Internet é vitrine para blogueiros e youtubers transformarem o que antes era um hobby em um negócio com postagens e anúncios patrocinados por empresas. Quanto maior a audiência na rede, melhor pode ser a renda
A jornalista Marta Fonseca, 26, fatura de R$ 5 mil a R$ 7 mil comseu blog de moda, o Armário de Madame (Foto: Marina Silva)
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Foi-se o tempo em que blogs, páginas no Facebook e vídeos no Youtube eram apenas hobbies. Essas ferramentas deixaram de ser formas de entretenimento e se transformaram em negócios lucrativos. Apesar desse mercado ainda ser fraco no Nordeste, produtores de conteúdo já movimentam plataformas nos diversos setores, desde moda a gastronomia, e faturam até R$ 7 mil por mês.
Há cinco anos com o blog Armário de Madame, a jornalista baiana Marta Fonseca, de 26 anos, se sustenta através de seu site de moda. “Jamais achei que iria ganhar dinheiro com isso. Foi quando a dona de uma loja que eu era cliente me propôs ir lá e fotografar alguns ‘looks’. Como pagamento, ela me deu uma blusa e um cinto. Nesse momento percebi que podia ser blogueira como profissão”, conta ela, que administra tudo, desde postagens a vídeos, sozinha. Depois disso, a jornalista fez novos trabalhos. “Um dia disse para um cliente que não receberia pagamento em produtos. Consegui cobrar R$ 250 por quatro posts com sete ‘looks’ cada”, revela.
Dos cinco anos, Martinha, como é conhecida, passou três sem ganhar nada. Hoje, com 6 mil acessos por dia, ela fatura de R$ 5 mil a R$ 7 mil por mês.Inicialmente, o desafio foi colocar preço nos produtos. Atualmente isto é feito de acordo com a audiência. “Quanto maior a audiência, maior a possibilidade de influenciar pessoas e a capacidade de compra delas. É isso que vendo para os clientes . O bacana é quando você cria um vínculo com os leitores. Como em uma relação de amizade, dou dicas e recomendo produtos”.
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Seus clientes, que variam desde lojas a grandes marcas, compram espaços publicitários no Armário de Madame. Negócio RentávelDe acordo com o publicitário Jorge Martins, a principal dica para quem quer ter um negócio rentável, como Martinha, é produzir um conteúdo diferenciado, conquistando uma audiência específica. “A pessoa pode fazer algo legal, mas se não tiver acesso, não terá relevância”, diz.
Segundo o sócio da COM Inteligência Digital e da PaperCliQ, Marcel Ayres, não existe uma ‘fórmula’ quando o assunto é ganhar dinheiro com conteúdos próprios em mídias sociais. “O retorno financeiro vem através de investimentos publicitários nesses canais, que podem ocorrer por meio de ferramentas de mercado ou da comercialização de espaços e conteúdos específicos para anunciantes”, explica o especialista em marketing digital.
Entre as principais formas de ‘monetizar’ esses negócios, ele cita o Google AdSense, banners e publieditoriais. “Blogueiros e youtubers devem pensar em como se apropriar de seu espaço de forma criativa para atrair investimentos diversos, diferenciando o que é ou não publicidade”, afirma. Outro ponto importante é a comprovação dos dados de visibilidade dos canais, por meio de ferramentas de análise. “Não basta disponibilizar espaço e conteúdo para o anunciante. É preciso comprovar o retorno dos investimentos”, diz.
Público
Para o CEO da agência digital BeeWeb, Allesandro Canella, quanto mais exclusivo o conteúdo, mais frequentadores terá o blog. “É preciso pensar em um tema que tenha um público interessado. Em um blog de gastronomia, por exemplo, as pessoas que apreciam culinária acessam para conferir as dicas dos blogueiros”, exemplifica.
Também atuante no mercado baiano de bloggers, a redatora publicitária Gabriela Martinez, 27, aliou um hobby e montou o Onde Comer em Salvador. “Começamos em 2011. Na época, saíamos muito para comer e pensamos em como transformar esses gastos em um investimento”, conta ela, que abriu o negócio junto com o sócio, analista de sistemas. “Hoje, a maior parte desse investimento é com as pautas (comida)”, revela.
Apesar da plataforma já se sustentar, Gabriela assegura que o lucro ainda não é suficiente para ela viver apenas do blog. “Temos empregos à parte. Lucramos cerca do dobro do que gastamos”, garante. Segundo a redatora, eles não fazem permuta. O lucro do negócio vem da venda de espaços publicitários. “Um publieditorial custa de R$ 250 a R$ 450. Já um anúncio custa cerca de R$ 350. Um post patrocinado no Instagram ou no Facebook sai por R$ 250”, diz.
Quando questionada sobre a posição de Salvador com relação aos blogs como negócios, ela diz que a capital está muito atrás de outros estados. “As empresas começam a ver os blogs como espaço de mídia, mas o mercado de Salvador é muito verde. As empresas ainda preferem investir nas mídias tradicionais. Acredito que em São Paulo há mais espaço para quem quer se sustentar com esse tipo de negócio, assim como para as blogueiras de moda, que formam um mercado à parte”, diz. Ela se prepara para inaugurar o Onde Comer em São Paulo.
Exemplos
Exemplos de blogs de sucesso em Salvador não faltam. É o caso do Apaixonados por Séries. “Desde o primeiro ano, a gente já começou a ‘monetizar’ o site”, conta a publicitária Cristal Bittencount, 33. Apesar da quantidade grande de acessos, o portal, que conta com 15 colaboradores, não é fonte de renda para seus criadores. “Uma das grandes dificuldades da Bahia é que somos afastadas do grande polo, o Sudeste. Os eventos ocorrem lá”, afirma.
Pensando nesse mercado crescente, a também jornalista Camila Gaio, 29, criou um canal no Youtube focado no público feminino. “No futuro, espero que esses vídeos me deem retorno financeiro para que possa viver deles. Por enquanto estou preocupada com a qualidade do trabalho”.
O freelancer Ivan Rodrigues, 26, também aposta no seu projeto, o blog kolara, em fase inicial. “Já tenho um planejamento a longo prazo e espero poder viver disso”, diz.
Entre as principais formas de ‘monetizar’ esses negócios, ele cita o Google AdSense, banners e publieditoriais. “Blogueiros e youtubers devem pensar em como se apropriar de seu espaço de forma criativa para atrair investimentos diversos, diferenciando o que é ou não publicidade”, afirma. Outro ponto importante é a comprovação dos dados de visibilidade dos canais, por meio de ferramentas de análise. “Não basta disponibilizar espaço e conteúdo para o anunciante. É preciso comprovar o retorno dos investimentos”, diz.
Público
Para o CEO da agência digital BeeWeb, Allesandro Canella, quanto mais exclusivo o conteúdo, mais frequentadores terá o blog. “É preciso pensar em um tema que tenha um público interessado. Em um blog de gastronomia, por exemplo, as pessoas que apreciam culinária acessam para conferir as dicas dos blogueiros”, exemplifica.
Também atuante no mercado baiano de bloggers, a redatora publicitária Gabriela Martinez, 27, aliou um hobby e montou o Onde Comer em Salvador. “Começamos em 2011. Na época, saíamos muito para comer e pensamos em como transformar esses gastos em um investimento”, conta ela, que abriu o negócio junto com o sócio, analista de sistemas. “Hoje, a maior parte desse investimento é com as pautas (comida)”, revela.
Apesar da plataforma já se sustentar, Gabriela assegura que o lucro ainda não é suficiente para ela viver apenas do blog. “Temos empregos à parte. Lucramos cerca do dobro do que gastamos”, garante. Segundo a redatora, eles não fazem permuta. O lucro do negócio vem da venda de espaços publicitários. “Um publieditorial custa de R$ 250 a R$ 450. Já um anúncio custa cerca de R$ 350. Um post patrocinado no Instagram ou no Facebook sai por R$ 250”, diz.
Quando questionada sobre a posição de Salvador com relação aos blogs como negócios, ela diz que a capital está muito atrás de outros estados. “As empresas começam a ver os blogs como espaço de mídia, mas o mercado de Salvador é muito verde. As empresas ainda preferem investir nas mídias tradicionais. Acredito que em São Paulo há mais espaço para quem quer se sustentar com esse tipo de negócio, assim como para as blogueiras de moda, que formam um mercado à parte”, diz. Ela se prepara para inaugurar o Onde Comer em São Paulo.
Exemplos
Exemplos de blogs de sucesso em Salvador não faltam. É o caso do Apaixonados por Séries. “Desde o primeiro ano, a gente já começou a ‘monetizar’ o site”, conta a publicitária Cristal Bittencount, 33. Apesar da quantidade grande de acessos, o portal, que conta com 15 colaboradores, não é fonte de renda para seus criadores. “Uma das grandes dificuldades da Bahia é que somos afastadas do grande polo, o Sudeste. Os eventos ocorrem lá”, afirma.
Pensando nesse mercado crescente, a também jornalista Camila Gaio, 29, criou um canal no Youtube focado no público feminino. “No futuro, espero que esses vídeos me deem retorno financeiro para que possa viver deles. Por enquanto estou preocupada com a qualidade do trabalho”.
O freelancer Ivan Rodrigues, 26, também aposta no seu projeto, o blog kolara, em fase inicial. “Já tenho um planejamento a longo prazo e espero poder viver disso”, diz.
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