Voo repentino
A empresa que aparece como proprietária do helicóptero usado pelo ex-deputado Luiz Argôlo (SD) recebeu R$ 284.051 em contratos fechados sem licitação com o governo do estado, entre maio e dezembro de 2014, época que coincide com as primeiras fases da Operação Lava Jato. No total, foram feitos 14 pagamentos para a Cardiomed Comércio e Representações de Materiais Médicos, referentes à compra de próteses e órteses pela Secretaria Estadual de Saúde (Sesab).
O maior volume de repasses, segundo o portal de transparência do governo baiano, ficou concentrado nos meses de junho, agosto e setembro, período que coincide com a campanha eleitoral. A Cardiomed recebeu ainda outras duas parcelas - que totalizam cerca de R$ 88 mil - em dezembro. Até 2013, o volume de negócios da empresa com o governo nunca havia ultrapassado os R$ 4 mil.
Asa gorda
A Cardiomed é classificada na Junta Comercial da Bahia como empresa de pequeno porte, com capital social informado de apenas R$ 500 mil. No entanto, aparece no Registro Aeronáutico Brasileiro como dona do helicóptero Robinson, modelo R44 Raven II, cujo preço de mercado varia de R$ 1,5 milhão a R$ 2 milhões.
Ponto de ligação
De acordo com os dados da Agência Nacional de Aviação Civil , embora a Cardiomed seja a proprietária, é a GDF Investimentos quem operava o helicóptero posto à venda pela Justiça . A GDF, apontou a força-tarefa da Lava Jato, pertence ao doleiro Alberto Youssef, amigo de Luiz Argôlo. Ambos estão presos em Curitiba.
A hora da boca aberta
O vice-presidente da CPI da Petrobras, deputado Antonio Imbassahy (PSDB), quer esperar o avanço do processo de delação premiada do empreiteiro baiano Ricardo Pessoa para convocá-lo a depor. “No momento, a convocação seria improdutiva. Ele está sendo ouvido pela Procuradoria e muito do que ele disse ainda é mantido em sigilo e nem foi validado pela Justiça”, avaliou. Para o tucano, forçar o comparecimento do manda-chuva da UTC agora abriria espaço para a repetição do silêncio que dominou a maioria das oitivas de executivos e sócios de construtoras ligadas ao esquema.
Partidas e chegadas
O senador Walter Pinheiro pode estar cansado de negar sua saída do PT, mas uma eventual troca de partido é assunto da vez nos corredores do Senado. Em especial, para parlamentares da bancada do PSB, composta por seis integrantes, incluindo Lídice da Mata, amiga do petista. No partido, a chegada de Pinheiro é mais que esperada. Aposta-se alto que, caso a presidente Dilma Rousseff vete as mudanças no fator previdenciário, o adeus seria acelerado.
Ponto de vista
Enquanto políticos da base aliada ao PT viram a saída do baiano Vicente Neto da presidência da Embratur como mais uma derrota para o estado, empresários do setor de turismo têm opinião contrária. Em tom reservado, avaliam que a passagem de Vicente Neto pelo comando do órgão não rendeu qualquer proveito para quem atua no mercado local de hotelaria e de agências de viagem, tanto na capital quanto no interior.
Não dá apenas para criticar. Temos que deixar de lado questões políticas e partidárias. Quem sofre com o medo e a violência é a populaçãoLeur Lomanto Jr (PMDB), deputado estadual, ao cobrar que oposição e base aliada se unam para apresentar propostas contra a onda de crimes que assola cidades baianas.
Pílula
* Começou a contagem regressiva de quatro meses para quem quiser trocar de partido a tempo de disputar as eleições de 2016. O prazo final termina no começo de outubro.
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