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sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

"Escola de predadores": curso ensina como abordar mulheres na balada

  • Chris Von Ameln/Agência Pública
    Curso ensina técnicas para "pegar mulher"; aulas práticas acontecem em ruas e baladas
    Curso ensina técnicas para "pegar mulher"; aulas práticas acontecem em ruas e baladas
Nosso repórter passou pelo treinamento de PUA em um fim de semana e conta o que viu e ouviu nas aulas práticas e teóricas para aprender a "pegar" mulher
"Este final de semana vocês não tem uma autoimagem, deixem o ego de vocês em casa, ele não será útil" (…) "quem resistir a qualquer comando deste bootcamp, vai enfrentar desafios maiores ainda impostos pela gente como retaliação. Mulher não abre a perna pra cara meia-bomba. Nem nós treinamos cara meia-bomba. Tragam a Atitude que sairão HOMENS na segunda-feira".
Ilustrado com imagens de Gerard Butler interpretando o Rei Leônidas no filme "300", o texto fazia parte do kit de saudação aos novos alunos do treinamento (bootcamp) de PUA (Pick-up Artist) –em português, "arte de pegar mulher"– no grupo secreto do BC no Facebook. Recebi um convite para entrar no grupo depois de confirmado o pagamento de R$ 1.200,00 para o curso de fim de semana. Ali também estava o cronograma das aulas práticas e teóricas sobre como ter sucesso com as mulheres e o endereço do nosso ponto de encontro na noite de sexta-feira.
Seguindo as orientações do Facebook, cheguei às 20h a casa do instrutor C, pronto para ir para a balada. Vesti camisa de botão, calça jeans e sapatênis pretos –tênis de corrida são "expressamente" proibidos, assim como o consumo de álcool durante todo o fim de semana. Logo na porta, encontrei um jovem alto e moreno, que se apresentou como um de meus colegas de curso. C chegou em seguida e nos levou para dentro de um apartamento térreo no Paraíso.
A decoração da sala se resumia a uma mesa com dois computadores, um pequeno sofá, onde eu e meu colega nos sentamos, e um tripé, provavelmente usado por C para gravar seus vídeos; o canal da empresa no Youtube tem quase 5.000 seguidores. Na parede, havia um pôster de uma mulher vestida de "supergirl". Entre os objetos na mesa, notei uma caneca com a inscrição "I Love My Penis".
C ligou um dos computadores e começou a falar sobre o curso. Orgulhoso, exaltou os diferenciais de sua empresa em relação à concorrência. "Vocês sabem que têm outros cursos desses, né? Aliás, o que vocês conhecem sobre isso? Já leram bastante?". Dissemos que pouco sabíamos, ele ficou feliz. "Tem muita besteira por aí, melhor pegar assim do zero". A campainha tocou. Era M, um jovem que nos foi introduzido como assistente de C. Como seu mestre, M é relativamente baixo, mas possui braços fortes. Os dois são de idades e estilos bem diferentes. Acima dos 30, C tem visual militar. Cabelo curto, cara limpa e roupas em tons sóbrios. M é mais despojado. Tem 19 anos, cabelo bagunçado e barba longa. Vestia calça jeans, tênis colorido de cano alto e uma regata que parecia ser de uma academia de Muay Thay por debaixo de um casaco de couro sintético.
O professor quis conhecer os alunos. Perguntou onde morávamos, idade e por que decidimos fazer o curso. Meu colega se apresentou primeiro: 19 anos, morador de uma cidade na região metropolitana de São Paulo. Entrou no bootcamp para ser "foda", aprender a "pegar mulher pra caralho". Falei de forma genérica que queria melhorar meu relacionamento com mulheres. Comentei que descobri o curso após a polêmica com o suíço Julien Blanc. Instrutor e assistente riram quando mencionei seu nome. Não aprovam suas técnicas. Acham que Blanc faz de tudo para aparecer e consideram suas declarações "brincadeiras de mau gosto" feitas para chamar atenção. A repercussão do caso, no entanto, parece ter sido boa para a "comunidade", pois ampliou a visibilidade dos cursos.
Um terceiro aluno não participou da primeira aula, pois veio de ônibus de outro Estado, numa viagem de mais de 15 horas. Segundo o instrutor, os grupos de bootcamp são sempre reduzidos.
C fez mais algumas perguntas para entender melhor os problemas dos alunos e prosseguiu para as instruções práticas da balada.
Três regras básicas:
1) Olhou? Gostou? Vá até ela;
2) Quando falar com uma mulher, fale "como homem", não como "amiguinho". Deixe claro seu interesse;
3) Se divirta no processo.
Atendendo a pedido do instrutor, o assistente M se levantou e assumiu o papel de mulher. Após sugestão dos alunos, ele passa a se chamar "Mari" por alguns minutos. Usando Mari como exemplo, C nos ensinou a se aproximar de uma desconhecida na balada. Ao se apresentar, o homem deve cumprimentar a mulher com um beijo no rosto. Dessa forma, explicou, ela começa a se familiarizar com seu toque. É fundamental manter o olhar fixo nos olhos da mulher. O tom de voz tem de ser firme, alto. "Não pode soar como alguém que implora por atenção". E, o mais importante, é necessário se posicionar bem próximo da garota, para ter "fisicalidade". C ficou a um palmo do rosto de seu assistente. "Quando você chegar assim perto dela pra conversar, ela vai sentir um desconforto, não vai? O que é esse desconforto?". Pensei em várias respostas, todas erradas. "Esse desconforto é tensão sexual", afirmou. "Ela provavelmente vai andar pra trás. Continua conversando e depois chega perto de novo".
O assistente, no papel de Mari, se afastou. C chegou mais perto. A conversa deve se desenvolver como uma pequena perseguição. Se a mulher recuar, o homem avança. Se ela não se mexer, quer ser beijada. Perguntei qual o momento de parar se a mulher desse muitas demonstrações de não estar interessada. C se mostrou incerto. Após uns segundos pensando, disse que se a menina não for embora ou ameaçar chamar o segurança, não há motivo para desistir. "E se ela te mandar embora?", perguntei. "Ué, ela comprou aquele lugar na balada? Se ela não estiver gostando, ela sai".
Cabe à mulher encerrar a abordagem. Mesmo que deixe claro que não está interessada, se a presença do homem a incomoda, é ela quem deve se mover. Outra afirmação do professor me provocou estranheza: "Não existe esse negócio de mulher ir pra balada pra se divertir. Mulher vai pra balada pra dar. Se quisesse se divertir ficava em casa vendo um filme com as amigas". Havia alguma irreverência no discurso, sem que fosse possível saber o quão sério o instrutor falava --muito menos imaginar o que os alunos compreenderam disso.
E sobre o que devemos conversar com as meninas? "Fale do que você gosta. Seja você mesmo. Do que vocês gostam?". Contei do meu interesse por música, futebol e política. "Conversar de futebol com mulher é osso. Política também não é uma boa… foca na música. Uma coisa que vocês têm que ter na cabeça é que vocês não estão ali pra agradar a mulher, para entretê-la. Vocês têm que fazer o lance pra vocês, falar do que vocês querem. Se ela não gostou, o problema não é seu. Se você for você mesmo e ela não gostar, vocês não combinam. É melhor para os dois que isso fique claro".
Havia nas instruções uma linha tênue entre sinceridade e simplesmente ignorar o que a mulher pensa. Diante de minhas preocupações, o 'roommate' de C, que chegou no meio da aula e se sentou na sala, interrompeu: "Não tenta se botar no lugar da mulher. Mulher é um bicho completamente diferente do homem, pensa de maneira diferente. Eu só fui me dar bem na vida quando percebi isso". Instrutor e assistente pareceram concordar.
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Campanha ''Não mereço ser estuprada'' bomba na internet47 fotos

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A funkeira Valesca Popozuda também participou da campanha Não Mereço Ser Estuprada, que propõe que internautas tirem a roupa e se fotografem segurando um cartaz contra a violência sexual. Valesca publicou uma foto no Instagram na noite de domingo (30), na qual aparece nua segurando um bastão de beisebol. Abaixo da imagem, lê-se a frase "De saia longa ou pelada #não mereço ser estuprada". O protesto online é uma reação a uma pesquisa do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) que revelou que a maioria dos brasileiros acha que mulheres com roupas expondo o corpo merecem ser atacadas Leia mais Reprodução/Twitter
C foi tomar banho para irmos para a balada. Antes de deixar a sala, colocou uma playlist de videoclipes com mulheres seminuas em seu computador. Disse que era para nos "inspirar" para a noite. Nosso destino era a Yacht, casa noturna na Treze de maio. Antes, porém, faríamos um "aquecimento" na rua Augusta.
Saímos da estação Consolação e descemos rumo ao baixo Augusta. No caminho, instrutor e assistente se desafiaram. C escolheria 2 mulheres para M abordar, e vice-versa. A ideia era nos deixar mais confortáveis com as abordagens e, principalmente, as rejeições. Quando C se aproximou do primeiro alvo, apontado pelo assistente, parou a abordagem no meio e voltou rindo. Era uma travesti. "Porra, era um traveco. Essa não valeu".
O procedimento era quase sempre o mesmo. Se a menina estivesse de costas, um leve toque no ombro e, quando ela se virasse, um aceno de mão, seguido de cumprimento com beijo na bochecha e apresentação. Muitas se afastaram de primeira, talvez assustadas com a aproximação de um estranho em trechos escuros da calçada. C e M também pararam para conversar com moças que bebiam em frente aos bares da Augusta. A maior parte das meninas pareceu não se interessar pelos instrutores, mas eles não se importavam.
Depois de algumas demonstrações, chegou a vez dos alunos. "Chega em qualquer uma, gorda, zuada, só pra tirar a zica", insistiam os professores. Animado, meu colega realizou uma série de abordagens. Fiz de tudo para enrolar e consegui chegar à Yacht sem falar com nenhuma desconhecida na rua Augusta.
Talvez sensibilizado com minha timidez, C decidiu quebrar o protocolo e tomamos uma cerveja em frente à casa noturna. Depois de duas garrafas --sem a participação do assistente, que não bebe--, entramos na Yacht. Não pagamos a entrada, pois o promoter da festa era também um instrutor de PUA, amigo de C, que nos colocou na lista VIP.
Demos uma pequena volta para conhecer a casa. Além da pista, havia um espaço externo, onde era mais fácil conversar com as garotas. Fomos chamados a entrar em ação. "As cinco primeiras nem valem, hein? Chega em qualquer uma". Meu colega se mostrou um aluno exemplar. Quando recebia uma ordem, obedecia sem pestanejar. Logo havia abordado praticamente todas as mulheres da festa, como queriam os instrutores.
Além de treinar abordagens, o objetivo de falar com muitas garotas logo ao chegar na balada é identificar as que oferecem uma oportunidade de sucesso na noite. Caso o aluno "dê a sorte" de ficar com alguém logo de início, no entanto, não deve perder muito tempo com a pessoa. "Fala pra ela que você foi pra balada pra se divertir seus amigos, pede o telefone e mais tarde se você quiser pega ela de novo". Em seu apartamento, C dividiu as mulheres de uma festa em 3 categorias: receptivas, neutras e negativas –a classificação se refere a maneira como elas reagem à sua abordagem. Como somos iniciantes, recomendou que apostássemos nas receptivas e neutras. Ele próprio, revelou, prefere ir atrás das negativas. O desafio é maior.
Na balada, como em todo o bootcamp, instrutores não desgrudam dos alunos. A experiência se assemelha a aulas práticas para tirar carteira de motorista. Eles têm códigos combinados para 'pilotar' seus aprendizes durante as abordagens. Posicionam-se atrás das meninas e, se necessário, fazem sinais para orientar o aluno a falar mais alto ou se aproximar da garota, tudo isso sem que ela perceba.
Não apresentei a mesma postura proativa de meu colega. Diante de minha falta de iniciativa de me aproximar das meninas na Yatch, C se manteve calmo. Tentou me ajudar a vencer meu "bloqueio" de diversas formas. Seu assistente, por outro lado, ficou impaciente. Apontava meninas incessantemente e se irritou com minha teimosia. Questionou meu interesse no curso. Disse que eu estava jogando dinheiro fora.
Fiz o possível pra me desvencilhar dele. Na pista, vi um jovem se aproximar de maneira ostensiva de uma menina. A expressão dela era clara: não havia interesse. Ele segurava na cintura da garota, que recuava insistentemente. Por mais que ela se afastasse, ele não desgrudava, até se aproximarem de uma parede. "Esse aí tá mandando bem. Ela não tá curtindo muito, mas ele tá fazendo certo", comentou C.
Quando o relógio marcou 4h, disse que estava cansado e fui embora. Não houve protesto.
No dia seguinte, encontrei meus mestres na avenida Paulista. Era a hora do daygame. À luz do dia, tínhamos que nos aproximar de desconhecidas na rua. O rapaz que veio de outro Estado chegou de manhã e participou também da atividade.
Como meu outro colega, o jovem se mostrou animado. Abordou dezenas de moças na Paulista sem nenhum constrangimento. Não éramos o único grupo na região. Em frente ao Center 3 e ao Reserva Cultural, outros alunos e instrutores de PUA se aglomeravam à procura de alvos. Muitos dos professores dos outros grupos são ex-alunos de C. Há alguma rivalidade entre os cursos.
As orientações para abordar mulheres nas ruas são quase as mesmas da balada. Diga 'oi', cumprimente com beijo no rosto e comente algo sobre ela. Diga que ela é bonita, que a bolsa dela é estilosa, qualquer coisa. "O que você fala não importa muito", nos disse C. Após alguns minutos de conversa, a recomendação é de tentar levar a mulher para algum lugar, chamar para tomar um café, sorvete ou até uma cerveja. "É importante você movimentar a mulher. Com isso ela vai se acostumando a ser comandada por você", explicou-me o assistente.
As regras espaciais da noite são válidas também na rua. Em uma demonstração para os alunos, o instrutor se aproxima de uma moça em um ponto de ônibus. Ela não manifesta o menor interesse na conversa, mas ele não recua. Após alguns minutos, a jovem vai embora sem pegar o ônibus. Segundo o instrutor, ela disse que foi encontrar uma amiga. "Você não acha que ela inventou isso só pra sair da situação?", perguntei. A resposta: "Isso não é problema meu". Toda vez que me preocupei sobre mulheres não gostarem das aproximações, a resposta foi a mesma: não é problema do homem.
Nas conversas do daygame do sábado, conheci um pouco melhor meu instrutor. Anos atrás, tentando curar uma suposta depressão, C descobriu as técnicas de PNL (Programação Neurolinguística) em práticas de yoga. Durante pesquisas sobre o tema, soube de pessoas que usavam a ciência na sedução de mulheres. Mais tarde, já "curado" e solteiro, resolveu testar a PNL na pista. Seguiu estudando até se se tornar um PUA.
Não era fácil conversar durante o daygame. Alunos e professores costumam fazer desafios. É estabelecido um tempo, começando com cinco minutos e, quem não conseguir falar com uma mulher nesse período, será punido. O castigo é abordar um homem ou "uma velha". E não basta falar 'oi'. Membros vão verificar se o perdedor está mesmo seduzindo a pessoa escolhida para a punição. Praticamos o desafio algumas vezes, reduzindo o tempo a dois minutos. Até mesmo os instrutores ficaram nervosos com a pressão, mas ninguém foi derrotado. Fomos liberados das atividades às 19h30.
No meio do segundo dia de bootcamp, já estava saturado. Procurei amigos para aproveitar meu intervalo até às 23h. Queria algumas horas de conversa normal, um intervalo sem receber ordens de ninguém para abordar mulheres. Mas às 23h10 eu estava pronto para uma nova balada em frente ao Center 3.
Novamente descemos a Augusta abordando desconhecidas. Desta vez, a balada escolhida ficava na própria rua. Entramos na Blitz Haus pouco depois da meia-noite. O cenário era bem diferente da primeira festa. A casa estava cheia e o público mais animado que na noite anterior. Instrutor e assistente se desafiaram mais uma vez. O combinado era: se um dos dois ficasse com uma menina, teria que pegar mais 5 ou "comer" uma. As opções eram ficar com seis meninas, fazer sexo com uma ou não ficar com ninguém. Quem desrespeitasse a regra ficaria proibido de sair com qualquer menina por uma semana.
Na pista lotada, alunos não tinham descanso nem quando conseguiam ficar com alguém. Enquanto beijava uma menina, um aluno foi avisado pelo assistente: "Tá bom já, vai atrás de outra". Como técnicos à beira do campo, os instrutores repetiam as orientações do treinamento: "Não esquece de fazer as três perguntas: com quem você veio, como vai embora e o que vai fazer amanhã, assim você sabe qual têm mais chance de levar pra casa". Moças sozinhas eram vistas como atacantes livres, que os alunos, como zagueiros, tinham que marcar. "Vai naquela", repetiam, apontando.
Questões mais íntimas também entraram em pauta. "Você dedou a mina? Tem que dedar a mina", disse o assistente, pressionando um aluno que acabara de ficar com uma menina. Embaraçado, ele respondeu: "Ela não me deixava nem encostar na barriga dela, mandava tirar a mão". "Ignora", respondeu o assistente, rindo. Novamente, não era possível saber se ele falava sério nem o efeito da orientação na cabeça do aluno. "Não pode pegar 'pau mole', tem que pegar firme. Tenta comer uma mina no banheiro", orientou.
A noite terminou com um vencedor. Um colega de turma conseguiu "dar o pull" –sair da balada acompanhado, no vocabulário PUA. No dia seguinte, foi festejado por instrutores e colegas. C fez apenas uma pergunta sobre a continuação da noite: "Você não transou sem camisinha, né?", o jovem respondeu que não.
Minha tarde de domingo se arrastou em mais abordagens constrangedoras, desafios e a constante ameaça de ter que seduzir uma idosa ou um homem. Concluímos o bootcamp em um bar da região. Agora aguardo meu feedback em vídeo.
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Arte de rua combate assédio disfarçado de elogio4 fotos

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Desenho de mulher anônima, colado em um muro, mostra a mensagem "As mulheres não buscam sua aprovação". O assédio verbal de rua é a agressão à mulher menos documentada e mais difícil de classificar em termos legais, apesar de sua incidência superar os 80% entre adolescentes e jovens, segundo os estudos da organização sem fins lucrativos 'Stop Street Harassment' (Pare com o assédio de rua, em tradução livre)Leia mais Tatyana Fazlalizade/Efe

Pesquisa: 81% das mulheres já deixaram de fazer algo por medo de assédio

  • Reprodução/Think Olga
    Trecho de infográfico da pesquisa Chega de Fiu Fiu
    Trecho de infográfico da pesquisa Chega de Fiu Fiu
"Eu tinha uns 11 anos. Era Carnaval, as ruas cheias. Eu era uma criança. Um homem passou a mão em mim e acariciou meu cabelo dizendo 'fooofa' mostrando a língua depois".
"Já estava perto de dobrar a esquina da rua onde moro a noite. Um cara vinha na direção contrária a minha. Quando chegou perto disse 'quer chupar meu pau?' Pensei logo que seria estuprada porque a esquina da minha rua é bem deserta".
"Eu tinha 10 anos, estava andando de bicicleta e um cara, que veio andando de bicicleta, passou do meu lado e apalpou minha bunda. Fui para casa chorando muito. Eu tinha me sentido invadida, mas não tinha entendido o que tinha acontecido".
"Andava a pé até a academia quando tinha 15 anos. Como, com o tempo, comecei a ficar muito incomodada com as cantadas, olhares, motoqueiros buzinando, acabei decidindo colocar uma calça de moletom e uma camiseta por cima da roupa de academia".
"Escolho minhas roupas todos os dias pensando nos lugares por onde vou andar, que ônibus vou pegar para evitar cantadas".
Esses são alguns depoimentos obtidos na pesquisa realizada pelo site Think Olga com 7.762 mulheres no segundo semestre de 2013 para a campanha "Chega de Fiu Fiu". A intenção era fazer com que as mulheres falassem sobre os sentimentos e experiências ao receber "cantadas" nas ruas. Se você é mulher, certamente tem ao menos um relato parecido e, se não for, pode perguntar para a mulher que está ao seu lado agora ou para sua mãe, amiga, namorada, filha, colega de trabalho: todas terão histórias semelhantes para contar.
Nenhuma delas envolverá alegria ou gratidão. A maioria falará em raiva e medo. Na pesquisa citada, 81% das mulheres disseram que já deixaram de fazer alguma coisa (ir a algum lugar, passar na frente de uma obra) com medo de assédio, 90% disseram já ter trocado de roupa pensando no lugar onde iriam por medo de assédio e 83% declararam não gostar de receber cantadas.
Reprodução/Think Olga
Na pesquisa do site Think Olga, 73% das entrevistadas disseram não responder às cantadas na rua. A maioria por medo
Em entrevista à Pública, a jornalista Juliana de Faria, idealizadora da campanha, conta que decidiu dar voz às mulheres a respeito do assédio de rua depois de ter passado por situações abusivas e perceber o quanto isso era naturalizado pelas pessoas: "Eu sempre fui vítima de assédio sexual. A primeira vez aconteceu quando eu tinha 11 anos, foi um assédio verbal e me chocou muito. Eu estava esperando para atravessar a rua de casa e um carro diminuiu a velocidade e começou a falar coisas que eu nem entendi na hora mas me assustaram tanto que eu comecei a chorar. Aí no caminho de volta uma senhora me perguntou porque eu estava chorando, eu contei e ela disse 'ah que bobagem, você deveria estar feliz, na minha idade você vai sentir falta' e ali eu já entendi que não podia falar a respeito disso. Com 13 anos eu sofri um abuso físico, quase um estupro. Saindo do metrô o cara me puxou pelo braço falando que ia me comer e eu consegui me desvencilhar porque ele estava bêbado demais. Mas se ele não estivesse tão bêbado como isso iria acabar? Nunca falei disso publicamente porque sentia essa resistência, quase como se fosse uma frescura. Aí quando teve aquele caso do Gerald Thomas, que enfiou a mão por dentro do vestido da Panicat, que foi horrível, eu vi amigos meus defendendo aquilo. Gente que eu conhecia, amigos meus defendendo essa cultura de estupro. Foi um wake up call para começar esse trabalho".
O site começou a publicar ilustrações e abriu espaço para as mulheres contarem suas experiências. O próximo passo foi montar um mapa interativo para que as mulheres apontem os locais onde sofreram assédio. "Uma menina me escreveu dizendo que viu que em um bar na rua dela tinha muita denúncia, então ela imprimiu e levou pro dono do bar".
Reprodução/Think Olga
Campanha "Chega de Fiu Fiu"
A Chega de Fiu Fiu está preparando um documentário –atualmente aberto a doações no Catarse--, com meninas usando óculos com câmeras que gravam as abordagens que sofrem ao longo do dia. Recentemente, a campanha também publicou, em parceria com o Nudem (Núcleo Especializado de Promoção e Defesa dos Direitos da Mulher) da Defensoria Pública de São Paulo uma cartilha explicando o que é assédio sexual, porque é um comportamento nocivo, como denunciar e como encaixá-lo na lei. A cartilha está sendo distribuída em São Paulo e pode ser compartilhada, reproduzida e impressa.
Recentemente, o Instituto Avon, em parceria com o Data Popular, anunciou os resultados da pesquisa "Violência Doméstica: o jovem está ligado?" que entrevistou 2.000 jovens entre 16 e 24 anos. Do total, 68% das mulheres declararam já ter levado uma cantada ofensiva; 96% reconhecem a existência de machismo no Brasil; 66% das mulheres afirmaram positivamente quando questionadas (com base em uma lista de agressões apresentadas) terem sofrido algum tipo de ataque; 55% dos homens admitiram ter xingado, empurrado, ameaçado, ter dado tapa, impedido de sair de casa, proibido de sair à noite, impedido o uso de determinada roupa, humilhado em público, obrigado a ter relações sexuais, entre outras agressões e 44% mulheres afirmaram terem sido tocadas ou assediadas por homens em festas.
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Campanha ''Não mereço ser estuprada'' bomba na internet47 fotos

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A funkeira Valesca Popozuda também participou da campanha Não Mereço Ser Estuprada, que propõe que internautas tirem a roupa e se fotografem segurando um cartaz contra a violência sexual. Valesca publicou uma foto no Instagram na noite de domingo (30), na qual aparece nua segurando um bastão de beisebol. Abaixo da imagem, lê-se a frase "De saia longa ou pelada #não mereço ser estuprada". O protesto online é uma reação a uma pesquisa do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) que revelou que a maioria dos brasileiros acha que mulheres com roupas expondo o corpo merecem ser atacadas Leia mais Reprodução/Twitter

Bebê Sofia completa um ano com nova internação em UTI nos EUA

Passar o primeiro aniversário longe da UTI (Unidade de Terapia Intensiva). Esse é o pedido de Natal de Patrícia Gonçalves, mãe da bebê Sofia Gonçalves de Lacerda, que completa um ano em 24 de dezembro. Ela foi internada no último sábado (13), após uma infecção bacteriana e segue em tratamento intensivo desde então. Os médicos dizem, porém, que não há previsão de alta.
Portadora da Síndrome de Berdon, condição rara que compromete o funcionamento do sistema digestório, Sofia espera um transplante multivisceral, que inclui estômago, fígado, pâncreas e intestinos, no Jackson Memorial, hospital de Miami especializado no procedimento. O transplante é a única opção que garante a vida de Sofia e o tratamento é pago pelo SUS.
"Seria o nosso maior presente ela deixar a UTI. Por enquanto, estamos combatendo a infecção, mas não sabemos se ela terá alta ou não", afirma Patrícia. Segundo ela, a filha está tomando três tipos de antibiótico para vencer a infecção.
O médico Rodrigo Vianna, especialista brasileiro que chefia o setor de transplantes do Jackson Memorial, diz que Sofia chegou ao hospital com uma febre muito alta, na casa dos 41 graus, mas já foi medicada. "Sofia tem problemas de imunidade como decorrência da síndrome e foi diagnosticada com uma infecção grave. A infecção não foi vencida, mas a condição está controlada", diz. "Ela não tem, no entanto, previsão de alta".
Sofia aguarda o transplante desde julho, quando chegou aos Estados Unidos, depois que uma decisão judicial determinou que o SUS (Sistema Único de Saúde) bancasse o custo do precedimento, que é de US$ 1,2 milhão.

Papai Noel

Nas redes sociais, Patrícia Gonçalves informou que Sofia está bem, embora internada na UTI, e que recebeu, nesta sexta-feira (19), a visita do Papai Noel. "Fiquei surpresa por ela não ter estranhado. Ficou olhando e sorrindo", disse a mãe. "Não posso deixar de pedir que continuem nos ajudando em orações para que ela fique boa logo", escreveu.
Segundo Patrícia, se sair da UTI, a bebê Sofia deve ter uma festa de aniversário no apartamento onde a família mora atualmente em Miami. "Uma brasileira que trabalha com buffet infantil, além de outra amiga, querem dar uma festinha para Sofia", disse a mãe, ressaltando que a festa seria neste sábado (20). "Era uma data boa para todos, mas agora precisamos ver como vai ficar".
A menina Sofia Gonçalves de Lacerda, de 11 meses, que sofre de uma doença rara e está na fila de transplantes nos Estados Unidos, foi internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Jackson Memorial Hospital, em Miami, após ser atacada por bactérias.

A mãe, Patrícia Lacerda, usou as redes sociais nesta quinta-feira para pedir uma corrente de oração pela filha. Primeira na fila do transplante multivisceral, que inclui estômago, fígado, pâncreas e intestinos, ela precisa estar bem de saúde caso apareça um doador.
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Bebê com doença rara faz transplante pago pelo SUS nos EUA23 fotos

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30.ago.2014 - A bebê Sofia Gonçalves de Lacerda, de oito meses, deixou, no início da tarde deste sábado (30), o Jackson Memorial Hospital, na Flórida (EUA), onde estava internada desde o dia 2 de julho. A menina, portadora de uma síndrome rara, vai precisar do transplante de seis órgãos e irá esperar o doador em casa, sendo atendida por um sistema de homecare Leia mais Arquivo pessoal/Divulgação

Parlamento de Cuba aprova por unanimidade normalizar relações com os EUA

Havana, 19 dez (EFE).- A Assembleia Nacional de Cuba (Parlamento unicameral) aprovou nesta sexta-feira por unanimidade uma declaração de apoio às decisões adotadas pelo presidente, Raúl Castro, para iniciar a normalização de relações com os Estados Unidos, informou a imprensa local.

O documento foi aprovado no segundo e último plenário que realiza a partir de hoje o Parlamento cubano, para analisar o comportamento da economia durante 2014 e as previsões para 2015, uma sessão da qual participa o presidente, Raúl Castro.

O plenário acontece em "circunstâncias históricas excepcionais", segundo destacou o presidente da Assembleia, Esteban Lazo, em referência ao anúncio do restabelecimento de relações diplomáticas com os EUA, com quem Cuba não conversa há mais de 50 anos.

Os deputados cubanos também expressaram a "solidariedade mundial" com o retorno à ilha dos três agentes cubanos do grupo "Los Cinco" libertados pelos EUA, e que já estão em Cuba, como primeiros passos para o restabelecimento dos laços bilaterais.

O plenário da Assembleia foi precedido dias atrás das reuniões das dez comissões de trabalho da Assembleia, que nos últimos três dias abordaram diversos temas sociais, políticos e econômicos.

A notícia do restabelecimento de relações com os EUA e o retorno à ilha de todos os "heróis", como se conhece em Cuba os cinco agentes cubanos presos nos EUA desde 1998 e condenados a longas penas por espionagem em 2001, marcou de fato as reuniões dos deputados.

Está previsto que o presidente Raúl Castro faça um discurso na Assembleia, apesar de não se ter informado sobre se será hoje ou neste sábado.

A imprensa estrangeira não tem acesso às sessões do Parlamento cubano. 

Com gol de Robben nos acréscimos, Bayern de Munique vence Mainz

BERLIM, 19 dez 2014 (AFP) - O Bayern de Munique bateu dois recordes da Bundesliga ao derrotar nesta sexta-feira como visitante o Mainz (11º) por 2 a 1, graças ao gol salvador do holandês Arjen Robben nos acréscimos, em partida válida pela 17ª e última rodada do primeiro turno da competição.

O Bayern começou perdendo, após sofrer um gol do colombiano Elkin Soto logo aos 21 minutos de jogo, mas, três minutos depois, empatou com o capitão Bastian Schweinsteiger.

A vitória, porém, veio só nos acréscimos do jogo, quando Robben aproveitou um cruzamento da esquerda e um vacilo da zaga para empurrar a bola para as redes do Mainz.

A equipe de Pep Guardiola sofreu apenas quatro gols no primeiro turno da Bundesliga, quebrando o recorde do próprio clube na temporada 2012/13 (7 gols sofridos).

Com 14 vitórias em 17 jogos e três empates, o Bayern conquistou 45 dos 51 pontos que disputou, batendo a marca de 44 pontos somados no mesmo período na temporada passada, quando acabou vencendo o título alemão com sete rodadas de antecedência.

Com esta vitória, o Bayern abre 14 pontos de vantagem sobre o segundo colocado, o Wolfsburg, que pode reduzir essa diferença no sábado em casa contra o Colonia (10º).



- Resultados da 17ª rodada do Campeonato Alemão:



- Sexta-feira:

Mainz - Bayern de Munique 1 - 2



- Sábado:

(12h30) Schalke 04 - Hamburgo

Bayer Leverkusen - Eintracht Frankfurt

Augsburg - B. Moenchengladbach

Werder Bremen - Borussia Dortmund

Stuttgart - Paderborn

(15h30) Wolfsburg - Colonia



- Domingo:

(12h30) Hertha Berlim - Hoffenheim

(14h30) Freiburg - Hannover



Classificação: Pts J V E D Gp Gc SG

1. Bayern de Munique 45 17 14 3 0 41 4 37

2. Wolfsburg 31 16 9 4 3 31 16 15

3. B. Moenchengladbach 27 16 7 6 3 24 14 10

4. Bayer Leverkusen 27 16 7 6 3 27 19 8

5. Schalke 04 26 16 8 2 6 28 21 7

6. Augsburg 24 16 8 0 8 20 20 0

7. Hoffenheim 23 16 6 5 5 24 25 -1

8. Hannover 23 16 7 2 7 19 24 -5

9. Eintracht Frankfurt 22 16 6 4 6 33 33 0

10. Colonia 19 16 5 4 7 16 21 -5

11. Mainz 18 17 3 9 5 19 23 -4

12. Paderborn 18 16 4 6 6 21 26 -5

13. Hertha Berlim 18 16 5 3 8 24 30 -6

14. Hamburgo 16 16 4 4 8 9 19 -10

15. Stuttgart 16 16 4 4 8 20 32 -12

16. Borussia Dortmund 15 16 4 3 9 17 24 -7

17. Freiburg 14 16 2 8 6 15 23 -8

18. Werder Bremen 14 16 3 5 8 24 38 -14



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