Ampliar rotas, investir em sustentabilidade e ações para redução de risco de roubos além de mais facilidades para quem contrata o serviço são saídas para redes que operam em todos os modais
Amauri Vargas
Com alta do frete, empresas de transporte rodoviário precisam trazer outros benefícios aos clientes
Foto: Divulgação/A2 fotografia
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São Paulo - Para sair da tradicional operação de levar e trazer, transportadoras investem em diversificação de produtos para crescerem em meio à economia mais fraca. Na 21ª Intermodal South America, que termina amanhã em São Paulo, a caça por novos clientes envolve sustentabilidade, novas rotas, facilidade para contratar serviços e garantia de segurança para cargas valiosas.
"O bom da crise é que as empresas precisam se reinventar para atrair clientes. Apostar em benefícios ao consumidor [mesmo em um cenário de alta do frete] é um diferencial e tanto. As mercadorias precisam chegar de um ponto a outro, independentemente da crise, e ganha quem atrair mais o contratante", explica o especialista em logística e professor da Universidade Federal de Minas Gerais, Sérgio Rodrigues.
Na visão do professor, o setor de rodovias é o que mais precisa se reinventar. "Isso porque a cultura brasileira é apoiada nesse modal, e os empresários do ramo sempre estiveram em situação confortável com o mercado".
Além disso, o transporte de cargas via aérea e marítima têm trazido soluções para fisgar parte dos tradicionais empresários de rodovias. "A cabotagem, por exemplo, quer ganhar espaço, enquanto as aéreas usam o tempo curto para ganhar clientes, ainda mais com a alta no custo do frete rodoviário", disse.
Novas rotas
Presente na Intermodal, a empresa logística Panalpina também trouxe novidades ao mercado: a ampliação da rede de voos próprios com envio de um serviço completo de cargueiro para o Brasil (Brazil Wings) e o LTL (Less-than-Truck-Load), que envolve coleta em todo o Estado de São Paulo, consolidação e entrega de cargas fracionadas no Porto de Santos.
Segundo o vice-presidente Regional de Frete Aéreo para as Américas na Panalpina, Roberto Schiavone a empresa já opera dois voos semanais de Huntsville (EUA) para Viracopos (SP). O serviço, chamado Brazil Wings, faz parte do acordo entre Panalpina e Atlas Air. "O serviço oferece capacidade regular em aeronave cargueira para a América do Sul a partir dos Estados Unidos e um transit time recorde de menos de 40 horas a partir de Hong Kong para São Paulo", explica.
O serviço direto de Huntsville para São Paulo foi projetado para os clientes no Centro-Oeste e partes do Sudeste dos Estados Unidos, e tem como público-alvo a indústria de maquinários e implementos agrícolas, high-tech, healthcare, automotivo, entre outras.
Busca por clientes
Quem também usará a Intermodal para atrair novos clientes é a Log Comercial Properties. Segundo o diretor executivo da empresa, Sérgio Fischer, o objetivo é mostrar ao mercado o potencial de seus condomínios logísticos.
"Não nos restringimos ao eixo Rio-SP. Atuamos onde identificamos demandas altas de consumo, priorizando as facilidades de acesso. Com essa estratégia, somente no ano passado comercializamos mais de 230 mil m² de novos negócios, recorde absoluto de locação."
Para o executivo, apesar de o cenário macroeconômico ser desafiador, os números do último ano mostram que o Brasil está carente de parques industriais. "Percebemos que hoje os clientes são mais cautelosos na tomada de decisão, porém, os contratos estão sendo efetivados", diz.
Mais segurança
Apostando em inovação e redução de até 50% no custo para transporte de cargas de alto valor agregado, a Transvip também está otimista. "Trata-se de uma ótima oportunidade para trocar informações e fazer novos negócios", afirma o diretor-geral da Transvip, Marcos Guilherme Cunha.
O executivo detalha que no caso de transporte especial, a empresa usa carretas blindadas, rastreadas por satélite, e que possuem câmeras de visualização remota. "Todos esses aparatos dispensam a escolta, a contratação de uma gerenciadora de riscos e, muitas vezes, o próprio seguro da carga. Por isso, o serviço custa, em média, metade do valor do transporte convencional."
A maior segurança para cargas também é a filosofia da Prosegur. Voltada às soluções integradas de segurança para portos, a empresa trouxe duas soluções aos visitantes da feira: o Proteus, uma trava para a porta de contêiner equipada com alta tecnologia para monitoramento e rastreamento, e o colete com microcâmera embutido. "O cliente pode contar com as imagens transmitidas ao vivo ou gravar o que acontece durante a ronda do vigilante no seu posto de trabalho", diz o diretor de soluções integradas da Prosegur, José Luis Rodrigues.
Que crise?
Na contramão, a Gocil está olhando a economia pessimista pelo retrovisor. A companhia administra o recebimento de cargas em centros de logística e faturou cerca de R$ 1,08 bilhão em 2014, o que representou 10% de crescimento.
"Em 2015 vamos faturar mais. A receita será 15% mais alta em negócios de maior valor agregado", afirma a gerente de marketing da empresa, Daniella Barbosa. Segundo ela, uma parceria divulgada durante a feira foi fechada com a norte-americana de sistemas 4D Security Solutions, para aumentar a capacidade de processamento das cargas monitoradas. "Escolhemos a 4D por conta do know-how na automatização de aeroportos nos EUA, no canal do Panamá e na cidade inteira de Abu Dhabi."
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