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domingo, 21 de dezembro de 2014

Real confirma favoritismo, vence San Lorenzo e conquista 4º título mundial


Real Madrid x San Lorenzo31 fotos

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Bale recebe o carinho dos companheiros após o gol AFP PHOTO / JAVIER SORIANO

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Não deu para o time do Papa Francisco. Em duelo disputado neste sábado, no estádio de Marrakesh, o Real Madrid confirmou o favoritismo diante dos argentinos e, com gols de Sergio Ramos e Gareth Bale, venceu o San Lorenzo pelo placar de 2 a 0. Desta forma, faturou seu quarto título mundial – já havia conquistado o mundo nos anos de 1960, 1998 e 2002.
Foi a 22ª vitória consecutiva do Real Madrid, que faz uma temporada impressionante. Classificou-se para as oitavas de final da Liga dos Campeões como único time com 100% de aproveitamento na fase de grupos, e ainda lidera o Campeonato Espanhol com um ponto de vantagem em relação ao Barcelona – mesmo com um jogo a menos que o rival.
Fases do jogo: Nem o juiz deu o apito inicial e já deu para ver qual seria a estratégia do San Lorenzo: amarrar a partida. Com diversas faltas e provocações, o time argentino procurou parar o jogo a todo o momento. Adiantou, por 36 minutos, mas chegou uma hora que não teve jeito. Mesmo sem criar tanto, o Real conseguiu o gol, em bola parada. Depois de cobrança de escanteio de Kroos, Sergio Ramos aproveitou uma de suas principais características, apareceu entre os defensores do San Lorenzo e mandou de cabeça para as redes. 1 a 0.
Já na etapa final, a força do ataque merengue finalmente funcionou, por baixo. Kroos tocou para Isco, que deu uma assistência perfeita para Gareth Bale; dentro da área, o galês finalizou mal, mas Torrico não segurou a bola e levou um 'frango', complicando ainda mais a situação do San Lorenzo dentro da decisão. Nem mesmo a entrada de Romagnoli ajudou o time argentino a equilibrar o jogo diante do Real Madrid, que permaneceu superior durante quase todo restante da partida. No fim, o San Lorenzo até arriscou uma pressão, mas já era tarde.
O melhor: Isco. Comandou o meio-campo do Real Madrid e foi responsável por uma assistência perfeita no segundo gol, convertido por Bale.
O pior: Torrico. Levou um 'frango' no segundo gol do Real Madrid. Com o 2 a 0, ficou difícil para o San Lorenzo reagir na decisão.
Chave do jogo: Erros. O San Lorenzo não podia falhar se quisesse surpreender o Real Madrid. Mas falhou. Primeiro na marcação do escanteio que originou o gol de Sergio Ramos. Depois, foi a vez do goleiro Torrico não defender o chute fácil de Bale.
Para lembrar:
Mais um recorde! Cristiano Ronaldo se tornou o quarto jogador na história a vencer o Mundial de Clubes com duas equipes diferentes – ele foi campeão com o Manchester United em 2008.
Zerado no Mundial. Em contrapartida, Cristiano Ronaldo terminou o Mundial de Clubes da Fifa sem balançar as redes. Na temporada 2014/15, o português acumula 32 gols em 24 jogos.
Bamos! Cerca de 12 mil torcedores argentinos acompanharam a decisão do Mundial no estádio de Marrakesh. Deram show e fizeram barulho até o fim, mesmo com a derrota.
Brasileiro saiu cedo. Marcelo sentiu uma lesão e acabou substituído ainda aos 43min do primeiro tempo. Foi substituído pelo português Fábio Coentrão.
REAL MADRID 2 X 0 SAN LORENZO
Local: Le Grand Stade de Marrakech, em Marrakech (Marrocos)
Data: 20/12/2014 (sábado)
Árbitro: Walter Lopez (Guatemala)
Assistentes: Leonel Leal (Costa Rica) e Gerson Lopez (Guatemala)
Cartões amarelos: Sergio Ramos e Carvajal (Real Madrid); Ortigoza, Barrientos, Buffarini e Kannemann (San Lorenzo)
Gols: Sergio Ramos, aos 35min do primeiro tempo; Bale, aos 5min do segundo tempo
REAL MADRID
Casillas; Carvajal (Arbeloa), Sergio Ramos (Varane), Pepe e Marcelo (Fábio Coentrão); Kross, Isco e James Rodríguez; Bale, Cristiano Ronaldo e Benzema
Técnico: Carlo Ancelotti
SAN LORENZO
Torrico; Buffarini, Kannemann, Yepes (Cetto) e Más; Mercier, Gonzalo Verón, Néstor Ortigoza e Kalinski (Romagnoli); Cauteruccio (Manuel Matos) e Barrientos
Técnico: Edgardo Bauza

Seleção feminina de futebol conquista título sobre campeãs olímpicas

  • Celso Junior/Getty Images
    Brasil e Estados Unidos se enfrentaram no Estádio Mané Garrincha, em Brasília
    Brasil e Estados Unidos se enfrentaram no Estádio Mané Garrincha, em Brasília

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A Seleção Brasileira feminina de futebol encerrou 2014 com um título. Na tarde deste domingo, em Brasília (DF), a equipe nacional conquistou pela quinta vez a taça do Torneio Internacional. Já havia vencido em 2009, 2011, 2012 e 2013.
E a conquista deste ano no Estádio Mané Garrincha não veio sobre qualquer rival. Sob chuva, o Brasil desbancou os Estados Unidos, atuais campeões olímpicos, após um empate em 0 a 0. Como havia feito melhor campanha na primeira fase, a equipe nacional entrou em campo podendo jogar pela igualdade. Aos 42 minutos, as adversárias acertaram uma cabeçada na trave. No lance seguinte, ainda tiveram um gol anulado por impedimento.
Na fase inicial, Brasil e Estados Unidos já haviam se enfrentado e a equipe verde-amarela triunfara por 3 a 2, após sair perdendo por 2 a 0. Apesar de ser um campeonato amistoso, as americanas mandaram suas principais jogadoras ao país.
No ano que vem, o grande desafio da Seleção Brasileira será a busca por um inédito título mundial. A Copa do Mundo será disputada entre os dias 6 de junho e 5 de julho no Canadá. A equipe do técnico Vadão está no Grupo E ao lado de Coreia do Sul, Espanha e Costa Rica.
A pedido do treinador, a CBF anunciou a criação de uma seleção permanente. O primeiro compromisso de 2015 será a Algarve Cup, em Portugal, no mês de março.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Lei Kiss é alvo de críticas devido a flexibilizações

O fato é que muito se falou, novas regras foram aprovadas, mas pouco está de fato sendo cobrado

Quase dois anos depois da maior tragédia gaúcha, das quatro medidas propostas para aumentar a segurança em locais de reunião de público, apenas uma parece ter sido colocada em prática efetivamente.
A exigência de alvarás em locais visíveis e de informações sobre lotação em convites está sendo cobrada. Já a proibição de comandas em estabelecimentos com mais de 250 pessoas, na prática, não funciona - há bares com capacidade superior a isso e que seguem usando o papel para anotar o consumo na cidade. O mesmo acontece com placares eletrônicos de controle de público, que não foram instalados, e com a Lei Kiss, que é cobrada pelos bombeiros, mas já passou por mudanças e, para especialistas, está bem menos rigorosa.

:: Leia mais notícias sobre o caso Kiss 
Depois do incêndio que resultou na morte de 242 jovens na madrugada de 27 de janeiro de 2013, não houve quem não tenha apontado problemas de segurança em locais de público. Também não faltaram sugestões de como solucioná-los. O fato é que muito se falou, novas regras foram aprovadas, mas, passados 22 meses da tragédia, pouco está de fato sendo cobrado.
Nesse cenário, o que mais preocupa são as flexibilizações na Lei Kiss. Foram três desde a sanção do governador Tarso Genro, em 26 de dezembro do ano passado. A última, aprovada pela Assembleia Legislativa em 25 de novembro, dobra a área para que locais possam apresentar Planos de Prevenção e Combate a Incêndios (PPCI) simplificados. 
- Sou a favor de desburocratizar, mas sem diminuir a segurança. Essa última mudança não passou pelo conselho. PPCI simplificado valia para prédios com até 750m² para os quais não era exigido hidrante. Agora, aumentaram a área para PPCI simplificado, mas não disseram se terão de ter hidrante ou não - diz Carlos Wengrover Rosa, engenheiro integrante do Conselho Estadual de Segurança, Prevenção e Proteção Contra Incêndio, formado para assessorar futuras adequações técnicas na lei.
Familiares de vítimas da tragédia e seus representantes se dizem decepcionados.
- É uma decepção. Depois, falam que temos que tentar mudar as leis - lamentou Ligiane da Silva, mãe de Andrielli, que morreu no incêndio.
A mudança ainda tem de ser sancionada pelo governador Tarso Genro para entrar em vigor. Entre os beneficiados estão os CTGs. O presidente da 13ª RT, Ildo Wagner, afirma que ficou mais fácil de fazer adequações:
- Agora, ficou bem melhor de fazer esse trabalho de adequação porque contamos com estruturas diferenciadas, com área vasta e somente com pessoas que conhecemos.
Pedido de desapropriação
Durante a sessão plenária da Câmara de Vereadores de ontem, o vereador Luciano Guerra (PT) protocolou projeto de lei, de caráter sugestivo, que pede a desapropriação do prédio e do terreno onde funcionava a Kiss. O objetivo é que o espaço seja preservado até que seja dado um destino para o local. O pedido ainda deverá tramitar pelas comissões.

ACOMPANHE E COBRE
LEGISLAÇÃO FEDERAL
LOTAÇÃO, ALVARÁS E PPCI EM PORTAS E CONVITES 
Portaria 3.083 do Ministério da Justiça
- Estabelecimentos de lazer, cultura e entretenimento terão de afixar na entrada do local os alvarás de bombeiros e de funcionamento, com número e datas de validade, e a capacidade de público 
- As informações devem constar em materiais publicitários de divulgação dos eventos impressos e na internet 
- A medida começou a valer em 26 de dezembro de 2013 
- A fiscalização é feita pelos Procons. Denúncias também podem ser feitas em delegacias da Polícia Civil, à Brigada Militar e ao Ministério Público
LEGISLAÇÃO ESTADUAL
LEI DA KISS
Lei Complementar 14.376
- A lei de prevenção contra incêndios foi aprovada pela Assembleia Legislativa em 11 de dezembro de 2013. Sancionada pelo governador Tarso Genro 15 dias depois e regulamentada por meio de decreto em 11 de setembro de 2014 
- Estabelece, para edificações e áreas de risco de incêndio no Estado, normas sobre Segurança, Prevenção e Proteção contra Incêndio, competências, atribuições, fiscalizações e sanções administrativas. Baliza a atuação das administrações públicas municipais e edição de legislações locais 
- Em maio deste ano, o Tribunal de Justiça suspendeu o artigo que exigia alvará dos bombeiros para que os municípios emitissem licenças de funcionamento para estabelecimentos de menor risco 
- A legislação foi atualizada e teve pontos revistos com nova publicação da redação final em 2 de julho de 2014. Entre as mudanças, foi incluída a possibilidade dos municípios emitirem licenças provisórias de funcionamento para locais de pequeno risco de incêndios 
- Outra flexibilização ocorreu em 25 de novembro, quando a Assembleia Legislativa aprovou aumentou de 750m² para 1,5 mil m² na área de imóveis que podem apresentar PPCI simplificado para obter alvará de prevenção contra incêndios 
- O Conselho Estadual de Segurança, Prevenção e Proteção Contra Incêndios e o Corpo de Bombeiros devem enviar ofício à Casa Civil ainda hoje pedindo anulação da Lei Kiss devido a irregularidades
LEGISLAÇÃO MUNICIPAL
PLACAR ELETRÔNICO
Lei 5.840, de 2014
- Determina que os estabelecimentos de diversão noturna, com aglomeração de pessoas sem assentos marcados para a totalidade de público, boates e danceterias devem instalar dispositivo eletrônico de contagem das pessoas presentes no recinto, em local visível, dentro e fora, indicando a capacidade total
- O prazo de adequação era de 120 dias, contados da data publicação, em março 2014 
- O controle cabe ao setor de fiscalização do município. Conforme o superintendente de Fiscalização, Tiago Candaten, o trabalho não está sendo feito porque o Executivo deverá fazer uma modificação na lei, que já está em vigor
LEI DAS COMANDAS
Lei complementar 93, de 8 de julho de 2013
- Estabelecimentos de diversão noturna cuja capacidade seja superior a 250 pessoas, não podem realizar a cobrança de consumo por meio de comandas 
- Já em vigor, cabe ao Procon fiscalizar os locais. As fiscalizações são feitas somente mediante denúncia
SOBRE A LEI KISS
"A lei não existe mais. É mais uma lei que já nasceu morta. Serviu apenas para os propósitos eleitorais." Luiz Fernando Smaniotto, advogado da Associação dos Familiares das Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria (AVTSM).
"Simplificar demais pode atrapalhar, em vez de ajudar. Sou contrário ao aumento da área para PPCI simplificado. Vejo com preocupação essa facilidade."Tenente-coronel Vitor Hugo Konarzewski, engenheiro químico e comandante do 2º Comando Regional de Bombeiros (2º CRB) com sede em São Leopoldo
"Eu, historicamente, lutei pelo maior rigor na Lei da Kiss. É uma questão de respeito a tudo o que ocorreu. Vamos esperar o andamento do projeto, mas vamos seguir votando contra esta flexibilização."Jorge Pozzobom (PSDB), deputado estadual
"Não estamos questionando a importância que tem um CTG ou um salão comunitário. Se olharmos a mudança, esses setores já têm o plano simplificado. Já podia ser feito o plano simplificado para esses setores. Estamos a favor da vida."Valdeci Oliveira (PT), deputado estadual

Como Santa Maria está reagindo à limpeza da Kiss

Na segunda-feira, entulhos encheram os últimos contêineres. Limpeza, que acaba hoje, deixa impactos na cidade, principalmente entre os pais das vítimas.


Como Santa Maria está reagindo à limpeza da Kiss Ronald Mendes/Agencia RBS
Madeira que encobria a fachada da boate tinha mensagem de protesto e flores deixadas por familiaresFoto: Ronald Mendes / Agencia RBS
A limpeza do prédio onde funcionava a boate Kiss ocorre em um momento muito delicado para os familiares das vítimas: às vésperas da tragédia completar dois anos e a poucos dias do Natal. Mas não é só isso. Para especialistas, assistir, de perto ou à distância, a reabertura do prédio onde os jovens morreram e ter a possibilidade de reaver objetos pessoais dos filhos mortos mexe com as famílias, reabre uma ferida que não estava cicatrizada e traz de volta o sofrimento. 

Ao mesmo tempo, a cidade começa a entrar no clima natalino e parece estar alheia ao que acontece no prédio. O sentimento velado é de que essa é uma fase que tem de ser superada.

:: Ministério Público faz 43 acusações por falsidade ideológica e falso testemunho
:: Leia mais notícias sobre a Limpeza do prédio onde funcionava a boate Kiss

Para a psicóloga Clarice Dorotea de Lima Dutra, especialista em psicologia clínica, mexer no prédio, tão perto da data em que as famílias tradicionalmente se reencontram e se abraçam, foi uma infelicidade:

_ A alguns metros, temos, na praça (Saldanha Marinho), coloridos enfeites de Natal e, na Kiss, restos de uma tragédia, que não podem ser guardadas como lembranças de um dia feliz. A ferida reabre dolorosíssima.

A psicóloga explica que os familiares enfrentam duas situações: a legalidade e o sentimento. Na legalidade, o sofrimento fica amenizado com o entendimento de que a limpeza pode contribuir para uma responsabilização. Mas, no âmbito emocional sofrimento é maior.

_ Mexer na boate fez aflorar a dor em todos os familiares _ disse Adherbal Ferreira, presidente da Associação dos Familiares das Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria (AVTSM).
Pais ajudam uns aos outros
Sem curiosos por perto, o grupo de pais, atento a tudo que diz respeito à tragédia, em maior ou menor número, acompanha a limpeza, que começou há uma semana, do lado de fora da tenda montada para isolar o local. Em meio às conversas, é comum ouvi-los falar sobre os filhos. O que faziam, do que gostavam. As lembranças vêm carregadas de sentimentos e permeadas com dúvidas e questões relativas à Justiça.

Esse convívio em grupos é descrito por Priscila dos Santos Peixoto, historiadora e mestre em ciências sociais, como a forma que os familiares encontraram para terem forças suficientes para passar por esse "momento que é de extrema complexidade emocional". 

_ O que dá suporte a eles é passar por isso coletivamente, nas redes de amizades que eles formaram. Mesmo que tenham ideologias distintas nos grupos, eles se apoiam. O elo é a espiritualidade. O convívio sistemático entre esses familiares fez com que eles construíssem explicações espirituais para a tragédia e isso, de certa forma, conforta e explica o inexplicável para eles _ diz Priscila. 

Pertences de vítimas devem ser associados a boas lembranças

Não há dúvidas de que remexer na Kiss, reaver pertences dos filhos encontrados dentro da boate é, para os familiares das vítimas, reviver o momento da tragédia. Mas é esse o desejo de muitos pais. Para a historiadora Priscila dos Santos Peixoto é um momento muito complexo, de conflito emocional:

_ É, ao mesmo tempo, um retrocesso e uma tentativa de dar um passo a frente.
Para a psicóloga Clarice Dorotea de Lima Dutra, os pertences que devem ser devolvidos aos familiares remetem a lembranças negativas sobre a forma como os jovens morreram. Por isso, os pais tem de ter acompanhamento ao recebê-los de volta:

_ É preciso ressignificar esses objetos, associando-os a lembranças boas. Talvez, quando erguerem um monumento ou quando ocorrerem as responsabilizações, isso traga paz para os pais, mas, por enquanto, eles só contam com o que ficou (objetos) e lembranças.

Prédio da boate é fechado após limpeza

Na tarde desta terça-feira últimos dois contêineres com material retirado devem ir para aterro


Prédio da boate é fechado após limpeza Claudio Vaz/Agência RBS
Foto: Claudio Vaz / Agência RBS
limpeza do prédio onde funcionou a boate Kiss terminou por volta das 11h desta terça-feira. Um químico da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) e cinco profissionais da Geo Emergência Ambiental, empresa que coordenou a limpeza, recontaram, duas vezes, os objetos que pertenciam às vítimas que estavam dentro do prédio. Foram feitos os últimos registros fotográficos do interior da boate e as portas foram fechadas, diante do oficial de Justiça que acompanhou o serviço, do procurador da Econn (dona do imóvel), Adalto Melo, e do representante da Fepam, Erny Meinhardt Júnior.
A Rua dos Andradas deve seguir bloqueada até o final desta terça-feira. A prefeitura ainda não informou o dia em que o trânsito deve ser normalizado na via. O caminhão que deve transportar os contêineres até o aterro para resíduos perigosos em Capela de Santana deve sair ainda nesta tarde com o material que foi retirado de dentro da boate. A saída do veículo estava prevista para às 8h desta terça-feira, mas atrasou porque o bitrem não tinha chegado a Santa Maria até o final da manhã. Somente após a saída do caminhão é que a estrutura, montada em frente à boate, deve ser desmanchada.
Os objetos que pertenciam às vítimas, depois das contagens, foram separados, classificados, embalados e estão em uma peça onde teria funcionado a cozinha da boate. As chaves do prédio e da sala onde os materiais estão armazenados foram entregues à Justiça.

Fachada da Kiss não está mais coberta por tapumes

Imóvel continua sob a tutela do Estado até final do processo.

Fachada da Kiss não está mais coberta por tapumes Gabriel Haesbaert/Especial
Foto: Gabriel Haesbaert / Especial
Quem passou pela Rua dos Andradas, em frente ao prédio da boate Kiss, viu uma fachada dividida entre o passado e o presente. Foram quase 23 meses de convivência com tapumes forrados de cartazes e banners com fotografias e frases. Nesta terça-feira, ao final da limpeza do prédio, a uma altura de 1m50cm, o branco dominava. Mas, bastava erguer o olhar, para deparar com as quatro letras e o layout de madeira, imagens do cenário da maior tragédia gaúcha que jamais será esquecida.
Depois de sete dias de um trabalho intenso de limpeza e descontaminação, o entra e sai de pessoas parou, o barulho das máquinas e equipamentos cessou e o silêncio voltou a tomar o prédio onde a Kiss funcionou por cerca de quatro anos no centro de Santa Maria.

::Frases de protesto são pintadas no último dia de limpeza da boate
:: Como Santa Maria está reagindo à limpeza da Kiss
Incansável, um pequeno grupo de familiares acompanhou cada movimento em uma espécie de acampamento improvisado na entrada do estacionamento de um supermercado em frente ao prédio. Durante a semana, na roda de conversas, alguns dos pais comentavam que, no que dependesse deles, "a pintura branca da fachada não vai contribuir para que a tragédia seja esquecida". Pouco depois, os contêineres nem haviam sido retirados, e um familiar já recolocava os cartazes na boate.
Imóvel foi lacrado após a limpeza
O serviço de limpeza dentro do prédio foi concluído por volta das 11h desta terça-feira. Os objetos das vítimas encontrados dentro do prédio foram recontados duas vezes, classificados, embalados e guardados em uma peça, onde, provavelmente, funcionava a cozinha da Kiss. Duas mostras de solo - uma em uma parte que estava deteriorada na calçada e outra de baixo do piso de cerâmica perto do palco - foram recolhidas e serão enviadas para análise.
O lugar passou por uma última vistoria e levantamento fotográfico e, às 11h23min, a porta foi cadeada, lacrada em dois lugares e a chave foi entregue à Justiça. Minutos antes das 16h, um pré-relatório foi entregue pela Fepam a um oficial de Justiça no local. Nas quatro folhas do documento, um resumo do encerramento das atividades, o número preciso e a descrição dos objetos encontrados, que não foram divulgados. O papel também foi encaminhado à sede da Fepam em Porto Alegre. Um relatório minucioso deve ser entregue pela Geo Ambiental, empresa que coordenou a limpeza, à Fepam em 45 dias.
No final da tarde, o caminhão bitrem levou os últimos dois contêineres com material retirado de dentro da boate até o aterro para resíduos perigosos em Capela de Santana. Pouco antes, a estrutura montada para isolar o prédio começou a ser desmanchada, deixando à mostra a nova fachada. As paredes foram cobertas por várias camadas de cal, a calçada, reconstruída, o meio-fio, pintado e todas as aberturas foram cobertas por madeira.
Quando o caminhão removeu os contêineres, o passeio público foi liberado aos pedestres que, em pequeno número, transitaram pela rua nessa última semana. As fitas e cones de isolamento foram retirados, e o trânsito foi desbloqueado. Mas, no asfalto, por alguns dias, ainda ficarão três frases de protesto e pedido por justiça pintadas por um familiar na madrugada de ontem.
Pedido de desapropriação do prédio
Durante a sessão plenária da Câmara de Vereadores da tarde desta terça-feira, os parlamentares aprovaram por unanimidade a moção de apelo ao prefeito Cezar Schirmer (PMDB), que solicita a desapropriação do prédio da boate Kiss. A moção é de autoria dos vereadores Jorge Trindade e Luciano Guerra, ambos do PT. Além da moção, o legislativo deve protocolar, na sessão de amanhã, outro projeto que sugere a desapropriação do prédio. 
- Como não podemos criar uma lei que gere custos para o municípios, vamos sugerir para que a iniciativa parta do Executivo - explicou Luciano Guerra.
Um grupo de pais acompanhou a votação da moção. Após a aprovação, Flavio José da Silva, do Movimento Santa Maria do Luto à Luta, comentou o ato.
- A nossa preocupação é em relação ao tempo que está se levando para fazer isso (desapropriar o prédio). Agora, com essa sugestão, vai depender só dele - disse Flávio, referindo-se ao prefeito Schirmer.
A posição da prefeitura é de que a decisão sé será tomada após a liberação do prédio pela Justiça. O imóvel permanece sob a tutela do Estado até o final do principal processo, o criminal por homicídio. Ainda não há, também, uma definição do que será feito com o local. Segundo a Econn Empreendimentos de Turismo e Hotelaria, empresa dona do prédio, se não houver uma desapropriação por parte da prefeitura ou se ninguém comprar o imóvel, a decisão caberá à proprietária.
Também não está definido se os fatos ocorridos quando a casa noturna se incendiou, resultando na morte de 242 pessoas, serão reconstituídos.
*Colaboraram Gabriela Perufo e Leandro Belles

Cantada agressiva que incomoda a mulher pode ser considerada assédio

  • Reprodução/Think Olga
    Trecho de infográfico da pesquisa Chega de Fiu Fiu mostra que mulheres trocam de roupa com medo de assédio
    Trecho de infográfico da pesquisa Chega de Fiu Fiu mostra que mulheres trocam de roupa com medo de assédio
A defensora pública Ana Rita Souza Prata explica que se a abordagem PUA invade o espaço da mulher na rua ou em uma casa noturna a ponto de incomodar a mulher encaixa-se no contexto de assédio e se houver contato físico pode caracterizar violência. "Se o cara pega na mulher sem ela dar abertura isso já é uma violência. 'Ah, mas eu só flertei, só paquerei'. Se não há consentimento e abertura é uma violência" define.
"E a gente sabe que por trás disso está uma forma de dominação. O espaço público é meu, é masculino e eu vou fazer aqui o que eu quiser. Os crimes sexuais não são só os de filme americano ou o maníaco do parque. As violências acontecem dentro dos relacionamentos e nas ruas todos os dias e por isso você treinar homens para esse tipo de abordagem é um absurdo. Com a cartilha a gente quer conscientizar de que o assédio é uma violência sexual e pode sim ser caracterizada como crime", detalha a defensora.
Perante a lei, o assédio sexual se restringe ao ambiente de trabalho, mas existem as tipificações de importunação ofensiva ao pudor e atentado ao pudor (no caso de não haver contato físico) que podem ser aplicadas caso a vítima deseje denunciar esse tipo de abuso. A reportagem entrou em contato com a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, o Ministério da Justiça, a Secretaria de Políticas para as Mulheres, a 1ª e a 2ª delegacias de Defesa da Mulher de São Paulo e a Delegacia de Polícia do Metropolitano e foi informada de que não existem estatísticas específicas sobre estas contravenções.
Mas a recomendação do Nudem (Núcleo Especializado de Promoção e Defesa dos Direitos da Mulher) da Defensoria Pública de São Paulo e da própria SPM é a de que as mulheres denunciem esse tipo de assédio. "A sociedade ainda naturaliza a cantada de rua, até porque justifica essa violação de direitos das mulheres pela roupa curta, pelo decote. Como se a mulher fosse culpada. Mas quanto mais as mulheres denunciarem ao 180 ou às delegacias especializadas pra colocar isso em pauta para a gente mobilizar o sistema de justiça, mais a gente vai conseguir combater essa impunidade", defende a secretária adjunta de Enfrentamento à Violência da Secretaria, Rosangela Rigo.
Ela reconhece que o 180 ainda não recebe muitas denúncias desse tipo, mas lembra que por muito tempo a violência doméstica também não era denunciada por ser naturalizada. "Por isso essas campanhas, marchas e caminhadas de mulheres são tão importantes. Para que aumente essa conscientização e o empoderamento das mulheres e diminua a naturalização desse tipo de comportamento".
A doutora em psicologia Daniela Rozados, que faz parte do PoliGen, grupo de estudos de gênero da Escola Politécnica da USP, vai além. Para ela, muitas vezes a própria agredida não se reconhece como vítima, tamanha é a naturalização do assédio. "Por vezes a mulher não percebe o quanto o ir e vir dela no espaço público está condicionado a esse papel. Isso que eu acho mais grave em termos psicológicos. Porque ela fica aprisionada no discurso machista de que ela não existe como sujeito. Isso em si já é bastante sofrido, mas muitas vezes a vítima não percebe que isso é produtor de sofrimento. Nessas abordagens do PUA ou no assédio de rua, o corpo está ali para satisfazer desejos. Mas quando não é física, essa violência está tão incrustada que é de baixa percepção por parte da própria vítima. E para quem reconhece como violência gera nervosismo, ansiedade, medo de andar por determinados lugares".
Daniela lembra um estudo da engenheira Haydee Svab para explicar como homens e mulheres se apropriam de forma diferente da cidade: "O mapa mental da cidade da mulher é menor do que o mapa mental do homem, o espaço público é extremamente condicionado ao gênero. Horários, regiões da cidade, meios de transporte, pontes. Mulheres têm medo de andar em pontes por causa das reiteradas histórias de estupro, por exemplo. Deixam de aceitar trabalhos porque teriam que andar a pé a noite ou pegar um ônibus em um lugar ermo".
Ela lembra que para o homem às vezes é difícil perceber a gravidade do assédio porque nunca acontece quando ele está junto. "Quando o homem é o agente da agressão, acha que está tudo bem. E quando está com sua companheira não vê acontecer porque um macho respeita o outro macho. Tem um discurso de que 'o homem não pode se conter', que além de tudo culpabiliza a mulher, mas na minha percepção isso tem mais a ver com uma punição. 'Você saiu do esperado, usou uma roupa mais curta, foi mais longe, circula sozinha, então a gente vai ter que te punir da forma mais tosca que a gente conhece'. Porque a rua é do homem. E se você está lá, seu corpo está à disposição. Se você usa seu peito para vender cerveja ou desfilar no carnaval ok, porque todo mundo está lucrando. Se quiser deixar o peito de fora porque está calor, quer fazer um topless na praia ou simplesmente amamentar seu bebê, não. Porque teu corpo não te pertence. Ele pertence aos homens ou ao Estado, no caso do aborto, por exemplo".
Sobre o PUA, acrescenta: "Se você com o mesmo discurso conquista todas, não tem um sujeito ali, não existe autonomia. É um ser destituído de individualidade, de desejo, um objeto. Uma pessoa para dizer 'não' precisa ser um sujeito. Pode ser que essas pessoas nem estejam necessariamente querendo ser violentas, o problema é você estar andando na rua e ter sua intimidade violada constantemente pelo desejo do outro que acha que pode te abordar. É a afirmação dessa violência constante, dessa cultura do estupro que acua as mulheres todos os dias. E isso tem que parar".
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Campanha ''Não mereço ser estuprada'' bomba na internet47 fotos

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A funkeira Valesca Popozuda também participou da campanha Não Mereço Ser Estuprada, que propõe que internautas tirem a roupa e se fotografem segurando um cartaz contra a violência sexual. Valesca publicou uma foto no Instagram na noite de domingo (30), na qual aparece nua segurando um bastão de beisebol. Abaixo da imagem, lê-se a frase "De saia longa ou pelada #não mereço ser estuprada". O protesto online é uma reação a uma pesquisa do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) que revelou que a maioria dos brasileiros acha que mulheres com roupas expondo o corpo merecem ser atacadas Leia mais Reprodução/Twitter

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