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terça-feira, 29 de março de 2016

Festival da Cidade celebra 467 anos de Salvador; confira programação

Exposições, shows, espetáculos e intervenções artísticas estão na grade.
Atividades começaram no domingo (27) e vão até próximo dia 3 de abril.

Do G1 BA
matéria verão salvador (Foto: Egi Santana)Festival da Cidade vai celebrar 467 anos de Salvador (Foto: Egi Santana)
Cerca de 2 mil artistas, 100 eventos e seis palcos compõem a 4ª edição do Festival da Cidade, que celebra os 467 anos de Salvador. A série de atividades culturais e de entretenimento começou no domingo (27), com espetáculos teatrais e declamação de poesias na praça. Com uma extensa e diversificada programação, o Festival da Cidade vai até o próximo dia 3 de abril.
O evento toma conta dos espaços públicos nos quatro cantos da cidade, levando ao soteropolitano e turista o melhor da música, teatro, dança, poesia, fotografia, gastronomia, feiras, artesanatos, esportes e muito mais. O Festival tem como ponto alto o show de Caetano Veloso e Gilberto Gil, que será realizado no Farol da Barra.
Além disso, Salvador vai receber o maior evento de vôlei amador do mundo - o Super Sacada, apresentações do grupo de dança com maior número de seguidores do Brasil - o Fit Dance, shows orquestrados com três grandes maestros cantando músicas que lembram à cidade, entre dezenas de outras ações. Veja a programação completa do Festival da Cidade:
Segunda-feira (28)
09 - 17h (seg a sex) - 5ª edição da Artexpo de Intercâmbio Cultural Salvador 
Casa do Benin – Pelourinho
09 - 17h (seg a sex) - Exposição de fotografias "Salvador ontem e hoje" 
Biblioteca Municipal Edgard Santos – Ribeira
14 - 18h - O Eclipse – Oficina de Teatro Col. Carlos Correia de Menezes Santana II
Nordeste de Amaralina
Dia todo - Pé de Poesia - Exposição de Poesias 
Praça da Piedade, Praça do Campo Grande, Largo 2 de julho, Praça da Sé
Terça-feira (29)
09h - 12h - Curso de Dança Afro - Aula aberta para jovens da comunidade do Pelô 
Casa do Benin – Pelourinho
9h - 12h / 14h - 17h - Poesia em Trânsito - Intervenção Poética 
Ônibus de Cajazeiras
09 - 17h (seg a sex) - 5ª edição da Artexpo de Intercâmbio Cultural Salvador 
Casa do Benin – Pelourinho
09 - 17h (seg a sex) - Exposição de fotografias "Salvador ontem e hoje" 
Biblioteca Municipal Edgard Santos – Ribeira
14h - 18h - O Eclipse – Oficina de Teatro Col. Carlos Correia de Menezes Santana II
Nordeste de Amaralina
15h - Poesia em Trânsito - Recital Poético 
Escola em Cajazeiras
17h - Salvador canta parabéns 
Praça Municipal - Centro Histórico
19h - Teatro: Maloquêro - Sobrevivente das ruas - Edital Arte Todo Dia 
Espaço Cultural da Barroquinha
19h - Nós, por acaso - Recital de Poesia 
Centro Cultural Bom Bocado - Engenho Velho da Federação
20h - Aula de capoeira - Apresentação e aula de capoeira 
Casa do Benin – Pelourinho
20h - Espaço cultural itinerante – Espetáculo circense 
Teatro Sesc Senac - Pelourinho
Dia todo - Pé de Poesia - Exposição de Poesias 
Praça da Piedade, Praça do Campo Grande, Largo 2 de julho, Praça da Sé
Quarta-feira (30)
09 - 17h (seg a sex) - 5ª edição da Artexpo de Intercâmbio Cultural Salvador 
Casa do Benin – Pelourinho
13h - Abertura do Projeto A Casa vai a Escola 
Escola Professora Anfrísia Santiago
09 - 17h (seg a sex) - Exposição de fotografias "Salvador ontem e hoje" 
Biblioteca Municipal Edgard Santos – Ribeira
14h - 18h - O Eclipse – Oficina de Teatro Col. Carlos Correia de Menezes Santana II
Nordeste de Amaralina
15h - Poesia em Trânsito - Recital Poético 
Escola em Cajazeiras
15 - 19h - Teatro: Maloquêro - Sobrevivente das ruas - Edital Arte Todo Dia 
Espaço Cultural da Barroquinha
19h - Ensaio Aberto da Afrosinfônica 
Casa do Benin – Pelourinho
20h - Espaço Cultural Itinerante – Espetáculo circense 
Teatro Sesc Senac - Pelourinho
Dia todo - Pé de Poesia - Exposição de Poesias 
Praça da Piedade, Praça do Campo Grande, Largo 2 de julho, Praça da Sé
Quinta-feira (31)
09 - 17h (seg a sex) - 5ª Edição da Artexpo de Intercâmbio Cultural Salvador 
Casa do Benin – Pelourinho
09 - 17h (seg a sex) - Exposição de fotografias "Salvador ontem e hoje" 
Biblioteca Municipal Edgard Santos – Ribeira
9h às 12h / 14h às 17h - Poesia em Trânsito - Intervenção poética 
Ônibus de Cajazeiras
14h - 17h - Curso de Bordado Barafunda 
Casa do Benin – Pelourinho
14h às 18h - O Eclipse – Oficina de Teatro Col. Carlos Correia de Menezes Santana II
Nordeste de Amaralina
17h - TaII Busking
Show Praça da Soledade
18h - Nós, Por Acaso - Recital de Poesia
Escola de Educação da UFBA - Vale do Canela
19h - Aloísio Menezes 
Largo da Mariquita - Rio Vermelho
19h - Teatro: Maloquêro - Sobrevivente das Ruas - Edital Arte Todo Dia 
Espaço Cultural da Barroquinha
20h - Juliana Ribeiro 
Largo da Mariquita - Rio Vermelho
20h - Apresentação e aula de capoeira 
Casa do Benin – Pelourinho
20h - Espaço Cultural Itinerante – Espetáculo circense 
Teatro Sesc Senac - Pelourinho
Dia todo - Pé de Poesia - Exposição de Poesias 
Praça da Piedade, Praça do Campo Grande, Largo 2 de julho, Praça da Sé
Sexta-feira (1º)
9h às 12h / 14h às 17h - Poesia em Trânsito - Intervenção Poética 
Estação Mussurunga
09 às 17h (seg a sex) - 5ª Edição da Artexpo de Intercâmbio Cultural Salvador 
Casa do Benin – Pelourinho
09 - 17h (seg a sex) - Exposição de fotografias “Salvador ontem e hoje" 
Biblioteca Municipal Edgard Santos – Ribeira
17h - TaII Busking - Show
Praça da Soledade
18h - Show Orquestrado Canta Salvador (Maestros Fred Dantas, Paulo Primo e Zeca Freitas) 
Largo da Mariquita - Rio Vermelho
18h - Street Dance com a banda CBX Samba Clube 
Praça Dodô e Osmar - Ribeira
19h - Malê Debalê 
Praça São Tomé de Paripe
19:30h - Rumpilezz 
Praça Dodô e Osmar – Ribeira
20h - Espaço Cultural Itinerante – Espetáculo Circense 
Teatro Sesc Senac – Pelourinho
20h30 - Oito7Nove4 
Praça São Tomé de Paripe
20h30 - Márcio Melo 
Largo da Mariquita - Rio Vermelho
21h – Chiclete –
Praça Dodô e Osmar - Ribeira
Dia todo - Pé de Poesia - Exposição de Poesias 
Praça da Piedade, Praça do Campo Grande, Largo 2 de julho, Praça da Sé
Sábado (2)
06h - Início da Virada Ciclística 36h 
Avenida Magalhães Neto
07h - 16h - Projeto Super Sacada 
Praia do Jardim de Alah
10h - Fit Dance 
Largo de Santa Maria – Barra
10h e 17h - O Palhaço e a Bailarina 
Praça de Cajazeiras
16h - Viapalco em Movimento
Praça Pedra Dourada – Lobato
16h - Poesia em Trânsito – Sarau de Poesia
Praça de Cajazeiras
16h - Espetáculo Infantil Paco e o Tempo, da mostra Braskem de Teatro 
Teatro Gregório de Mattos
16h - Jammil e Uma Noites 
Praia do Jardim de Alah
16h30 - Concentração Passeio Ciclístico Night Bike
Avenida Magalhães Neto
18h - Fit Dance 
Praça Dorival Caymmi – Itapuã
19h - Espetáculo Boca a Boca: Um palco para Gregório 
Largo da Mariquita - Rio Vermelho
19h30 - Jorge Zarath - Praça Dorival Caymmi – Itapuã
20h - Gil e Caetano - Largo do Farol da Barra
20h - Luciano Calazans 
Largo da Mariquita - Rio Vermelho
20h - Espaço Cultural Itinerante – Espetáculo circense 
Teatro Sesc Senac – Pelourinho
21h - Nelson Rufino 
Praça Dorival Caymmi - Itapuã
Dia todo - Pé de Poesia - Exposição de Poesias 
Praça da Piedade, Praça do Campo Grande, Largo 2 de julho, Praça da Sé
Condicionado ao fechamento das turmas - Imagem e Empoderamento - Oficina de fotografia 
Fazenda Coutos 3 - Subúrbio Ferroviário
  
Gastronomia
 
10 - 20h - Feira da Cidade Especial 
Avenida Centenário
11 - 19h - Boa Praça 
Praça Ana Lúcia Magalhães – Pituba
12 - 20h - Food Park 
Jardim de Alah
Domingo (3)
10h e 17h - O palhaço e a bailarina 
Praça de Cajazeiras
11h - Volta com Alavontê 
Dique do Tororó
14h às 18h - #Ocupalajes – Intervenção 
Comunidade de Tubarão
16h - Alinne Rosa 
Deck do Rio Vermelho
16h - Espetáculo Infantil Paco e o Tempo, da mostra Braskem de Teatro 
Teatro Gregório de Mattos
16h - Coreto de choro 
Pedra Dourada – Lobato
16h - Viapalco em Movimento 
Praça Pedra Dourada – Lobato
Dia todo - Pé de Poesia - Exposição de Poesias 
Praça da Piedade, Praça do Campo Grande, Largo 2 de julho, Praça da Sé
  
Gastronomia
 
09 - 19h - Boa Praça 
Praça Ana Lúcia Magalhães – Pituba
10 - 20h - Feira da Cidade Especial 
Avenida Centenário
12 - 20h - Food Park 
Jardim de Alah

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CORREIO revisita 10 locais citados em obra de Jorge Amado para achar novos personagens

De Itapuã aos Alagados, da Ladeira do Taboão ao Corredor da Vitória, a cidade continua cheia de história para contar
Thais Borges (thais.borges@redebahia.com.br)
Atualizado em 29/03/2016 07:06:01
  
Talvez ninguém tenha entendido tanto Salvador quanto Jorge Amado. Ali era barril, pai. Prova disso é o livro Bahia de Todos os Santos: Guia de Ruas e Mistérios, publicado pela primeira vez em 1945, no melhor estilo crônica da vida real soteropolitana, com sua gente brocadora e seus lugares que tanto representam a cultura e a rotina do povo. Para quê melhor? 
Pois, se Jorge definiu baianidade, o CORREIO voltou atrás de 10 dos lugares descritos pelo homem no livro que é o guia da Bahia, só para ver se eles ainda continuam cheios de graça e são a cara de Salvador mesmo, como o escritor, que nos deixou em 2001, acreditava. 
1. Pelourinho 
Pode ter quem pergunte: ainda tem graça botar o Pelourinho numa lista sobre Salvador? Mas repare... motivo para isso deve ter, né? Armengue que não é. Jorge dizia que o Pelourinho era o “coração da vida popular baiana”. Tem o Terreiro de Jesus, o Paço, o Carmo... E o próprio Largo do Pelourinho. 
É nesse último que as pedras do calçamento contam cada história... Amado diz que muito sangue correu sobre elas, tanto que o tempo não conseguiu levar embora. “Por aqui, passa a vida inteira da Bahia, sua humanidade, a melhor e a mais sofrida”, escreveu. No meio disso tudo, duas igrejas assistem a tudo que acontece, na cocó: a do Rosário dos Pretos e a do Paço. 
De hoooje que é assim... Só que, hoje mesmo, ao invés de escravos sendo castigados, há turistas e guias que passam a torto e a direita por ali, contando causos. “O Pelourinho ainda é o primeiro lugar, nos procurados dos turistas. Tem gente que diz 'eu não acredito que estou no Pelourinho'. As pessoas se emocionam ainda nos dias de hoje”, conta a presidente do Sindicato dos Guias de Turismo (Singtur), Silvana Rós. 
Seja lá como for, Jorge estava certo. O Pelourinho ainda tem de um tudo – da baiana de acarajé ao fazedor de atabaque, do artesão ao capoeirista, do turista gringo ao esmoler. E, aqui para nós, continua sendo o coração da vida popular.  
Ladeira do Taboão (Foto: Marina Silva)
2. Ladeira do Taboão 
Beleza não é lá o forte do Taboão. Jorge já dizia que ali era cheio de escadas escuras, “de onde chega um bafo de bolor, de coisas velhas e sujas, de urina, de falta de limpeza”. É verdade... Mas o Taboão tem sua graça. O Taboão – seja chamado de Ladeira do Taboão ou de Rua do Tabão – é dono de um comércio forte, que não podia ter encontrado casa melhor: lojas de couro, material para estofados, loja de tecidos... 
No meio disso, um formigueiro de gente subia e descia, anotou Jorge. O comerciante José Augusto César está lá há 48 anos – hoje, na Mercouro, mas, ao longo da vida, já passou por outras três. “Mas antes, aqui, se abrisse até domingo, feriado, vendia. Agora, até em dia de semana, não é tanto”, lamenta. 
O arerê de gente diminuiu, em 2016, mas ainda tem gente que vive nesse sobe e desce. Gente que, como a contadora Cleudes Borges, 54 anos, “só compra no Taboão”. Só de estar lá, ela já sente baianidade. “Estava vendo que o pessoal não traz turista para o Taboão, mas é uma pena. Aqui é totalmente baianidade. Só precisava ser mais preservado”, queixa-se.  
Corredor da Vitória (Foto: Marina Silva)
3. Corredor da Vitória
Rua de barão, mas que também tem espaço para quem não tem tanto tutu assim. É mesmo uma das mais belas ruas do Brasil, dizia o escritor. “Transforma-se em incrível e hostil floresta de arranha-céus, de brutal cimento armado”. 
Jorge Amado era tão massa que conseguiu prever que os grandes solares, que antes tomavam conta da avenida, seriam comidos pela especulação imobiliária. “Meu pai e minha mãe contam como eram os casarões na década de 1960, que tocava o sino no portão e você ia caminhando até a casa. Acho que na época do livro, ainda havia mais baianidade, porque baianidade é regional. Acho que aqui, ela está nos museus, porque, na arquitetura mesmo, como previa Jorge Amado, perdeu identidade”, opina o professor Evandro Ramos, 39, estudante do Instituto Goethe, ali no Corredor. 
Mas Jorge apostou que a maioria desapareceria, ficando só o que abriga o Museu Costa Pinto. Jorge não era pouca merda, não, mas não era Deus. O Solar Cunha Guedes continua lá também, entre um e outro solar perdido. 
Rampa do Mercado Modelo (Foto: Marina Silva)
4. A Rampa do Mercado
“Um dos lugares mais fascinantes do mundo. Ali arribam os saveiros vindos de Itaparica e do Recôncavo, carregados de frutas”, contava Jorge, sobre a rampa que ficava ao lado do antigo Mercado Modelo. Mas acabou o milho, acabou a pipoca, acabaram-se os saveiros trazendo uma renca de frutas de lugares como Maragogipe e da Ilha de Itaparica e que seriam distribuídas nas feirinhas nos bairros. “A manga era a melhor, principalmente a espada”, lembra o comerciante Manuel Salvador, 62. 
Hoje, só pescadores puxam, na rampa, as redes com os peixes que pescam ali na área do Comércio. Desde 1964, Manuel, mais conhecido como Barbudo, é um desses pescadores. E “esses” são cada vez menos, viu? “Você via mais de 100 homens aqui antes. Agora, só tem eu e um ou outro. Tá se perdendo. Quem viu, viu. Quem não viu, não vai ver mais”. Ainda assim, a rampa vai ser sempre uma marca de Salvador. “A baianidade também é isso aqui, porque a pescaria é arte”. 
Rua Chile (Foto: Marina Silva)
5. Rua Chile
Se os barões viviam no Corredor da Vitória, era na Rua Chile que faziam compras. E passeavam, olhavam vitrines, tomavam um chá das cinco... Ficavam até competindo pra ver quem se amostrava mais. Mas não eram só eles, não. Todo mundo ia para lá. Até quem não tem tanta bufunfa no banco assim. “O turista deseja encontrar alguém na Bahia e não possui o seu endereço? Deve ir à Rua Chile às cinco horas da tarde e com certeza encontrará a pessoa que procura”, garantia Jorge Amado. 
Onde hoje fica a Fotocolor, especializada em produtos para fotografia, ficava a Confeitaria Chile. “Às 17h, as senhoras vinham com maridos, empresários, políticos, fazendeiros, para o chá das cinco”, conta o proprietário, Mário Ferreira Filho, 66, listando outras importantes lojas da época, como as de departamento Sloper e Duas Américas. “Era a rua mais famosa da cidade até os anos 1980, porque não existiam os shoppings”. 
Grandes hotéis, como o tradicional Palace Hotel, dominavam. Esse, por sinal, deve voltar a funcionar no final do semestre, depois de dez anos fechado, com o novo nome de Fera Palace Hotel. O Colonial Chile é um dos que resiste até hoje. 
“Aqui, agora é mais uma rua comercial do que turística, que é o que deveria ser. Fim da tarde, começa a fechar tudo. Quando dá 19h, você já vê uma coisa totalmente morta. Para um hotel, é muito ruim, porque os”, diz a governanta do estabelecimento, Rosângela Esteves, 47, que diz que, apesar disso, a taxa de ocupação é boa. No dia em que conversou com o CORREIO, 32 dos 33 quartos tinham hóspedes. O recepcionista Jameson Cerqueira, 30, faz coro: “Aqui precisa se revitalizar, porque a baianidade da Rua Chile é estar perto de onde começou o Brasil”. 
6. Orla Marítima
“A cidade se estende no sentido das praias, cresce na orla marítima, hoje plena de restaurantes, boates, clubes, bares e, belas, magníficas residências”. Se isso era verdade em 1977, não podia ser mais certo em 2016. No Rio Vermelho, onde Jorge Amado escolheu para viver com a família, então...
Se você quer dançar, comer água ou comer comida de fato, talvez não tenha lugar melhor. “Rio Vermelho tem vida, tem movimento de segunda a segunda”, comemora o técnico em Enfermagem Romilson Luiz, 45, que vive lá desde que nasceu e faz parte da Colônia de Pescadores Z1.
Muito da baianidade do bairro, para ele, é culpa do próprio Jorge. “Jorge Amado fez com que as pessoas de fora buscassem o Rio Vermelho. Quando você tá num local e diz que é bom, num tem que num queira vir provar se é bom, né?”. 
Itapuã (Foto: Evandro Veiga)
7. Itapuã
Itapuã mereceu bem mais que uma tarde do tempo de Jorge Amado. Não só dele, claro, como de Dorival Caymmi e de Vinicius de Moraes, “que gostava de beber um uísque na praça” que leva o nome do outro. Na época, também era lugar de barão morar. Era tanto que Jorge– que teve até casa na Pedra do Sal – até entrava no debate: quem era o soberano de Itapuã? 
Pois, hoje, o povo não tem dúvida. São os três mesmo, rapaz. “Jorge Amado! É ele que nos inspira”, diz a monitora de informática Iranilde Reis, 36. Ela perde até a conta de quantas vezes por semana sai do Bairro da Paz para aproveitar a paisagem de Itapuã. “E hoje tô aqui de novo, com minha irmã, para desfrutar um pouquinho de tudo isso que simboliza a baianidade”. 
A vendedora ambulante Lene Bispo, 45, mora em Itapuã há apenas 11 meses, vinda de São Sebastião do Passé, mas também já botou moral e elegeu os soberanos do bairro também. Primeiro, Caymmi, que dá nome à praça onde ela botou seu ponto de venda de lanches. “Vinicius e Jorge Amado também. Tudo aqui é eles, menina. Os meninos chegam pra beijar aquela careca (o busto do cantor), abraçar, tirar foto. Eles que são os soberanos de Itapuã”, diz ela. Pois, se o povo diz... Tá dito. 
Lagoa do Abaeté (Foto: Evandro Veiga)
8. Lagoa do Abaeté
A lagoa escura toda arrodeada de areia branca já não é um dos pontos turísticos mais frequentados da cidade ‘dos tempos’. Mas ela ainda é bela em qualquer hora do dia ou da noite, como dizia o escritor. “Ali reside Euá, orixá de águas aparentemente mansas, em verdade perigosas”. 
E ainda representa Salvador, representa a Bahia. Pelo menos, é nisso que acreditam as irmãs Valdelice, 57, e Maria Isabel Paixão, 45, ambas técnicas em modelagem. “Pode até ter decaído, mas isso não muda. Uma vez príncipe, nunca perde a majestade”, garantiam. É, talvez a soberana de Itapuã seja ela, a Lagoa... 
Alagados (Foto: Arisson Marinho)
9. Os Alagados
A paisagem conhecida por Jorge Amado mudou um pouco. “Com o lixo, com a lama e com a necessidade de habitar, com sua capacidade de viver, de se sobrepor à morte, o povo constrói bairros inteiros, ergue suas casas na terra ou no mar”, escreveu. 
Hoje, não há mais palafitas. Em janeiro do ano passado, um incêndio destruiu cerca de 100 moradias na comunidade da Mangueira – as únicas que sobravam. “Hoje eu digo que tô na nova Orla, acho que isso aqui é um paraíso comparado”, diz a comerciante Maria Luiza Pereira, 55 anos. De fato, agora ela tem uma casa de tijolos e até uma vendinha de bebidas. Não que a vida agora não tenha esparro – pelo contrário. 
Mas, hoje, o operador de gás Edson de Jesus, 47, que também cresceu numa casa em palafitas, comemora o fato de ter alguns direitos básicos, como água, luz, saneamento básico e serviços no bairro. “Tem até wi-fi. Hoje, pelo menos a gente vive num lugar plano, não em encosta. Os ônibus chegam, tem mercadinho, tem tudo. A violência existe em todo lugar hoje. Poderia ser melhor, mas o progresso chegou. Pegar tempestade numa casa de palafitas é descomunal, é um desespero”. 
Só este mês, mais de 100 pessoas receberam unidades do programa Casa da Gente, do governo do estado, no local. Além disso, obras na Avenida Suburbana, realizadas pela prefeitura desde o ano passado, melhoraram a mudança na região. 
Baixa dos Sapateiros (Foto: Mariana Silva)
10. Baixa dos Sapateiros 
Ninguém tem ‘ozadia’ de chamar esse lugar por seu nome de batismo: Rua José Joaquim Seabra, que homenageia o político baiano morto em 1942. “É a Baixa dos Sapateiros, a Baixinha como o povo a trata com familiaridade”, dizia Jorge Amado. 
Nunca foi lugar de barão: era o contrário da Rua Chile, na época de Jorge, e, hoje, continua sendo o oposto dos grandes shoppings cheios de marcas. Mas nada que desencoraje a design thinker Phaedra Brasil, 45, que adora garimpar por ali. “Muitas pessoas acreditam que o local é uma poluição visual, mas nós não nascemos Shopping Center, nós viemos de Água de Meninos. Quem por lá transita se vê, se reconhece e se encontra bem representado na estética da Baixa dos Sapateiros”, comenta. 
GLOSSÁRIO
Arerê- Confusão
Armengue – Improviso, gambiarra; pessoa feia ou mal ajambrada
Barão – Gente rica
Barril – Situação arriscada, perigosa ou desconfortável. A depender do grau, pode ser dobrado, triplicado e assim por diante. Também pode ser alguém que fez algo difícil ou que poucas pessoas conseguiriam fazer
Botar moral – Fazer algo para conseguir respeito ou admiração
Brocar – Ser bom em algo, fazer alguma coisa bem
De hoooje! – há muito tempo
Dos tempos – há muito tempo
Esmoler – mendigo
Esparro – Situação difícil, perigosa
Massa – Legal
Na cocó – na espreita
Não é pouca merda – Não é qualquer um
Ozadia – Liberdade demais, libertinagem
Pai – Cara
Renca – Um monte
Repare – Olha só, veja aqui
Rapaz – Cara  
Se amostrar – querer aparecer 

SALVADOR Receba: nova Estação da Lapa é entregue hoje

A partir de hoje, estação de transbordo do Centro vai estar mais emperiquitada
Thais Borges (thais.borges@redebahia.com.br)
Atualizado em 29/03/2016 07:07:33
  
Nem todo buzu leva à Estação da Lapa, mas que boa parte da cidade passa por lá... Ah, passa mesmo. A partir de hoje, ela vai estar mais emperiquitada e, segundo a prefeitura, mais funcional. Depois de 14 meses de obras, o terminal será oficialmente inaugurado às 10h pelo prefeito ACM Neto e representantes do consórcio Nova Lapa, responsável pelas intervenções e que venceu a concessão para administrar o local pelos próximos 35 anos. 
Nova Estação da Lapa é entregue hoje 10h (Foto: Marina Silva/CORREIO)
A promessa é que a Lapa seja mais que um terminal: ela deve funcionar como um “hub” dos ônibus. Esse nome todo tirado, na verdade, é comum nos aeroportos e significa que a Lapa vai ser um ponto de “distribuição de transporte”, um centro de conexões. A solenidade faz parte da programação de obras entregues pelo aniversário de Salvador. 
“Nós fizemos um planejamento para o transporte público inteligente, então a Lapa vem para fechar isso. Fizemos a nova licitação, exigimos ônibus novos com GPS, aplicativo, começamos a instalar 600 novos abrigos de ônibus e, até o fim da gestão, serão 1.000. Mas não adiantava as pessoas chegarem mais rápido à Lapa de Cajazeiras ou do Subúrbio, se o coração da cidade, que é a estação, não estivesse revitalizado”, diz o secretário municipal de Mobilidade, Fábio Mota. 
De fato, por lá passa uma renca de gente todo dia: são cerca de 450 mil pessoas por dia. Ao todo, 107 das 600 linhas que cruzam a cidade vão à Lapa, por algum motivo. São 509 buzus, incluindo os do Corujão Salvador, que circulam na madrugada. 
Por isso, foram investidos R$ 20 milhões pelo consórcio, escolhido depois de uma licitação, em 2014, e formado por três empresas: a baiana Axxon e as paulistas Socicam e Participa. Inicialmente, a previsão era de que os gastos ficassem em R$ 13 milhões, mas, o valor mudou após “incrementos nas melhorias de funcionalidade”, explicou a prefeitura. 
Nova Estação da Lapa é entregue hoje 10h (Foto: Estação Lapa) (Foto: Divulgação)
Durante todo o tempo das intervenções, a Lapa não parou de funcionar, de acordo com o diretor de Engenharia do consórcio, Paulo Henrique Amorim. “Então, as pessoas vão percebendo as melhorias enquanto ela vai ficando pronta. A ideia é um resgate mesmo desse patrimônio da cidade. A Lapa era meramente um local de passagem, mas, quando olhamos grandes terminais no Brasil e no exterior, você vê que eles não são só locais de passagem. As grandes centrais de transbordo são pontos de referência de turistas para a cidade toda”. 
Entre as intervenções, há a limpeza da própria estação – que teve pisos polidos e nova pintura, a troca das 11 escadas rolantes (antes paradas), nova iluminação de LED, banheiros climatizados, comunicação visual (aquelas plaquinhas que indicam onde fica cada plataforma) e piso tátil em toda a estação. Também há dois elevadores já funcionando, um para deficientes físicos, outro para carga e descarga. 
“Não existia uma rede de incêndio na Lapa. Se pegasse fogo, tinha que contar com uso de extintor. Hoje, tem um sistema automático que dispara no centro de monitoramento 24 horas e tem chuveiros automáticos, que disparam com calor”, conta Amorim, citando, ainda, duas rotas de fuga. O próprio centro de monitoramento conta com 87 câmeras instaladas funcionando sem parar. 
E se você quiser fazer umas comprinhas, lá vão ficar 64 lojas. Antes, eram 36. Agora, vai ter até clínica médica e supermercado. Há, ainda, dois postos – um para a Polícia Militar, outro para a Guarda Municipal, além da segurança privada, implantada desde que o consórcio assumiu o terminal, em abril do ano passado. 
Até o início do segundo semestre, também deve começar a ser construído um shopping center na estação. Serão cerca de 240 lojas. “Ele tem um prazo de 24 meses a partir do momento que começar. Vai ser um shopping grande que vai gerar muitos empregos, com cinema e tudo. É um shopping voltado para quem frequenta a Estação da Lapa. Ele não vai ter estacionamento, porque vai ser para o usuário que frequenta a Lapa”. 
Glossário
Buzu – ônibus, coletivo
Emperiquitada – toda arrumada, bonita
Renca – vários, muitos
Tirado – metido à besta   

segunda-feira, 28 de março de 2016

Morre gêmea de 2 anos que foi atropelada por trator em Rondônia

Criança estava internada em estado grave na UTI desde 14 de março.
Pernas da menina já haviam sido amputadas, segundo direção do hospital.

Ísis CapistranoDo G1 RO
Mãe lamentou falecimento da filha em redes sociais (Foto: Facebook/ Reprodução)Mãe lamentou falecimento da filha em redes
sociais (Foto: Facebook/ Reprodução)
Morreu às 13h20 desta segunda-feira (28) Maria Izabel Vieira dos Santos, uma das gêmeas que foi atropelada por um trator pá carregadeira quando voltava da creche com a irmã de 2 anos e uma tia, em Ariquemes (RO). Segundo a direção do hospital Cosme e Damião, a criança teve falência múltipla dos órgãos.
Ela estava internada em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital desde o dia 14 de março após sofrer múltiplas fraturas no quadril e já tinha amputado as duas pernas.
A mãe da criança, Tamara Baracho, comunicou o falecimento de Maria Izabel em uma rede social. "Obrigada a todos que se preocuparam com a saúde da minha filha, a todos que doaram sangue. Deus abençoe a vida de cada um de vocês! A minha guerreira nesse momento ta descansando com o Papai do céu. Meu coração está de LUTO", diz a mensagem.
No último domingo (27), a família havia pedido doação de sangue para a menina. De acordo com a avó, Kátia Regina Vieira, Maria Izabel precisava repor o sangue diariamente, mas o estoque da Fundação de Hematologia e Hemoterapia de Rondônia (Fhemeron) estava baixo para atender a demanda dela e de outras crianças.
Nesta segunda-feira(28), 25 pessoas tinham doado sangue em nome da criança em menos de 12h. Mas, segundo a captadora de doações da Fhemeron, Maria Luiza Pereira, o número de doadores que buscaram a fundação para ajudar Maria Izabel começou na quinta-feira (24).
"Bebel", como era chamada pela família, estava internada na UTI desde o dia do acidente, 14 de março. Ela voltava da creche com a irmã de dois anos e uma tia de 23, na avenida Arthur Mangabeira, em Ariquemes (RO), região do Vale do Jamari.
A outra gêmea, Maria Eduarda, teve alta no dia 18 de março, após ficar internada em um hospital particular do município. A tia das meninas, que também foi atropelada pelo trator, não teve ferimentos graves. Maria Eduarda sofreu uma grave fratura no pé esquerdo e teve de ser operada no dia do acidente.
Postagens
Após a mãe publicar sobre o falecimento da filho, vários amigos escreveram mensagens de apoio e de luto na página de Tamara." E o que resta é a ‪#‎SAUDADE‬ De uma linda Guerreira que cumpriu sua missão aqui na terra e agora como uma estrelinha brilha lá no Céu ‪#‎Luto‬ Maria Isabel", escreveu uma amiga.
Uma mãe também mandou mensagens de conforto para a família. "Meu coração de mãe compartilha com a tua dor", afirma o post.
Maria Eduarda e Maria Izabel Vieira dos Santos farão 3 anos no sexta, 18 (Foto: Arquivo Pessoal)Maria Eduarda e Maria Izabel foram atropeladas
ao sair da creche (Foto: Arquivo Pessoal)
O acidente
Segundo a Polícia Militar (PM), o acidente aconteceu quando as vítimas voltavam de uma creche infantil. O condutor do veículo relatou que não viu as crianças e nem a tia delas, apenas ouviu o barulho da batida após o acidente. A advogada do motorista disse à época que ele ficou em estado de choque após o acidente.
Conforme a Polícia Civil, a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) do condutor estava vencida há 30 dias no dia do fato e, por isso, assinou um Termo Circunstanciado. Em seguida, foi ouvido e liberado.
Raiva
Em relato ao G1, a avó das crianças disse que "o sentimento de raiva não passou pela cabeçada família", após o acidente. "O mais importante nesse momento é a vida da Bebel", declarou dona Kátia Regina Vieira, avó das gêmeas de dois anos.

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