Rapaz de 22 anos começou ação há uma semana em praça de Sertãozinho.
Segundo ele, pessoas superam desconfiança e dão 'abraços verdadeiros'.
Como você reagiria se um morador de rua lhe pedisse um abraço? Com um gesto de carinho ou com um olhar desconfiado e uma negativa? A pergunta é colocada à prova aos moradores deSertãozinho (SP) há uma semana, quando eles passaram a se deparar com o pedido de um jovem na praça principal da cidade.
Com um cartaz em mãos, ele estampa a seguinte frase: “Hoje não quero nenhum centavo. Apenas o seu abraço”.
O mendigo em questão é, na verdade, o desempregado Anderson Luis da Silva Paiva, de 22 anos, que resolveu se vestir com roupas esfarrapadas e pedir demonstrações de afeto para testar como as pessoas reagiriam diante dessa realidade. “Um simples gesto, um abraço, um bom dia, muda o dia de alguém”, diz.
A ação de Paiva foi inspirada na iniciativa de outro rapaz, que pedia e distribuía abraços no metrô da capital paulista. “Eu achei legal e quis trazer essa ideia para Sertãozinho também para talvez mobilizar as pessoas através de um abraço. Talvez as pessoas voltem a ter o amor como era antigamente”, afirma.
Ainda segundo o jovem, a experiência serve também para espalhar sentimentos positivos, como compaixão e carinho, entre as pessoas.
Reações
Há uma semana, sempre com a perspectiva de que o amor existe, mas está escondido, Paiva se dirige, em dias alternados, à Praça Vinte e Um de Abril, onde fica em pé, parado, com o cartaz na mão por quase cinco horas. “Eu quero que [as pessoas] pensem que amor não está extinto. Na verdade, eu quero que elas não se esqueçam desse momento”, conta Paiva.
Há uma semana, sempre com a perspectiva de que o amor existe, mas está escondido, Paiva se dirige, em dias alternados, à Praça Vinte e Um de Abril, onde fica em pé, parado, com o cartaz na mão por quase cinco horas. “Eu quero que [as pessoas] pensem que amor não está extinto. Na verdade, eu quero que elas não se esqueçam desse momento”, conta Paiva.
No começo, os olhares dos que passam por Paiva são tímidos, alguns desconfiados. Mas os comentários feitos à distância logo se transformam em palavras de apoio, perguntas sobre o motivo de ele estar ali. Até que finalmente aparece o abraço, seguido por vários outros.
Sem saber da ação, a soldadora Marina Souza da Costa se emocionou ao abraçar o jovem após ele dizer que o gesto de carinho era tudo que ele precisava. “Ele conversou comigo e foi supergentil. Tem muita gente que não é gentil hoje em dia. A gente está com tanta pressa, tanta preocupação, o tempo é tão curto, que a gente nunca presta atenção como as pessoas realmente são”, afirma.
A atitude de Paiva causou tanta comoção que afastou qualquer tipo de medo ou desinteresse, geralmente demonstrado pela maioria. De acordo com a pedagoga Helen Aline Zambianco, que também parou para atender o jovem, não existem motivos para que o pedido não seja correspondido. “Eu acho que não custa nada. Ele não está pedindo dinheiro, nem nada. Ele está apenas pedindo uma forma de carinho, um abraço. Me comoveu.”
Também solidária à situação do ‘morador de rua’, a artesã Orlanda Maria de Jesus da Silva contou que abraçou o jovem por pensar que ele estivesse doente ou tivesse sido abandonado pela família. “Tocou muito, doeu muito. Porque eu acho que se ele tivesse pedido centavos não superaria o que ele precisa. Eu pensei em dar alguma coisa para ele, mas ele queria o abraço”, disse.
O resultado positivo tem levado Paiva a momentos de grande emoção e surpresa. “Eu sinto que o abraço é verdadeiro. Elas vêm e me abraçam pelo simples fato de eu estar vestido assim. Eu sinto uma emoção muito grande. Quando as pessoas se emocionam, eu me emociono com elas pelo simples gesto do amor que elas estão me transmitindo.”
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