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quinta-feira, 26 de março de 2015

Lei prevê que um dos parceiros assuma tratamento do casal

Ação pública fornece antibióticos de graça para que um dos dois administre

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SCI STD TREATMENT 1
Inovação. Dr. Matthew Ouro, que dirige o programa para reduzir as taxas de doenças entre casais sem nunca vê-los
PUBLICADO EM 26/03/15 - 03h00
Nova York, EUA. Recentemente, enquanto colocava asas de frango em uma fritadeira de um restaurante de fast-food no subúrbio de Seattle, William, 21, chamou sua quase namorada, uma entregadora de pizza de 18 anos. Ele tinha más notícias. Seus exames haviam dado positivo para gonorreia e clamídia. Isso significava que havia uma grande possibilidade de que ela também estivesse infectada.
Acusações barulhentas e cheias de insultos se seguiram. Mas a conversa não terminou ali. Como seria de se esperar em outras circunstâncias, os dois voltaram a falar sobre o assunto.
Isso porque William, que pediu para ser identificado apenas pelo nome do meio para proteger sua privacidade, conseguiu incluir algumas boas notícias. A quase namorada – em sua definição – não precisaria encarar a chatice e o constrangimento de passar por exames.
A clínica que ele frequenta já havia fornecido receitas para os dois; e o próprio William podia dar a ela os antibióticos. De graça. Na hora. Ela debochou dele, mas pegou as pílulas. “Fiquei muito feliz de poder dar os remédios a ela, porque assim ela não precisou gastar muito tempo e dinheiro. Somos jovens e pobres”, diz ele.
Para diminuir as taxas de gonorreia e clamídia, pelo menos 31 Estados norte-americanos permitem que as clínicas tratem os parceiros sexuais dos pacientes sem ao menos vê-los em pessoa, uma intervenção de saúde pública conhecida como “terapia facilitada de parceiro”, ou EPT (sigla em inglês para Expedited Partner Therapy).
Quando um exame dá positivo para doenças sexuais, a clínica fornece a medicação não apenas para o paciente, mas para que ele também ofereça ao parceiro (em alguns lugares, até para cinco parceiros).
Algumas vezes, o médico pode mandar a receita do parceiro para uma farmácia. O Estado de Washington também paga pelo remédio, sem levar em conta se o parceiro pode ou não arcar com a despesa.
Nos poucos Estados que possuem leis obrigando o contato direto entre médicos e pacientes, o EPT é ilegal. E, apesar de alguns locais, como Havaí, Arizona, Colorado, Nebraska e, no mês passado, Michigan, autorizarem o EPT, a situação ainda é ambígua legalmente.
Pesquisa
EPT. Uma grande pesquisa sobre o EPT de Washington, recém-publicada pelo jornal “Plos Medicine”, sugere que a estratégia diminui as taxas de infecção em 10%. Mas, apesar de muitas organizações de saúde do país aprovarem o EPT, o programa
ainda tem pouca adesão, já que a maioria dos Estados não paga os remédios e muitos médicos não se sentem à vontade em tratar os pacientes sem examiná-los.

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