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sábado, 11 de abril de 2015

Cooperativas de crédito são alternativas a bancos

Associados têm direito a voto, independentemente do valor aplicado na cooperativa, e acesso a taxas de crédito e de investimento mais atrativas

Pedro Garcia
Maria Josefina, associada do Sicoob, viu cooperativa como opção
Maria Josefina, associada do Sicoob, viu cooperativa como opção
Foto: Divulgação
SÃO PAULO - Com a compra de uma cota de capital, cujo valor mínimo é definido por estatuto, uma pessoa pode se associar a uma cooperativa de crédito e ter acesso a linhas de empréstimo e investimento com juros mais atrativos que as de bancos tradicionais.
Além disso, o cooperado, ao comprar a cota - espécie de participação no capital da instituição financeira, que pode variar de R$ 10 a um terço do capital total, dependendo da cooperativa -, já garante remuneração média de 100% do Certificado de Depósito Interfinanceiro (CDI) do valor investido, em caso de resgate.
Embora respondam ao Banco Central, as cooperativas de crédito, instituições financeiras criadas a partir da união de um grupo de pessoas, não recolhem compulsórios e não visam o lucro, de forma que podem apresentar opções de linhas de crédito mais vantajosas ao associado.
Taxas
No Sistema de Cooperativas de Crédito do Brasil (Sicoob), que reúne cooperativas de 25 estados e do Distrito Federal e conta com mais de 2,8 milhões de associados, os juros do crédito consignado variam entre 18,15% e 25,19% ao ano.
No sistema financeiro nacional, por sua vez, a taxa média para o consignado, em agosto, estava em 32,7% ao ano para funcionários do setor privado e de 24% ao ano para servidores públicos, segundo dados do Banco Central.
As linhas de investimento também oferecem mais retorno. Segundo o gerente de planejamento estratégico do Sicoob, Hugo Rodrigues Ferreira, o Recibo de Depósito Cooperativo (RDC) garante, em média, 100% do CDI - já os grandes bancos varejistas brasileiros dificilmente conseguem garantir esse percentual em aplicações como o Certificado de Depósito Bancário (CDB).
"As cooperativas pagam, em média, 11% ao ano no RDC, mas captam com juros de 18% ao ano no consignado, por exemplo. Então, como não têm compulsório e não visam ao lucro, elas ainda têm um 'spread' de 7%, que é reinvestido para os próprios cooperados", observou Ferreira.
Poder de voto
Outro diferencial das cooperativas de crédito é que todos os associados têm direito de voto e, independentemente do valor da cota que possuem, a participação nas decisões da instituição tem o mesmo valor.
"Por ser uma empresa administrada pelos donos para seus donos não precisa ter lucro exacerbado. Esse é um dos motivos para as taxas juros procurarem um preço justo", afirmou o diretor operacional do Sicoob, Francisco Silvio Reposse Júnior.
Participação
Os cooperados também têm direito a uma participação no resultado das "sobras" das instituições - nome adotado para o lucro proveniente das operações das cooperativas.
Segundo o superintendente da administradora de consórcio do Sistema de Crédito Cooperativo (Sicredi), Romeo Balzan, a participação nos resultados que cada cooperado terá depende do volume e a quantidade de recursos movimentados no período.
"Essa participação independe do valor da cota de capital da pessoa. Se ela movimentou mais dinheiro, terá uma participação maior", disse Balzan.
O superintendente também ressaltou que, diferentemente dos bancos tradicionais, as cooperativas de crédito não focam em uma linha de crédito específica, mas oferecerem as soluções de acordo com o que é solicitado pelos clientes.
Produtos
Assim como as instituições financeiras tradicionais, as cooperativas oferecem produtos como consórcios, previdência, cartões e poupança. Existem mais de 5,1 mil unidades de atendimentos de cooperativas de crédito - espécie de agências das instituições - espalhadas pelo Brasil, sendo que 2.235 pontos pertencem ao Sicoob e 1.306 pontos são da rede de cooperativas da Sicredi.
A maior parte dos clientes das cooperativas ainda são pessoas físicas, mas a participação das empresas está crescendo. Dados da Sicoob mostram que o crescimento de famílias na rede de cooperativas foi de 6,7% no primeiro semestre deste ano em relação seis primeiros meses do ano passado. Já o de pessoas jurídicas foi de 13,8% no período.
Resultados
A Sicredi fechou junho de 2014 com R$ 43,7 bilhões em ativos financeiros e patrimônio líquido de R$ 6,1 bilhões, contando com uma rede de 17 mil funcionários e 2,6 milhões de associados distribuídos em 11 estados do País.
Para Balzan, o maior diferencial das cooperativas de crédito é justamente a entrada em cidades de difícil acesso e a busca por desenvolver a região onde estão inseridas.
"O dinheiro que a cooperativa capta ela investe na própria região que ela opera. Os recursos de uma cooperativa do Rio Grande do Sul, por exemplo, vão ser investidos no próprio estado.
Diferentemente dos bancos, que podem captar no Nordeste e emprestar em São Paulo, por exemplo", disse.
Crescimento
A carteira de crédito do Sicoob teve uma evolução de 25,2% e chegou a R$ 29,1 bilhões no primeiro semestre deste ano, percentual superior ao apresentado pelo Sistema Financeiro Nacional (SFN), que foi de 12,1%. Em ativos o sistema atingindo a marca de R$ 47,9 bilhões, evolução de 26,1% em relação o mesmo período de 2013, enquanto no SFN o acréscimo foi de 8%.
O patrimônio líquido das cooperativas do Sicoob teve um crescimento de 18,5% e registrou R$ 10,1 bilhões no final desse semestre.

Franqueada do McDonald's investe em sustentabilidade e lojas viram modelo

Restaurantes da rede em Atibaia e Bragança Paulista têm eletricidade gerada por energia solar e resíduos descartados são reaproveitados

Sammy Eduardo
Franqueada do McDonald's investe na sustentabilidade e lojas viram 'modelo'
Franqueada do McDonald's investe na sustentabilidade e lojas viram 'modelo'
SÃO PAULO - Preocupada em desenvolver uma consciência responsável, a empresária Ana Paula Abdalla, 50, teve a iniciativa de transformar suas duas franquias do McDonald's, no interior de São Paulo, em estabelecimentos sustentáveis. A iniciativa aconteceu em 2009, quando houve a necessidade de investimento. Mas, hoje, seus restaurantes se tornaram modelo até mesmo entre as outras lojas da rede, que tentam seguir o exemplo de Ana Paula.
A ideia partiu da própria empresária. A partir de um projeto que contou com a colaboração de prefeituras e até de catadores de lixo, Ana Paula inseriu tecnologias sustentáveis em suas lojas, que incluem o descarte de resíduos sólidos e orgânicos. No entanto, o primeiro objetivo dela foi inserir o pensamento sustentável na cabeça de todos os envolvidos. "A solução está no indivíduo. Esse é o primeiro passo para que se realize uma conscientização empresarial. A empresa tem que trabalhar seus clientes internos (funcionários) e externos, e fazer com que eles tenham esse pensamento", afirma. 
O segundo passo, de acordo com a empresária, foi investir na estrutura do negócio, como a troca de lâmpadas convencionais por modelos em LED, que economizam energia. Painéis de captação de energia solar também foram instalados para que uma parte da eletricidade usada nas lojas fosse obtida dessa forma. 
Outros sistemas também foram modificados, como os de ar condicionado e de água. Com o uso de cisternas, o consumo de água é monitorado, o que gera economia ao final do mês. "Com essas medidas, além de contribuir com o meio ambiente, conseguimos uma economia de gastos em água e luz", conta.
Com o auxílio de órgãos governamentais e catadores de lixo, Ana Paula conseguiu também ajudar na criação de uma cooperativa de catadores. Apenas com essa cooperativa, a economia financeira com o descarte de resíduos sólidos e orgânicos chegou a 40%. "Antes, pagávamos para uma empresa subsidiada pela prefeitura levar os nossos resíduos. Com a cooperativa foi possível diminuir esse gasto e ajudar, no âmbito social, a melhorar a vida desses catadores. Além disso, temos a certeza de que os resíduos são destinados para locais onde poderão ser reaproveitados ou descartados de forma que não agrida o meio ambiente", diz.
Hoje, a cooperativa criada com o auxílio da empresária atende, inclusive, a indústrias, condomínios e outros negócios da região que procuram encaminhar seus resíduos para reaproveitamento. 
Nas lojas de Ana Paula, existem funcionários exclusivos para orientar os consumidores na hora do descarte de lixo."Eles ficam no salão para auxiliar as pessoas a descartarem seus resíduos de forma correta. Assim, há também uma conscientização por parte dos clientes. A transformação foi tão visível que recebemos diversos comentários positivos", afirmou.
Segundo a empresária, o McDonald's dá total liberdade aos franqueados para que eles façam intervenções desse tipo em suas lojas. Nesse caso, o estabelecimento de Ana Paula chamou a atenção dos franqueadores, que a convidaram para trabalhar na criação de um guia com dicas sustentáveis. A ideia da marca é passar esse "manual" para todas os restaurantes da rede. Ainda não há a previsão para o lançamento dessa publicação.

Planejamento é chave para tornar negócio sustentável

Cuidado com o ambiente favorece imagem, mas empresa só se torna perene ao aliar esse avanço ao controle financeiro e à colaboração com a sociedade

Sammy Eduardo
MIB Group, de SP,  busca envolver o time em práticas sustentáveis
MIB Group, de SP, busca envolver o time em práticas sustentáveis
São Paulo - Para estabelecer uma relação amigável com o ambiente, pequenas e médias empresas buscam adotar medidas sustentáveis. Mas fazer disso um movimento estratégico, que promova a sobrevivência do negócio e sua visibilidade no mercado, exige bom planejamento.
A boa notícia é que esse esforço pode resultar em mais do que apenas um eventual ganho de imagem. O especialista Marcus Nakagawa, idealizador e presidente da Associação Brasileira dos Profissionais de Sustentabilidade, diz que, caso a empresa siga o planejamento de forma correta, os riscos de fracasso são mínimos. Além disso, as chances de obter retorno - até mesmo financeiro - são consideráveis.
"Para que a sustentabilidade seja implementada de forma saudável, o ideal é que a empresa siga os procedimentos dentro de um esquema que chamamos de tripé sustentável", diz. As três pontas desse esquema são os equilíbrios financeiro, ambiental e social.
Antes de tudo, diz Nakagawa, a empresa tem de estar "limpa" e dentro das leis que regem o mercado.
Uma vez enquadrada no mínimo exigido pela legislação, é hora de analisar os impactos ambientais que o negócio proporciona. Poluição, desperdícios, gastos excessivos de material, energia, água e combustíveis (caso tenha veículos) estão entre os itens da ponta ambiental que devem ser investigados. É nesse exame que a empresa identifica as atividades em que está gastando demais e estabelece metas.
Mais que ecologia
O próximo passo é estudar os seus stakeholders - ou seus públicos de interesse -, como clientes, fornecedores e funcionários. "É de extrema importância que os funcionários entendam o pensamento sustentável", afirma Nakagawa. "Nesse sentido, vejo a criação de um comitê de sustentabilidade como uma saída para fiscalizar as medidas e entender como a equipe trabalha para manter essa identidade", diz.
O comitê pode ser formado, por exemplo, com apenas duas pessoas, que ficarão encarregadas de verificar o andamento do processo.
O tripé fica completo quando a empresa equilibra as contas, envolve seu público interno e externo no esforço sustentável e parte para a última fase dessa transformação: a colaboração com a sociedade. Significa realizar algum trabalho social, por conta própria ou em colaboração com outros agentes, como contribuir com ONGs ou desenvolver projetos educacionais, por exemplo.
Ferramentas
Existem algumas soluções prontas que podem auxiliar a empresa ao longo desse processo de adequação.
Para o controle dos indicadores ambientais, por exemplo, há aparelhos de automação que mostram em tempo real o consumo de energia e água, além de apontar qual área está contribuindo para o equilíbrio ou gastando mais. "Vale pesquisar esses aparelhos no mercado, pois eles são capazes de controlar a pressão da água em um momento em que se deve economizar mais, ou apagar as luzes do ambiente, entre outras atividades ecoeficientes. Eles poupam alguns trabalhos", conta.
O investimento inicial, se bem dimensionado e implementado de acordo com o planejamento, pode valer a pena, explica o especialista. No começo, segundo ele, o processo pode exigir esforço econômico e de cooperação. Mas o efeito pode tender a resultar em lucro em médio e longo prazos, desde que bem planejado.
"Existe um investimento de hora/trabalho, mas que acaba se tornando até um prazer e não uma penitência para os envolvidos. Mais do que isso, a empresa pode alcançar um retorno financeiro", afirma.
O especialista ajudou a MIB Group S.A., empresa paulistana de soluções para os setores de varejo e eventos, a adotar o conceito do tripé. Deu certo: a companhia identificou o que poderia ser ajustado, tomou as iniciativas necessárias e hoje vê os ganhos dessa mudança.
Na prática
Apesar de trabalhar com tecnologia, a matéria-prima mais usada pela MIB é papel. Por isso, o primeiro passo foi obter o selo do Conselho de Manejo Florestal (FSC, na sigla em inglês), para garantir que o material utilizado é produzido sem agredir a natureza.
"Quando conquistamos o certificado, em 2009, a ideia de sustentabilidade começou a tomar forma entre o corpo diretivo. A partir daí trabalhamos sobre esse conceito", afirma Ana Luísa, diretora de Recursos Humanos da MIB.
"Também atrelamos o sucesso da estratégia ao comprometimento dos colaboradores", diz a executiva, que formou um comitê para isso. "Convidamos cada integrante a definir uma meta pessoal de sustentabilidade para ser colocada em prática no dia a dia. Isso permitiu o entendimento real dos desafios", diz.
Com as medidas implementadas, a empresa passou a economizar recursos e a melhorar o processo produtivo. "Isso acarretou indiretamente no aumento de lucratividade", conta. Foi um marco na gestão."Há um ganho competitivo entre empresas sustentáveis e não sustentáveis. As grandes marcas buscam fornecedores que sejam bem aceitos pelo consumidor final", afirma.

Nokia considera vender negócio de mapas HERE, diz Bloomberg

Reuters
HELSINKI (Reuters) - A Nokia está considerando vender seu negócio de mapas HERE, informou a Bloomberg, o que impulsionou as ações da empresa finlandesa assim como de sua rival de equipamentos de rede Alcatel-Lucent.
A unidade está atraindo interesse da indústria assim como de empresas de private equity, e ofertas devem ocorrer em breve, disse a agência, citando fontes não identificadas.
Um porta-voz da Nokia recusou-se a comentar a informação.
As ações da Nokia subiram 5,6 por cento, enquanto as ações da francesa Alcatel-Lucent tiveram alta de 4,8 por cento. As duas companhias já realizaram negociações sobre fusões nos últimos anos.
A Nokia vendeu sua unidade de aparelhos de celular para a Microsoft no ano passado, ficando com seu principal negócio de equipamentos de rede, com o HERE e com sua divisão de patentes.
O HERE teve no ano passado vendas líquidas de cerca de 969 milhões de euros com um lucro operacional de 31 milhões de euros. A unidade fechou recentemente diversas encomendas com a indústria automobilística.
A Nokia comprou o predecessor do HERE, o Navteq, por 5,7 bilhões de euros em 2007.
(Por Jussi Rosendahl)

Acesso ao porto de Santos será ampliado; incêndio é extinto

Reuters
SÃO PAULO (Reuters) - A entrada e a saída de veículos pela margem direita do porto de Santos será ampliada durante o final de semana, de acordo com decisão das autoridades locais, com a extinção do fogo em um terminal de combustíveis que durou mais de uma semana.
O incêndio em tanques nas proximidades do porto, que atrapalharam o tráfego e o transporte de produtos na última semana, foi dado como extinto pelo Corpo de Bombeiros nesta sexta-feira.
Por conta do incêndio, iniciado na quinta-feira da semana passada, o acesso ao porto pela margem direita foi bastante limitado, afetando as exportações de soja, o principal produto da pauta exportadora do Brasil em março.
Os veículos só puderam passar pelo local em comboios, durante a noite.
Dessa forma, o porto havia deixado de exportar nos últimos dias, até quinta-feira, 400 mil toneladas de soja e farelo de soja, segundo a Abiove, associação que representa as grandes empresas do setor de soja do país.
EMBARGO
A Prefeitura de Santos embargou as atividades do terminal de combustíveis da Ultracargo, do Grupo Ultra, onde ocorre um incêndio que entrou nesta sexta-feira em seu nono dia.
"Com a medida, todas as atividades da empresa na cidade ficam suspensas até que sejam cumpridas todas as determinações legais para garantir a segurança do local", disse a prefeitura da cidade portuária.
A Ultracargo disse em nota que "seu terminal em Santos sempre funcionou com todas as licenças e autorizações necessárias e que suas operações obedecem todas as legislações, regulações e normas técnicas aplicáveis" e que vai prestar esclarecimentos necessários à prefeitura.
A Ultracargo confirmou à Reuters que o fogo foi extinto e disse que divulgaria mais detalhes sobre o assunto mais tarde.
(Por Gustavo Bonato e Roberto Samora)

Repórter da Globo é demitido após se envolver com a ex-namorada do presidente da CBF

Um repórter esportivo da TV Globo foi demitido nesta sexta-feira. O motivo: ele se envolveu com Carol Muniz, ex-namorada de Marco Polo Del Nero, presidente da CBF.
O clima dentro da emissora ficou ruim para o jornalista depois que ele divulgou um vídeo íntimo onde Carol aparecia com os seios de fora e falava claramente sobre o ex-namorado.
“Não gosto de cara de academia, malhado. Gosta de homem que eu admire”, disse a ex-musa do Bahia sobre Marco. No vídeo escuta-se a voz do repórter, que é conhecido na Globo por ser mulherengo. Ele foi demitido hoje, pois o clima entre a emissora e a CBF ficou abalado após o escândalo. Diretores do esporte da Globo perceberam que o caso expôs bastante o nome da emissora e não valeria a pena comprar briga com a CBF.
http://blogs.odia.ig.com.br/

PL 4.330 permite a subcontratação em empresas como Petrobras, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal

Rio - A aprovação, na Câmara dos Deputados, do projeto de lei que regulamenta a terceirização no país acendeu um alerta no setor público. O PL 4.330 abre a possibilidade de terceirizar ilimitadamente tanto na iniciativa privada quanto em órgãos da administração pública indireta. A prática fica liberada para as empresas públicas e sociedades de economia mista (empresas controladas pelo estado), como é o caso da Petrobras, do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal, dos Correios e do BNDES, entre outros órgãos. 
O concurseiro José Daniel lamenta a aprovação do projeto: “Estou revoltado com essa ameaça da terceirização, não é justo com pessoas como eu, que se dedicam tanto”
Foto:  Paulo Araújo / Agência O Dia
A terceirização já acontece na administração pública em alguns setores, mas com o projeto, ela poderá ser expandida para a atividade-fim das empresas ameaçando a realização de concursos. No caso do BB e da Caixa, por exemplo, poderiam haver bancários terceirizados. Nos Correios, as seleções para carteiros seriam atingidas.
Para especialistas em Direito Público, o projeto fere o princípio da meritocracia, pois faz com que os funcionários possam chegar ao setor público sem concurso, contrariando as determinações da Constituição.
“Este projeto tem uma constitucionalidade bem duvidosa. A terceirização já vinha acontecendo pelas empresas, mas agora ele legitima que ocorra também na atividade-fim”, afirma o advogado Sérgio Camargo, especialista em concursos públicos.
“É uma burla ao concurso público. O princípio da impessoalidade fica seriamente comprometido”, afirma o juiz Paulo Schmidt, presidente da Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra). 
Para vigorar no país, o texto ainda tem que ser aprovado pelo Senado e sancionado pela presidenta Dilma Rousseff, mas a preocupação já atinge quem almeja uma carreira na área. O advogado José Daniel Lacerda, 27 anos, que estuda para concursos na área trabalhista, lamenta a aprovação do projeto. “Estudo há muito tempo e estou revoltado com a ameaça da terceirização, não é justo com pessoas como eu, que se dedicam tanto”, afirma.
Na Petrobras, diferenças de jornadas e benefícios 
O técnico em elétrica Leonardo Ferreira já viveu os dois lados da moeda. Ele foi terceirizado da Petrobras até 2006, quando passou no concurso da petrolífera, e sentiu os efeitos das duas modalidades de contratação. 
Ferreira afirma que uma das diferenças mais gritantes é na jornada de trabalho dos funcionários. Enquanto os empregados concursados têm uma escala de 14 dias embarcados para 21 dias de descanso, os terceirizados ficam no mar pelo mesmo número de dias, mas têm direito a 14 dias de folga, ou seja, uma semana a menos. 
“Nós ficamos embarcados de nove a dez vezes por ano, enquanto um terceirizado fica de 12 a 13 vezes”, afirma ele, que se preocupa com a aprovação da lei. “Se a empresa pode terceirizar a atividade-fim, não há mais porque promover concurso público”, avalia.
Segundo o técnico, o sindicato que representa efetivos tem mais poder de negociação, conseguindo melhores acordos para os trabalhadores.
De acordo com números divulgados pela Petrobras, até julho do ano passado a empresa contava com 86.108 efetivos e 360.180 terceirizados.
ENTENDA O CASO
O conceito de atividade-meio e atividade-fim de uma empresa nem sempre é claro, o que tem causado problemas na Justiça tanto para as companhias quanto para os trabalhadores.
Atualmente, existem várias ações no país inteiro contra as terceirizações na Caixa Econômica Federal. O banco costuma com frequência contratar empresas prestadores para vender serviços como os de cartão de crédito e seguros, por telefone.
Para o Ministério Público do Trabalho (MPT), essas contratações são ilegais, pois a venda de produtos financeiros faz parte da finalidade da empresa. No entendimento do órgão, somente efetivos poderiam desempenhar a função. 
No ano passado, uma liminar da 47ª Vara do Trabalho de Belo Horizonte obrigou a Caixa Econômica Federal a rescindir contratos com 1.135 trabalhadores contratados que prestavam serviço de telemarketing da empresa. Há outras decisões do Judiciário no mesmo sentido.
Se o Projeto de Lei 4.330/04 for aprovado no Senado e sancionado pela Presidência da República, esse tipo de terceirização será permitida, assim como a de outras posições do banco, como caixa e gerente, por exemplo.
A contratação de carteiros terceirizados também costumava ser motivo de ações judiciais. Com a aprovação do projeto, a empresa poderá ter esse tipo de mão de obra sem abrir concursos. 


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