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quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Impulso maroto no fim ajudou Isaquias a ganhar bronze: "Foi naquela jogada"

Com a força de seu corpo, atleta baiano, que não largou bem, empurrou o barco para fechar prova à frente de espanhol na decisão dos 200m da canoa individual

Por Rio de Janeiro

Na canoagem velocidade, é normal que os atletas deem um impulso bem na reta final para tentar chegar à frente de seus adversários, sobretudo em competições muito parelhas, muito disputadas. Foi essa a receita de sucesso do brasileiro Isaquias Queiroz na final do C1 200m, nesta quinta-feira, na Lagoa Rodrigo de Freitas. A tática do impulso maroto para terminar a prova à frente de Alfonso Benavides, da Espanha, deu muito certo, e o baiano ficou com a medalha de bronze. Mas foi arriscado. Se errasse e caísse antes da linha de chegada, seria desclassificado.

- Eu acabei dando remada em falso logo depois da saída. Minha saída foi muito ruim. Não entendi. Minha saída é lenta, mas nem tanto. Na verdade, eu não saí lento. Eu errei e fiquei muito para trás mesmo. Para recuperar, foi muito complicado, e acho que ganhei a medalha foi ali naquela jogada mesmo. Na prova, o barco patinou muito, e já vi os caras colocarem meio barco na frente. Isso aconteceu na Itália no ano passado (no Mundial de Milão), mas acabei me recuperando. Se eu não tivesse errado muito ali, podia ter ganhado a medalha de ouro. Mas, com certeza, os caras foram muito melhores, o ucraniano, o cara do Azerbaijão, e quando cheguei eu joguei o barco e fiquei sem saber: "Nossa, perdi a medalha". Achei que não tinha ganhado medalha. Por isso, fiquei com raiva - comentou.
Chegada de Isaquias, canoa individual, bronze (Foto: reprodução/vídeo)Chegada de Isaquias no C1 200m nesta quinta-feira (Foto: reprodução/vídeo)


Isaquias Queiroz contou que não sabia que tinha ficado com o terceiro lugar no pódio, tanto que deu um soco na água, com raiva pelos erros que diz ter cometido no duelo e que o deixaram atrás de Iurii Cheban, medalhista de ouro, da Ucrânia, e Valentin Demyanenko, que levou a prata, do Azerbaijão.

- O soco na água foi de raiva. Demorou para sair no telão e fiquei: "Caraca, sai logo que tô nervoso aqui". E, quando saiu, eu fiquei muito feliz, porque a medalha de bronze é muito importante no currículo do atleta, principalmente em Jogos Olímpicos, né. Estou fazendo história na canoagem do Brasil - falou.
Isaquias Queiroz, canoagem Rio 2016 (Foto: Getty Images)Isaquias Queiroz levanta as mãos para o céu e celebra a medalha, segundo nos Jogos (Foto: Getty Images)


Depois que a confirmação do resultado pintou no telão e mostrou que Isaquias fez o tempo de 39s628, ele revelou sua motivação principal para, depois de ficar atrás de seus adversários, dar seu máximo para voltar ao pódio mais uma vez: a torcida brasileira, que lotou a arquibancada. O atleta também ficou com a medalha de prata, mas na prova C1 1000m, na terça-feira.

- Quando eu estava lá atrás, pensei: "Nossa, hoje está lotado". Foi muito legal ver o pessoal assim, porque é a primeira vez que vejo o público assim. Nem no Mundial estava assim. Hoje estava muito lotado o Estádio da Lagoa, e tive que dar meu máximo para fazer o brasileiro ficar feliz.

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E não foi só a torcida do Brasil que compareceu em peso para ver Isaquias no Estádio da Lagoa Rodrigo de Freitas. Sua família voltou ao local. Se na quinta-feira apenas Lucas Queiroz, um de seus irmãos, a mãe, Dilma, e a amiga Luciana, com sua filha de colo, apareceram nas arquibancadas, nesta quinta ele parecia estar em casa, parecia que o Rio de Janeiro tinha se transformado em Ubaitaba. Dona Dilma, inclusive, voltou a chamar a atenção ao ficar apreensiva quando Isaquias caiu na água e demorou a retornar para a superfície.

- Hoje minha família já estava mais completa. Ontem faltava mais irmão meu. Eu tenho irmão em São Paulo, na Bahia, e hoje já tinha mais gente aí. Minha mãe estava aí. Fiquei muito feliz por eles estarem aí. A confiança estava muito alta - concluiu o atleta, que tem nove irmãos, quatro deles adotivos. 
Isaquias Queiroz bronze canoagem Olimpíada Rio (Foto: Damien Meyer / AFP)Isaquias Queiroz festeja o bronze ainda dentro d'água (Foto: Damien Meyer / AFP)
Confira a programação da canoagem velocidade:
19/8 - Sexta-feira
K1 200m masculino - Edson Silva
C2 1000m masculino - Isaquias Queiroz e Erlon de Souza
K4 500m feminino
K4 1000m masculino - Roberto Maehler, Vagner Souta, Celso Oliveira e Gilvan Ribeiro
K1 200m masculino - semifinal
C2 1000m masculino - semifinal
K4 500m feminino - semifinal
K4 1000m masculino - semifinal

20/8 - Sábado
K1 200m masculino - final
C2 1000m masculino - final
K4 500m feminino - final
K4 1000m masculino - final

Com Bolt poupado, Jamaica vai à final do 4x100m; Brasil pega última vaga

Sem o astro, jamaicanos veem americanos liderarem classificatória do revezamento. Brasileiros fazem a melhor marca da temporada para também chegarem à decisão

Por Rio de Janeiro

Principal potência mundial das provas de velocidade do atletismo, a Jamaica pode se permitir alguns luxos. Um deles, poupar Usain Bolt das eliminatórias do revezamento 4x100m. Na manhã desta quinta-feira, no Estádio Olímpico, o time do país garantiu classificação entre os oito finalistas com tranquilidade no quinto posto, mesmo sem contar com sua principal estrela. O Brasil disputou a mesma bateria, não acompanhou o ritmo dos caribenhos, mas Ricardo Souza, Vitor Hugo dos Santos, Bruno Lins e Jorge Vides conseguiram a última vaga na decisão. A disputa por medalhas está marcada para a noite de sexta-feira.
- Tivemos alguns erros. Não quis nem muito olhar, porque estávamos no bolo. Fizemos um ótimo resultado. O mais difícil para mim é semi, porque você fica ansioso para chegar à final. Agora é sonhar em correr ainda melhor. É a segunda melhor marca da nossa geração. Sabemos que podemos correr ainda melhor - disse Bruno.
Revezamento 4 x 100m masculino (Foto: REUTERS/Fabrizio Bensch)Brasil foi o quinto colocado na sua bateria, mas arrancou a oitava e última vaga para a final (Foto: Reuters/Fabrizio Bensch)
Sem o grande astro, a Jamaica escalou Jevaughn Minzie, Asafa Powell, Nickel Ashmeade e Kemar Bailey-Cole. O time não conseguiu manter a Jamaica na ponta, ficou "apenas" na quinta posição, com 37s94. O líder foi o quarteto dos Estados Unidos, que não se abalou com a largada falsa da República Dominicana na primeira bateria e cravou 37s65, seguido de perto pelo Japão (37s68) e pela China (37s82). O Brasil recuperou bem com Jorge Vides na reta final da segunda bateria para conseguir a última vaga, com o tempo 38s19, o melhor da equipe nesta temporada.
Revezamento Brasil Trinidad Tobago 4x100m masculino Olimpíada Rio (Foto: David Gray / Reuters)Jorge Vides recuperou bem no final e liderou o Brasil à final (Foto: David Gray / Reuters)
Com a classificação, o Brasil retorna à final do revezamento 4x100m depois da ausência nos Jogos de Londres. A prova é uma das mais tradicionais no país, que foi prata em Sydney 2000 e bronze em Atlanta 1996. Uma medalha, porém, está distante do quarteto brasileiro, que deve precisar quebrar o recorde sul-americano de 37s90, anotado por Vicente Lenilson, Edson Ribeiro, André Silva e Claudinei Quirino justamente na prata olímpica de Sydney.
- O Japão ganhou a série, e isso mostra que a Jamaica não está com esse poder de fogo todo. O Bolt sozinho não pode fazer diferença. Revezamento é um conjunto. Ele só corre uma parte da prova - disse Bruno.
Para a Jamaica, não só o pódio é a meta como também o ouro. Atual campeã, a equipe vai contar com reforço de Bolt na final. O astro, que no mês passado assustou os fãs de atletismo ao deixar a seletiva jamaicana antes da hora com um incômodo na coxa, já mostrou estar bem no Rio com a vitória dos 100m no domingo, que o transformou no primeiro tricampeão da história olímpica. Mas precaução nesses casos nunca é demais. Nesta quinta, o Raio está totalmente focado apenas na final dos 200m, marcada para logo mais à noite.

De adversárias à parceria de ouro: Martine e Kahena têm o DNA da vela

Dupla foi campeã mundial júnior em 2009, se desfez, voltou a se unir e leva a única medalha da vela brasileira na Olimpíada do Rio

Por Rio de Janeiro
Martine Grael e  Kahena Kunze, regatas da classe 49er FX feminina (Foto: Reuters)Martine Grael e Kahena Kunze, regatas da classe 49er FX feminina (Foto: Reuters)
Tal pais, tal filhas. O DNA da vela corre no sangue de Martine Grael e Kahena Kuzne, ambas de 25 anos. A primeira é filha de Torben Grael, bicampeão olímpico, dono de cinco medalhas e coordenador técnico da equipe brasileira de vela. Navegou a vida toda nas águas da Baia de Guanabara. O pai de Kahena é Cláudio Kunze, campeão mundial júnior da classe Pinguim. A parceria que deu a medalha de ouro ao Brasil nesta quinta-feira começou na década passada, quando as adolescentes eram concorrentes ferrenhas na classe 420, e resolveram se unir. De cara foram campeãs do mundial júnior em 2009.

A dupla se desfez e foi estudar engenharia ambiental. A vela passou a ser apenas um lazer de fim de semana. O lazer voltou a virar coisa séria para Martine, quando ela recebeu o convite para ser parceira da medalhista de bronze em Pequim, Isabel Swan, na classe 470. Tentaram a vaga para Londres 2012, e perderam para Fernanda Oliveira e Ana Barbachan. Martine acabou sendo convidada para ir à Inglaterra convidada pelo Comitê Olímpico do Brasil, integrando um grupo de jovens atletas. Era um plano de convivência, feito para eles sentirem o clima olímpico. Separada de Isabel, não sabia muito o que fazer. Até que uma nova classe feminina foi criada para a Olimpíada. A 49erFX casava com as pretensões de Martine. Era a vez dela fazer o convite. E era para amiga Kahena. 
Kahena Kunze, Martine Grael, vela (Foto: Matheus Tibúrcio)Kahena Kunze, Martine Grael, vela (Foto: Matheus Tibúrcio)
-  A vela era um lazer de fim de semana. Quando eu comecei a velejar com a Isabel é que pensei em Olimpíada. A Olimpíada não é só aquela semana, mas todo o trajeto, os amigos que fazemos, as dificuldades. A parceria foi ficando cada vez mais certa e segura. Estávamos tendo resultado e deixamos a faculdade - disse Martine. 
- Para mim as coisas foram acontecendo. Eu nunca me distanciei da vela. Só não era profissional. Sabendo que os Jogos seriam aqui eu pensei que poderiam surgir uma classe, já que tinha vaga garantida. O COB desde o começo deu apoio. É difícil. É uma luta. Vi isso com a Martine e a Isabel. Para nós foi bem fácil em termos de patrocínio e ajuda - disse Kahena.

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E que resultados vieram. Em 2014 conquistaram o primeiro título mundial da vela feminina do Brasil e foram eleitas melhores velejadoras do ano pela World Sailing. Venceram os dois eventos-testes no Rio e em 2015 alternaram vitórias e segundos lugares nas competições. Mas viram as adversárias crescerem. Perderam o bicampeonato mundial na última regata e este ano ficaram em sexto lugar no mundial de Clearwater, nos Estados Unidos. Como melhor resultado de 2016 até agora haviam levado a prata na etapa da Copa do Mundo de Hyeres, na França e chegaram aos Jogos como líderes do ranking mundial.

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Martine Grael, Torben Grael e Marco Grael na apresentação da equipe brasileira de iatismo (Foto: André Durão)Martine com o pai Torben e o irmão Marco, que também competiu na Olimpíada na 49er (Foto: André Durão)


Desde cedo elas se acostumaram às conquistas da vela brasileira. Ainda mais Martine.

- Em 96 lembro de pegar meu pai no aeroporto, tinha 5 anos. Uma vez minha mãe ligou na escola, em 2000, para ir para o clube assistir a última regata. Viemos para cá e foi a maior comemoração.

Kahena era bem novinha quando foi até o Yacht Club Santo Amaro, em São Paulo, recepcionar Robert Scheidt,que acabara de ganhar seu primeiro ouro.

- Fui no corpo de bombeiros com o Robert quando ele ganhou em 96, acho. Eu era bem pequena, devia ter uns 5 anos - lembrou. 
Agora a festa será para elas. 

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