Salvador será uma das cinco capitais que vai estudar o efeito do tratamento. A novidade promete a eliminação da Hepatite C
Entre o final do mês de maio e início de junho deste ano, Salvador passa a integrar o seleto grupo dos cinco estados brasileiros que participam da pesquisa clínica intitulada Topázio III. O estudo verificará um novo tratamento contra o vírus da hepatite C, que promete a cura em menos tempo e sem os efeitos tóxicos percebidos em tratamentos anteriores, usando drogas como o interferon, que é padrão atual de tratamento.
Para alcançar resultados tão eficientes, o tratamento - que ganhou o nome de VIEKIRA PAK e já foi aprovado nos Estados Unidos e Europa - reúne três antivirais de ação direta, com mecanismos distintos de ação, que atacam o vírus em várias etapas do seu ciclo de vida, inibindo sua propagação. Na última semana, o tratamento foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), em processo de análise prioritária.
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“Novos tratamentos como esse, que acaba de ser aprovado, constituem verdadeira revolução no tratamento da Hepatite C. Pacientes que convivem com a doença há décadas agora dispõem de um tratamento seguro, eficaz, de curta duração e com o mínimo de efeitos colaterais. A alta eficácia e a simplicidade desses novos medicamentos se constituem em um marco na saúde pública deste país”, afirma o hepatologista e presidente da Sociedade Brasileira de Hepatologia (SBH), Edison Parise.
De acordo com o presidente do Grupo Vontade de Viver, organização que reúne os portadores da Hepatite C na Bahia, Rômulo Corrêa, a grande vantagem desses tratamentos reside na perspectiva de um tratamento curto com grandes chances de cura.
“Posso falar com conhecimento de causa, porque o tratamento com interferon, por exemplo, é muito tóxico e feito sem garantia alguma”, pontua Corrêa, lembrando que as novas medicações também representam um custo menor para o governo, ampliando a oportunidade de tratamento para os portadores da doença que compromete o fígado.
UFBA
Em Salvador, o Topázio III será desenvolvido no Ambulatório de Gastro-Hepatologia do Hospital das Clínicas (Universidade Federal da Bahia/Hupes-Ufba). O estudo clínico de fase III será realizado em 16 centros de pesquisa, com pacientes infectados com Hepatite C, Genótipo 1, com ou sem fibrose hepática e com ou sem experiência prévia em tratamento com interferon.
Raymundo Paraná coordenará o estudo clínico Topázio III na Bahia, através do Ambulatório de Hepatologia
(Foto: Lúcio Távora/Abvie/Divulgação) |
O estudo epidemiológico inédito tem como meta identificar os padrões de tratamento da doença pelo sistema público brasileiro e seu impacto. Para o coordenador da pesquisa na Bahia, o hepatologista Raymundo Paraná, as expectativas são muito boas, sobretudo porque o tratamento pode ser usado em qualquer paciente hepático.
“Esse conjunto de medicações consegue recuperar a função hepática do indivíduo, inclusive naqueles casos onde há indicação de transplante”, esclarece o médico, ressaltando que em localidades onde o tratamento já está em uso, como Estados Unidos e Europa, a expectativa é acabar com a Hepatite C até 2030.
“O grande problema do Brasil no que tange ao combate das hepatites virais reside no diagnóstico, pois muita gente tem a doença e não sabe”, diz o médico, ressaltando que a Hepatite C tem um impacto maior para a saúde pública que a Aids.
“No entanto, a Aids ganhou maior visibilidade com a morte de artistas e a sociedade se organizou melhor, a Hepatite C continua cercada de muito preconceito, pois muita gente associa a doença aos usuários de drogas injetáveis”, explica o médico, lembrando que até a década de 70 não havia a cultura das agulhas e seringas descartáveis, fato que ampliava a contaminação, especialmente entre jogadores de futebol que faziam uso de suplementos injetáveis.
Inflamação
Vale lembrar que a hepatite é uma inflamação do fígado que, quando não tratada, pode cronificar e comprometer o órgão com cirrose ou câncer. A doença pode ser causada por vírus, uso de alguns remédios, álcool e outras drogas, além de doenças autoimunes, metabólicas e genéticas.
As hepatites são silenciosas e nem sempre apresentam sintomas, mas quando aparecem podem ser cansaço, febre, mal-estar, tontura, enjoo, vômitos, dor abdominal, pele e olhos amarelados, urina escura e fezes claras.
No Brasil, as hepatites virais mais comuns são as causadas pelos vírus A, B e C. Existem, ainda, os vírus D e E, esse último mais frequente na África e na Ásia. De acordo com o Ministério de Saúde, no Brasil, a prevalência da infecção pelo vírus da Hepatite C varia entre 1,4% a 1,7%, com maior concentração entre as pessoas acima de 45 anos de idade.
Hepatite C é a infecção de transmissão sanguínea mais comum globalmente, afetando mais de 3% da população do planeta. A transmissão da Hepatite C é por sangue contaminado, como, por exemplo, por transfusão de sangue, compartilhamento de seringa ou objetos cortantes de higiene pessoal, como lâminas de barbear, alicate para unha e cutícula e agulhas usadas para tatuagem e piercings.
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