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terça-feira, 26 de abril de 2016

Vítimas de Chernobyl recebem homenagem nos 30 anos do acidente

Número de vítimas continua incerto até hoje; relembre como foi o acidente.
Nova estrutura de proteção para usina deve estar pronta até 2017.

Do G1, em São Paulo*
Flores foram deixadas no monumento em Slavutich, na Ucrânia, que fica a cerca de 50 km da antiga usina de Chernobyl (Foto: Genya Savilov / AFP)Flores foram deixadas no monumento em Slavutich, na Ucrânia, que fica a cerca de 50 km da antiga usina de Chernobyl (Foto: Genya Savilov / AFP)
As vítimas de Chernobyl receberam homenagens nesta terça-feira (26), dia em que o pior acidente com usina nuclear da história completa 30 anos. Flores foram deixadas no monumento em Slavutich, na Ucrânia, que fica a cerca de 50 km da antiga usina. Muitos funcionários moravam no local na época do desastre.
Um grupo de homens também se reuniu em Minsk, capital da Bielorrússia, e bebeu vodca para lembrar os amigos mortos na tragédia cujo número de vítimas segue incerto.

O desastre estava ficando esquecido mais recentemente, até que o terremoto que atingiu o Japão em 2011 provocou um grave acidente nuclear em Fukushima, reavivando os receios sobre os riscos deste tipo de fonte de energia.
O acidente
À 1h23 da madrugada de 26 de abril de 1986, o reator nuclear número quatro da usina nuclear de Chernobyl, situado cerca de 100 quilômetros ao norte de Kiev, explodiu durante um teste de segurança.
Por 10 dias, o combustível nuclear ardeu, liberando na atmosfera nuvens tóxicas que contaminaram com radiação até três quartos do território europeu, atingindo especialmente a Ucrânia e os vizinhos Bielorrússia e Rússia.
Um grupo de homens também se reuniu também em Minsk, na capital da Bielorrússia, beberam vodka para lembrar os amigos mortos na tragédia de Chernobyl nesta terça-feira (26) (Foto: Vasily Fedosenko/ Reuters)Um grupo de homens também se reuniu também em Minsk, na capital da Bielorrússia, beberam vodca para lembrar os amigos mortos na tragédia de Chernobyl nesta terça-feira (26) (Foto: Vasily Fedosenko/ Reuters)
Selo: À 01h23 da madrugada de 26 de abril de 1986, o reator nuclear número 4 da usina explodiu durante um teste de segurança (Foto: G1)
Moscou tentou esconder o acidente ocorrido na ex-república soviética, e as autoridades esperaram o dia seguinte para evacuar os 48 mil habitantes da localidade de Pripyat, situada a apenas três quilômetros da usina.
O primeiro sinal de alerta foi lançado pela Suécia no dia 28 de abril, quando as autoridades detectaram quantidades anormais de radiação, mas o líder soviético Mikhail Gorbachev não falou publicamente do incidente até 14 de maio.
Depois que as autoridades reconheceram o acidente, um total de 116 mil pessoas precisaram deixar seus lares situados na zona de exclusão, para a qual até hoje em dia seguem sem poder voltar. Nos anos seguintes, outras 230 mil pessoas sofreram o mesmo destino. No entanto, cerca de 5 milhões de ucranianos, russos e bielorrussos vivem em zonas onde a quantidade de radiação segue alta.
Em quatro anos, 600 mil pessoas, principalmente militares, policiais, bombeiros e funcionários, trabalharam como "liquidadores" para conter o incêndio nuclear e criar uma barreira de concreto para isolar o reator.
Foto tirada de Prypiat este mês mostra o reator 4 com sua cobertura antiga (à esquerda) e o novo sarcófago em construção (à direita) (Foto: Gleb Garanich/Reuters)Foto tirada de Prypiat este mês mostra o reator 4 com sua cobertura antiga (à esquerda) e o novo sarcófago em construção (à direita) (Foto: Gleb Garanich/Reuters)
Os agentes mobilizados chegaram ao local quase sem proteção ou com um equipamento inadequado para enfrentar a nuvem tóxica. Além de conter o incêndio, precisaram limpar as zonas adjacentes e construir o sarcófago para conter a radiação.
Três décadas depois do acidente, o balanço de vítimas continua sendo alvo de polêmica. Um controverso relatório publicado pela Organização das Nações Unidas ONU em 2005 estimou em cerca de 4 mil as vítimas nos três países mais afetados. Um ano depois, a organização ambientalista Greenpeace situou o número em cerca de 100 mil.
Segundo o Comitê Científico sobre os Efeitos da Radiação Atômica da ONU, ocorreram 30 mortes entre os agentes enviados para conter os efeitos do acidente nos dias posteriores ao desastre.
Um parque de diversões é visto no centro da cidade abandonada de Pripyat, perto da usina nuclear de Chernobyl, na Ucrânia  (Foto: Gleb Garanich/Reuters)Um parque de diversões é visto no centro da cidade abandonada de Pripyat, perto da usina nuclear de Chernobyl, na Ucrânia (Foto: Gleb Garanich/Reuters)
A estrutura criada imediatamente depois do acidente, de maneira apressada, ameaçava começar a vazar para o ar 200 toneladas de magma radioativo, razão pela qual a comunidade internacional se comprometeu a construir uma nova camada de concreto mais segura.
A construção de uma urna com uma altura de 110 metros de 25 toneladas começou finalmente em 2010. Esta estrutura, um pouco mais alta que o Big Ben em Londres, permitiria cobrir a catedral de Notre Dame de Paris.
Este novo sarcófago deve estar plenamente operacional no fim de 2017 e terá um custo total de US$ 2,4 bilhões.
Com uma vida útil estimada em um mínimo de cem anos, esta estrutura deve dar tempo para os cientistas encontrarem novos métodos para desmantelar e enterrar o resto do reator, para que algum dia o local possa se tornar seguro novamente.
Como informa a agência AFP, até o momento ainda não está claro de onde será obtido o financiamento para manter a estrutura. A questão pode ser abordada em 25 de abril em uma assembleia de doadores em Kiev.
Veja a reportagem especial do Fantástico em Chernobyl:
Segundo a agência Reuters, testes de radioatividade em áreas contaminadas pelo desastre foram cancelados ou reduzidos em razão da crise econômica na Ucrânia, na Rússia e na Bielorrússia, mas um levantamento do Greenpeace diz que as pessoas da região continuam a consumir alimentos e bebidas com níveis de radiação perigosamente altos.
De acordo com testes realizados por encomenda da organização, a contaminação geral por isótopos perigosos como o césio-137 e o estrôncio-90 diminuiu um pouco, mas ainda está presente, especialmente em locais como as florestas. "Está no que eles comem e bebem. Está na madeira que usam na construção e queimam para se aquecer", afirma o relatório do Greenpeace divulgado em março.
Rússia corta subvenção
Das 4.413 localidades russas afetadas pelo acidente de Chernobyl, 383 verão suas subvenções diminuírem por cortes orçamentários, como o povoado de Starye Bobovitchi. Outras 558 cidades serão simplesmente retiradas da lista.
Selo: Das 4.413 localidades russas afetadas pelo acidente de Chernobyl, 383 verão suas subvenções diminuírem por cortes orçamentários (Foto: G1)
Das 4.413 localidades russas afetadas pelo acidente de Chernobyl, 383 verão suas subvenções diminuírem por cortes orçamentários, como o povoado de Starye Bobovitchi. Outras 558 cidades serão simplesmente retiradas da lista.
"Com este decreto, o Estado se nega a reconhecer que são necessários 2.000 anos, e não 30, para descontaminar uma zona", denuncia Anton Korsakov, biólogo e especialista nas consequências de Chernobyl para a região de Briansk.
"Mesmo que consigamos descontaminá-la, terão que se passar várias gerações até que as crianças voltem a nascer saudáveis", afirma, lembrando que o índice de mortalidade infantil na região é cinco vezes maior que a média nacional.
Quando as crianças sobrevivem, 80% delas desenvolvem uma ou várias doenças crônicas, de acordo com estatísticas oficiais, citadas pelo especialista.
Em Novozybkov, cidade a 180 km de Chernobyl cujos 30 mil habitantes nunca chegaram a ser retirados como era previsto, os corredores do hospital estão cheios de crianças e idosos que esperam durante várias horas.
O cirurgião Viktor Janaiev estima que um terço dos seus pacientes vêm ao hospital por doenças causadas ou pioradas pelas radiações.
Viúva mostra foto de seu marido, morto no acidente nuclear de Chernobyl, durante ato em memória às vítimas em Kiev nesta quinta-feira (26) (Foto: Sergei Supinsky/AFP)Viúva mostra foto de seu marido, morto no acidente nuclear de Chernobyl, durante ato em memória às vítimas. (Foto: Sergei Supinsky/AFP)
"Muitos não podem se cuidar, visto que os medicamentos subvencionados não são os mais eficazes", e seriam necessários outros remédios, mais caros, explica. O salário mínimo russo é de 6.204 rublos (cerca de R$ 320).
A partir de julho, Novozybkov passará de "zona a ser evacuada" para "zona habitável", e as ajudas econômicas serão reduzidas.
"É uma má notícia", lamenta Janaiev. "As pessoas terão que pagar pelos seus medicamentos, que até agora eram gratuitos. E as crianças não poderão ir ao sanatório no verão", afirma, lembrando que sair da cidade na estação mais quente do ano, quando as radiações são mais fortes, é uma necessidade.
Aleksander, seu paciente, confirma a observação: "Tenho a saúde boa? Depende. Quando estou em outra região, estou ótimo. Aqui, noto as radiações todos os dias", conta. Esse homem de 30 anos, pai de uma menina, gostaria de "ir embora da região". "Mas com que dinheiro? Ninguém nos ajuda", diz com tristeza.
Viver em uma zona contaminada pelas radiações de Chernobyl tem consequências na saúde; porém, é possível limitá-las sempre e quando "se esteja informado", afirma Liudmila Komorgotseva, da ONG russa União pela Segurança Radioativa.
"Mas o governo não faz nada e as pessoas colhem frutas e cogumelos no bosque contaminado", conta.
*com informações das agências AFP e Reuters.
Brinquedo abandonado na praça central de Pripyat. (Foto: Dennis Barbosa/G1)Brinquedo abandonado na praça central de Pripyat. (Foto: Dennis Barbosa/G1)
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Baiano confirma propina para Cunha, mas diz desconhecer contas na Suíça

Lobista investigado na Lava Jato presta depoimento ao Conselho de Ética.
Presidente da Câmara é acusado de manter contas secretas, mas nega.

Fernanda CalgaroDo G1, em Brasília
Em depoimento ao Conselho de Ética da Câmara, o lobista Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano, confirmou nesta terça-feira (26) que repassou pagamentos de propina em espécie ao presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Um dos delatores da Operação Lava Jato, Baiano ressaltou, porém, não ter conhecimento de que o peemedebista tenha contas bancárias no exterior.
O lobista revelou em depoimentos de seu acordo de delação premiada que entregou, no escritório de Cunha, de R$ 1 milhão a R$ 1,5 milhão em dinheiro oriundo do esquema de corrupção que atuava na Petrobras.
Réu em uma das ações penais da Lava Jato, Eduardo Cunha é suspeito de manter contas bancárias secretas no exterior e de ter mentido sobre a existência delas à CPI da Petrobras em março do ano passado. Ele alega que é apenas o "usufrutuário" de fundos geridos por trustes.
“Eu, pessoalmente, entreguei R$ 4 milhões”, disse Fernando Baiano aos integrantes do Conselho de Ética, reforçando que as entregas de suborno sempre foram feitas em dinheiro vivo.
Responsável pela defesa de Cunha, o advogado Marcelo Nobre protestou e disse que as suspeitas de recebimento de propina não faziam parte do processo no colegiado. “Não estamos tratando de recebimento de vantagem indevida”, enfatizou o defensor.
Sobre a acusação de o presidente da Câmara manteria contas secretas no exterior, Baiano contou aos deputados que só soube da suposta existência delas pela imprensa.
“O conhecimento desses fatos é através da imprensa. Não conheço, nunca tive acesso, nunca fiz depósito para o deputado no exterior e, portanto, não posso tratar desse assunto.”
Por uma decisão do vice-presidente da Câmara, Waldir Maranhão, o foco da apuração no colegiado ficou limitado à suspeita de que Cunha teria contas bancárias secretas fora do país.
A decisão foi baseada no relatório preliminar do deputado Marcos Rogério (DEM-RO), que estabeleceu a continuidade do processo. Inicialmente, o relator determinava no seu parecer que Cunha deveria ser investigado por duas suspeitas: a de que omitiu a existência de contas no exterior e a de que teria recebido vantagem indevida.
Na hora da votação, no entanto, para que conseguisse votos suficientes para aprovar o parecer, Marcos Rogério concordou em retirar a acusação sobre a suspeita de recebimento de propina. No lugar, ele colocou uma observação de que a investigação poderia ser ampliada caso surgisse algum outro fato.
Sessão sem imagens
A sessão do Conselho de Ética realizada para ouvir o depoimento de Fernando Baiano no processo que investiga o presidente da Câmara teve início por volta das 14h30.
A defesa do delator da Lava Jato pediu que a reunião não fosse transmitida pela televisão nem fotografada. Por se tratar de um convite, Fernando Baiano não tinha obrigação de comparecer ao Conselho de Ética.
O presidente do Conselho de Ética, José Carlos Araújo (PR-BA), submeteu a solicitação da defesa de Baiano para deliberação do plenário do órgão. Alguns parlamentares se opuseram e sugeriram que a sessão ocorresse a portas fechadas, somente com a presença de deptuados e assessores.
A maioria, no entanto, rejeitou fechar a reunião por completo e decidiu que cinegrafistas tinham de ser retirados da sala. Diante disso, nem a TV Câmara, que registra as sessões e as atividades da Casa, pôde permanecer no plenário do conselho.
Depois da decisão, Fernando Baiano chegou, pouco depois das 15h30, para dar início ao depoimento.
Lava Jato
Em meio ao depoimento ao Conselho de Ética, Fernando Baiano pediu para fazer um "esclarecimento" aos deputados sobre corrupção no qual disse que os pedidos de propina vinham dos próprios políticos e que a oferta de suborno não partia dos empresários.
“Eu acho que há um equívoco. Primeiro quero dizer que respeito muito essa Casa, como respeito as instituições brasileiras, mas em todo lugar tem gente boa e gente ruim. Então, quando tentam agora imputar aos empresários a corrupção, isso não é verdade. A corrupção não começou aqui. Nunca procurei ninguém a não ser nesse caso do deputado Eduardo Cunha, que eu o procurei porque existia uma dívida para ele me ajudar, mas eu nunca procurei nenhum político para oferecer dinheiro. Os pleitos sempre vinham dos políticos, utilizando agentes colocados por eles nas empresas públicas. Então, acho que isso tem que ficar claro. Não são os empresários que são os culpados do que está acontecendo”, declarou o lobista condenado na Lava Jato.
Em depoimentos à Procuradoria Geral da República, Fernando Baiano relatou que Cunha recebeu propina do esquema de corrupção que atuava na Petrobras. O delator disse que entregou uma quantia entre R$ 1 milhão e R$ 1,5 milhão em espécie no escritório de Cunha.
Ele também confirmou informações dadas por outro delator, o empresário Júlio Camargo, de que o presidente da Câmara teria recebido propina de pelo menos US$ 5 milhões por contratos de aluguel de navios-sonda pela Petrobras.
Segundo o relator do processo que investiga Cunha, Baiano teria participado de negociações envolvendo a remessa de recursos para Eduardo Cunha.
Sociedade em propina
Fernando Baiano contou aos deputados ter sido apresentado a Eduardo Cunha em 2009 e que, nos anos seguintes, se encontraram "mais de dez vezes", tanto no escritório político quanto na casa dele, no Rio de Janeiro, inclusive "uma ou duas vezes" depois da deflagração da Operação Lava Jato, em março de 2014.
Em uma dessas conversas, relatou Baiano, Cunha pediu doação de campanha. De acordo com o lobista, ele explicou ao deputado do PMDB que as empresas que ele representava no Brasil eram estrangeiras e não faziam doações fora do seu país de origem. A solução sugerida por Baiano foi Cunha ajudá-lo a cobrar uma dívida de US$ 10 milhões do empresário Júlio Camargo em propina para que um contrato de navios-sonda da Petrobras fosse viabilizado.
"Fui dizer a ele [Julio Camargo] que o pessoal do PMDB estava me cobrando e aí pedi autorização do deputado [Eduardo Cunha] para usar o nome dele e ele me autorizou."
O delator da Lava Jato explicou que, inicialmente, propôs que Cunha ficasse com 20% dos US$ 10 milhões, mas que depois concordou em dar 50%.
Diante da demora de Camargo em pagar a dívida, Baiano recorreu novamente a Cunha e explicou que precisavam fazer a cobrança "de forma mais incisiva". Segundo ele, o peemedebista apresentou um requerimento na Comissão de Fiscalização da Câmara pedindo informações sobre os contratos dos navios-sonda com o objetivo de pressionar o empresário.
"Acho que já em abril [de 2011], ele voltou para mim e me perguntou sobre os negócios do Júlio junto à Petrobras. [Disse] que a ideia dele seria fazer uma petição junto à Comissão de Fiscalização da Câmara para que a Petrobras informasse sobre os negócios do Júlio e as empresas representadas por ele junto à Petrobras", disse. "Foi uma forma de pressão para que o Júlio pagasse porque era uma dívida que vinha se arrastando por mais de três anos", justificou.
Processo de Cunha
Instaurado em novembro, o processo que investiga Cunha se arrasta há cerca de cinco meses.
Somente uma testemunha foi ouvida até o momento, o doleiro Leonardo Meirelles, ex-sócio do doleiro Alberto Youssef.
Nesse caso, também foi feito pedido para que a Câmara pagasse a passagem dele de São Paulo a Brasília. A Câmara não pagou e informou, depois que o depoimento já tinha ocorrido, que iria estudar eventual ressarcimento.
Em seu depoimento, Meirelles contou que, a pedido de Youssef, emprestou empresas de fachada para receber US$ 5,1 milhões que depois teriam sido repassados, em dinheiro, para Cunha.

Microcefalia: casos confirmados chegam a 1.198, segundo ministério

Deste total, 194 tiveram teste positivo para o vírus da zika.
Desde 22 de outubro, o Brasil já teve 7.228 notificações de microcefalia.

Do G1, em São Paulo
 Exame de imagem revela danos cerebrais de bebês com microcefalia (Foto:  BMJ 2015/ http://www.bmj.com/cgi/doi/10.1136/bmj.i1901 )Exame de imagem revela danos cerebrais de bebês com microcefalia (Foto: BMJ 2015/ http://www.bmj.com/cgi/doi/10.1136/bmj.i1901 )
O número de casos confirmados de microcefalia no Brasil chegou a 1.198. Ao todo, foram 7.228 notificações desde o início das investigações, em 22 de outubro, até 23 de abril. Segundo a pasta, 2.320 casos foram descartados e outros 3.710 casos ainda estão sendo investigados.
Os dados são do boletim divulgado pelo Ministério da Saúde nesta terça-feira (26). Dos casos confirmados de microcefalia, 194 tiveram teste positivo para o vírus da zika.
Estados
O estado com maior número de casos confirmados ainda é Pernambuco, com 334 casos, seguido da Bahia, com 221, Paraíba, com 112, e do Maranhão, com 99.
Desde 22 de outubro, houve 251 notificações de mortes por microcefalia ou outras alterações no sistema nervoso central durante a gestação ou após o parto. Deste total, 54 óbitos foram confirmados para microcefalia e alterações do sistema nervoso central, 30 foram descartados e 167 continuam sob investigação.
Zika: mais de 91 mil casos em 2016
O vírus da zika já circula em todas as unidades da federação, segundo o Ministério da Saúde. Nesta terça-feira, a pasta divulgou, pela primeira vez, o número de casos prováveis de zika no país. Foram 91.387 notificações da doença neste ano, até 2 de abril, o que corresponde a uma taxa de incidência de 44,7 casos por 100 mil habitantes. Do total, 31.616 foram confirmados.
Até o momento, o Ministério da Saúde só divulgava em seus boletins quantos estados tinham tido notificações de zika e o número de casos de microcefalia provavelmente relacionados ao vírus, mas não o número de casos da doença no país, por isso esse dado é inédito.
Do total de notificações, 7.584 foram em gestantes, dos quais 2.844 foram confirmados por critérios clínico-epidemiológicos ou laboratoriais.
A região centro-oeste teve a maior taxa de incidência: 113,4 casos por 100 mil habitantes.
O estado com maior número de casos prováveis de zika é o Rio de Janeiro, com 25.930 notificações, seguido por Bahia (25.061), Mato Grosso (16.055) e Minas Gerais (6.693). São Paulo teve 1.500 notificações.
Houve três mortes por zika confirmadas laboratorialmente: uma em São Luís (MA), uma em Benevides (PA) e uma em Serrinha (RN).

domingo, 24 de abril de 2016

Israel liberta palestina de 12 anos após dois meses de detenção

Palestina mais jovem a ser detida foi condenada por querer atacar israelenses. Quase 100 palestinos com menos de 16 anos estão detidos no país.
24/04/2016 12h52 - Atualizado em 24/04/2016 12h52

France Presse
Da France Presse

Pai abraça Dima al-Wawi, palestina mais jovem a ser presa em Israel, após sua libertação (Foto: Jaafar Ashtiyeh/AFP)
Pai abraça Dima al-Wawi, palestina mais jovem a ser presa em Israel, após sua libertação (Foto: Jaafar Ashtiyeh/AFP)
Uma menina de 12 anos, a palestina mais jovem a ser detida por Israel, segundo o advogado de defesa, foi libertada neste domingo (24) depois de ter sido condenada a uma pena de prisão por querer atacar israelenses.
Após dois meses de detenção, Dima al-Wawi saiu da prisão em Israel e foi levada para um posto de controle em Tulkarem, norte da Cisjordânia ocupada, onde se reuniu com os pais.
A menina foi recebida com a família na sede do governo de Tulkarem, onde as autoridades palestinas denunciaram a situação dos prisioneiros palestinos em Israel.
Natural de Halhul, perto de Hebron (sul da Cisjordânia), a menor foi detida em 9 de fevereiro, quando os ataques com faca de palestinos, geralmente jovens e em várias oportunidades mulheres, eram quase diários.
O vídeo da detenção mostra a menina de uniforme escolar, se aproximando de uma colônia israelense na Cisjordânia. Ela foi interrogada pelo guarda armado na entrada da colônia antes que um morador, com trajes civis, retirasse a faca que transportava e a deixasse no chão até a detenção por parte de soldados.
Um tribunal militar, o único com competência nos territórios ocupados, pediu o indiciamento por "tentativa de homicídio com premeditação e posse de faca" e a condenou a quatro meses e meio de prisão, assim como a um mês e meio de prisão condicional, além do pagamento de uma multa de 8.000 shekels (1.900 euros).
Em 11 de abril, seu advogado, Tariq Barghouth, anunciou que o pedido de libertação antecipada para a menina, "a palestina mais jovem que já foi detida", havia sido aceito.
A lei israelense autoriza a justiça militar a julgar pessoas com mais de 12 anos, algo insólito no mundo, segundo o Unicef. Atualmente, quase 450 menores palestinos estão detidos em Israel, quase 100 deles têm menos de 16 anos

10 frases de Telê Santana explicam a falta que ele fez nos últimos 10 anos


UOL Esporte
21/04/2016 - 06:00

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Há exatos 10 anos, o futebol perdia Telê Santana, ídolo do São Paulo e mestre do futebol bem jogado pela seleção brasileira na Copa de 1982. Além de seus títulos e sua contribuição para o esporte, Telê também será lembrado por suas frases marcantes. Algumas delas ajudam a resumir sua própria trajetória:
1. “Eu gosto de futebol. Se tiver uma pelada na rua, eu paro para ver”
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Foi com muita vontade e correria dentro de campo que o então jogador do Fluminense virou xodó da torcida na década de 50 e ganhou o apelido “Fio de Esperança”, por ser um jogador franzino, mas que não se entregava. Foi um dos primeiros atacantes a perceber a importância de ajudar os meias na marcação.

2.“Atingir a perfeição é impossível. Mas aproximar-se cada vez mais dela, não”

A carreira de treinador decolou depois do bom trabalho no Palmeiras, em 1979, que o levou à seleção. Como comandante, seu mantra era a busca pela perfeição, através da repetição incansável de jogadas e fundamentos técnicos.

3. “Futebol é arte, é diversão, sem chutão pra frente”

Telê queria que seus times jogassem com simplicidade e objetividade, em direção ao gol e sem prender a bola. Foi assim que a seleção brasileira encantou o mundo na Copa de 1982, contando ainda com o talento de Zico, Sócrates, Falcão e companhia.

4. “Se jogador do meu time faz falta por trás, ou entra para quebrar o adversário, o juiz nem precisa expulsar. Eu mesmo tiro de campo”

Telê conversava muito com os jogadores, mas também era exigente e até autoritário. Como na história contada pelo ex-lateral Josimar na Copa de 1986: as cobranças do técnico chegaram a virar bullying, mas deram resultado.

5. “Se for para mandar meu time matar a jogada, dar pontapé no adversário ou ganhar com gol roubado, prefiro perder o jogo”
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E ele perdeu. Duas vezes. As derrotas nas Copas de 1982 e 1986 renderam a Telê Santana a fama de “pé-frio”, apesar da capacidade de fazer seus times jogarem bonito. Mas os grandes títulos ainda estavam por vir…

6. “Fizemos o que deveria ser feito, e desejo sinceramente que, de agora em diante, com a ajuda de técnicos, dirigentes, jogadores, imprensa e torcida, façamos sempre a bola correr dentro de campo”
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Declaração de Telê Santana à revista Placar depois da eliminação da Copa de 1982, resumindo seus primeiros dois anos de trabalho na seleção brasileira.

7. “Já não tenho amor pelo futebol. Só volto a ser técnico se precisar de dinheiro”.
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Desabafo de Telê depois da derrota nos pênaltis para a França na Copa de 1986. Irritado com críticas da imprensa, disse ainda que o futebol era um meio “nojento”.

8. “O futebol é minha vida e não consigo me afastar dele. Sou um fanático”

A decepção de 1986 não o afastou do futebol por muito tempo. Um ano depois, assumiu o comando do Atlético-MG. Em 1990, chegaria ao São Paulo, onde viveu a fase mais vitoriosa da carreira, marcada pelo bicampeonato mundial.

9. “Malandro é o cara que age direito”
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Para Cafu, esta foi a frase mais marcante que ouviu de Telê Santana em sua era vitoriosa no São Paulo. Naquela época, o mestre foi responsável por moldar jogadores como Raí, Müller e o próprio Cafu.

10. “Com a doença, fiquei mais compreensivo, mais calmo, menos exigente. Mas continuo ranzinza.”
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Sua trajetória no São Paulo foi encerrada em 1996, quando sofreu uma isquemia cerebral e foi obrigado a se afastar do trabalho. Em 2003, por causa da doença, chegou a ter parte da perna esquerda amputada. Antes de partir, pôde acompanhar de casa à nova consagração do São Paulo no Mundial de Clubes, em 2005

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