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sexta-feira, 10 de abril de 2015

"Quando eu tirei ela da cama, o quarto desceu”, diz mãe de criança que escapou de desabamento na Boca do Rio

O quarto da criança desabou e atingiu a casa do marceneiro Josimar Silva Nunes, 30, na parte de baixo da mesma rua
Bruno Wendel, Clarissa Pacheco e Yne Manuella (mais@redebahia.com.br)
Atualizado em 10/04/2015 08:35:50
  
Aline e a filha Ágata, de 3 anos, escaparam por pouco de tragédia (Foto: Marina Silva)

Na manhã desta quinta-feira (9), na Boca do Rio, a Rua do Sossego virou a rua da angústia. Às 7h53, a moradora Aline Santana, de 19 anos, pulou da cama com a filha Ágata, de 3. Elas escaparam por segundos de uma tragédia. “Eu comecei a ver que tava enchendo o quarto de água e, quando eu terminei de tirar ela da cama, o quarto desceu”, contou Aline, ainda assustada. 

O quarto da criança desabou e atingiu a casa do marceneiro Josimar Silva Nunes, 30, na parte de baixo da mesma rua. Além do impacto do imóvel de cima, a água invadiu a casa do marceneiro, derrubou a parede do quarto e levou toda a fachada. “Infelizmente, não tem o que fazer. O jeito é levantar tudo de novo”, disse Josimar, ontem, ao ver pela primeira vez o estado da casa. 

Na hora do desabamento, não havia ninguém em casa. Apesar de o temporal ter dado uma trégua no final da manhã, os vizinhos de Aline e Josimar seguiam angustiados. “Aqui a gente não tem rede de esgoto. Imagina como é o pânico de ver minha filha grávida de 7 meses aqui, em tempo de essas casas todas desabarem”, disse a auxiliar de serviços gerais Doralice Moreira Bastos.

A casa da filha dela, Fernanda, fica ao lado do imóvel de Josimar. Na mesma rua, a faxineira Maria Inês Oliveira Santos, de 54 anos, lamentava as perdas. A água entrou escada abaixo e levou todo o lixo da rua para dentro. Tudo foi perdido: gavetas, documentos, roupas, sapatos e lençóis.


Cidade viveu dia de caos
Após uma semana com as torneiras secas, alguns soteropolitanos fizeram preces para  que a água voltasse. E a  resposta veio dos céus, ontem. Durante a madrugada e ao longo da manhã, a chuva alagou ruas, derrubou árvores e postes, inundou casas e, praticamente, parou a cidade. Entre 7h e 8h, principalmente, transitar nas principais avenidas era tarefa para os mais corajosos.
Na Av. Bonocô, próximo à Rótula do Abacaxi, água cobre pneus 
de veículos (Foto: Mauro Akin Nassor)

Dos 309 mm de chuva previtos para o mês de abril, 98,8 mm caíram somente nas primeiras 16 horas de ontem. “Se não foi a pior, foi uma das chuvas mais intensas dos últimos anos”, afirmou o diretor-geral da Defesa Civil (Codesal), Álvaro da Silveira Filho.

O caos se agravou com deslizamentos de terra e desabamentos. Para piorar, a queda de um poste no Vale de Nazaré deixou a Codesal sem energia. Com isso, o telefone de emergência (199) ficou sem funcionar e boa parte das ocorrências não foi registrada. De acordo com a prefeitura, foram 53 chamados pela Ouvidoria até o meio da tarde e mais 41 pela Codesal até as 17h30 - só de deslizamentos foram 15 e cinco imóveis desabaram parcialmente.

Quem tentou trafegar pelas avenidas Vasco da Gama, Garibaldi, Centenário e Reitor Miguel Calmon, no início da manhã, encontrou, no lugar do asfalto, água. Em alguns pontos, era impossível distinguir o passeio da rua. Bocas de lobo chegaram a ser abertas pela população na tentativa de ajudar a escoar a água. O resultado: longos engarrafamentos. Tão longos que, até a noite de ontem, a Transalvador não sabia estimar a extensão.

Na Centenário, a situação ficou ainda mais crítica. A água acumulada em ruas mais altas começou a escoar, formando cachoeiras. Muita gente teve que subir nos bancos dos pontos de ônibus para fugir da água que jorrava de cima e se acumulava na parte de baixo da via. “Meu ponto sumiu no meio da água. Nem dá pra ver direito”, disse a diarista Lília Cruz, 30 anos, ilhada.

Durante a tarde, a Transalvador ainda decidiu interditar uma faixa da Avenida Bonocô, no sentido Iguatemi, por conta da quantidade de água acumulada no canteiro central, onde uma nova estação do metrô está sendo implantada.
No Rio Vermelho, em frente ao Largo da Mariquita, condutores e pedestres, parados, aguardam água baixar (Foto: Marina Silva)

Na tentativa de enfrentar a chuva forte, houve quem esperasse mais de três horas para chegar ao trabalho. “Saí de casa às 8h e cheguei às 11h30 na Bolandeira. Chego sempre às 9h. Só na Paralela, o ônibus ficou uma hora parado”, relatou a diarista Cléscia de Jesus Pereira, 30, moradora de Cajazeiras VI. Ela saltou na entrada do Imbuí e seguiu a pé.

De acordo com o superintendente da Transalvador, Fabrizzio Muller, a equipe iria se reunir ontem para estudar o reposicionamento das viaturas a fim de minimizar os transtornos hoje. Enquanto isso, as vias de escape são o sentido Iguatemi da Juracy Magalhães e a Via Expressa.

Em coletiva, à tarde, o prefeito ACM Neto (DEM) disse que a prefeitura já investiu 
R$ 150 milhões em obras de infraestrutura, que visam minimizar os efeitos das chuvas. Ele afirmou que não é necessário decretar estado de emergência, mas a possibilidade não está descartada. 

Segundo o prefeito, além das intervenções nos pontos mais críticos, a prefeitura atuará em outras ocorrências. Equipes da Defesa Civil, Limpurb, Transalvador, Secretaria de Promoção Social e demais órgãos da administração municipal, diz o prefeito, “trabalharão 24 horas por dia para atender as solicitações”.

Ainda ontem, o governador Rui Costa (PT) colocou toda a estrutura do estado à disposição da prefeitura para atender as ocorrências.
 
Prejuízos
Em quase toda a cidade havia carros boiando ou estacionados de forma improvisada sobre calçadas e canteiros. Outros motoristas apenas assistiram ao prejuízo. “O jeito que teve foi esperar o guincho. Não liguei o carro porque deve ter muita água no motor”, lamentou o taxista Anderson Rodrigues, 32. Na Rua Simões Filho, na Boca do Rio, onde ele mora, a água subiu meio metro e causou danos em todos os imóveis da transversal, conhecida como Rua da Vala. Segundo moradores, uma comporta que dá vazão à água da chuva estava fechada e foi preciso um mutirão para abrir.

O eletricista e encanador Antônio Faustino dos Santos, 62, disse ter perdido tudo: freezer, geladeira, fogão, televisão, computador. “Não ficou nada aí dentro. A coisa aqui na rua foi feia”, lamentou.

Cancelamentos 
Diante do temporal e dos alagamentos, eventos foram cancelados e escolas e faculdades suspenderam as atividades. Na rede estadual, as aulas foram suspensas nas escolas de Brotas, Amaralina, Imbuí, Santa Cruz, Massaranduba e Estrada do Derba. A Unijorge suspendeu as aulas nos campi Paralela e Comércio e na pós-graduação. Já a Unifacs cancelou as aulas, enquanto  a Faculdade Social adiou as provas. A travessia de lancha entre Salvador e Mar Grande, na Ilha de Itaparica, também foi interrompida, por conta do mau tempo, durante todo o dia. O expediente e os prazos do Tribunal Regional do Trabalho também foram suspensos. 

Buracos
Ainda durante a manhã, o asfalto cedeu na Rua Leonor Calmon, no Cidade Jardim, e por pouco não engoliu um carro. O buraco, de 10 m² e 6 m de profundidade, tomou a calçada e uma faixa inteira da pista, que foi interditada. No local, passam uma rede de drenagem, outra de abastecimento e uma tubulação da Bahiagás. “Não estamos preocupados agora em saber se a responsabilidade é da Embasa ou da prefeitura. Já determinei que uma das empresas que prestam serviço à prefeitura tome providências e o tráfego possa ser normalizado”, disse o prefeito, no local. Em nota, a Embasa alegou que a cratera “é de responsabilidade da prefeitura”. Para evitar explosões, o gasoduto que cobre a área foi fechado pela Bahiagás, por tempo indeterminado.

Com a chuva, a lama na área do buraco em que uma adutora rompeu, na BR-324, voltou a invadir casas no Calabetão, ainda pela manhã. Alguns moradores foram para a pista, protestar, o que complicou ainda mais o trânsito. Procurada, a CCR Metrô Bahia  disse que enviou uma equipe de técnicos ao local para analisar a situação e atender as famílias atingidas. Ainda não há um levantamento do número de casas afetadas. Colaboraram: Diogo Costa e Giulia Marquezini.
FONTE:

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