina no MasterChef Junior
    Pais de atitude
    Alguns outros comentários, no entanto, foram blindados pela família, que decidiu poupá-la dos conteúdos criminosos, por exemplo. Apesar de ter psicólogos à disposição para orientações oferecidos pela emissora, os pais decidiram sozinhos como agiriam nessas circunstâncias. "A gente já tinha chamado uma pessoa para tomar conta do Twitter dela porque estávamos preparados para o assédio e as consequências possíveis, mas não imaginávamos encontrar tarados. Teve gente que pediu que ela mandasse foto nua", mostra-se surpreso o publicitário. Segundo Alexandre, a menina é poupada desses pedidos. "Ela só vê o que a gente permite. Os outros conteúdos são responsabilidade dessa outra pessoa, que bloqueia esses usuários imediatamente. Valetina não está sendo afetada", garante o pai.
    Valentina despertou torcida e elogios nas redes. Foto: Reprodução
    Internautas se revoltaram com os comentários. Foto: Reprodução
    Comentários pedófilos foram feitos em relação a uma participante do 'MasterChef Junior' no twitter. Foto: Reprodução
    Comentários pedófilos foram feitos em relação a uma participante do 'MasterChef Junior' no twitter. Foto: Reprodução
    Comentários pedófilos foram feitos em relação a uma participante do 'MasterChef Junior' no twitter. Foto: Reprodução
    Comentários pedófilos foram feitos em relação a uma participante do 'MasterChef Junior' no twitter. Foto: Reprodução
    Comentários pedófilos foram feitos em relação a uma participante do 'MasterChef Junior' no twitter. Foto: Reprodução
    Comentários pedófilos foram feitos em relação a uma participante do 'MasterChef Junior' no twitter. Foto: Reprodução
    Comentários pedófilos foram feitos em relação a uma participante do 'MasterChef Junior' no twitter. Foto: Reprodução
    Comentários pedófilos foram feitos em relação a uma participante do 'MasterChef Junior' no twitter. Foto: Reprodução
    Valentina despertou torcida e elogios nas redes. Foto: Reprodução
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    Os pais da chef mirim tomaram, por enquanto, a decisão de não acionar judicialmente ninguém. "A gente até pensou que, logo mais, vão surgir haters (odiadores) torcendo por outros participantes. O programa está no começo e, até o momento, estamos controlando isso", diz Alexandre. Muitos internautas se revoltaram e usaram as redes também para denunciar e debater o assunto.
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    Quando é hora de denunciar?
    Para a psicóloga, o problema pode sair do controle e precisa ser exposto e denunciado para que haja alguma possibilidade de mudança. “Os pais tem que fazer o que é cabível judicialmente, algo que alguém faz contra a gente não pode ser desfeito, mas pode ser cobrado. Com essa atitude, de alguma maneira, o sentimento de estar indefeso e inútil passa a ser um sentimento de justiça feita. As pessoas não pensam antes de fazer qualquer comentário na internet, acham que o máximo que pode acontecer é ter que excluir o comentário e não é bem assim. Precisamos, como sociedade, abrir um espaço para discussão desse tipo de assunto para tentar evitar que situações como essas continuem acontecendo”.
    Riscos da internet
    "A internet abre muitas portas para as redes de pedofilia. Os pedófilos se valem de um pseudoanonimato para instigar esse tipo de conduta. A internet encoraja a pessoa a falar, instiga a escrever o que se passa na cabeça. Mesmo quem não tem o perfil de pedófilo e não tem a intenção de fato de praticar o crime, é culpado pela maneira que se manisfesta e isso se eterniza. Dizer que não sabia que (escrever comentários com teor de pedofilia) era crime é irrelevante. É crime e há punição", diz a advogada Alessandra Borelli, diretora da Nethics Educação Digital.
    O grande inimigo da segurança na rede, de acordo com o especialista, é o anonimato
    Thinkstock/Getty Images
    O grande inimigo da segurança na rede, de acordo com o especialista, é o anonimato
    Atenção
    Segundo o artigo 241-D do Estatuto da Criança e do Adolescente, aliciar, assediar, instigar ou constranger, por qualquer meio de comunicação, criança, com o fim de com ela praticar ato libidinoso dá pena de um a três anos de reclusão mais multa.
    Dra. Alessandra orienta como deve ser feita a denúncia: "Preserve as provas, fazendo ata notarial do conteúdo da internet, procure ajuda de um advogado especialista no assunto ou uma delegacia especializada em crimes digitais. O advogado é mais ágil e vai conseguir o IP daquele comentário e com esse número é possível chegar ao autor."
    "Daqui a meses, isso vai ser passado"
    Alexandre complementa que partiu da filha, "vaidosa e que não gosta de cozinhar coisas convencionais como arroz e feijão", participar de um reality show na televisão. Por isso, os pais dão apoio apesar de tamanha exposição. "Ela faz teatro, ginástica olímpica e tem facilidade para cozinhar. A estimulamos a fazer tudo que ela tem vontade e sabemos que, como ela ainda é criança, esse programa vai ser só mais uma experiência no meio de tantas outras na vida dela. Daqui a meses, isso vai ser passado", acredita. 
    *Colaboraram Luciana Franca e Larissa Sant'Anna
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